Hoje fazem 103 anos do nascimento de Edith.
Edith a íntima! Somente Edith.
E me vem lágrimas aos olhos toda vez que ouço essa musica.
Lembro-me sentada à janela do Edifício na Rua Tupis onde
morava minha avó materna.
Ela uma guerreira como Edith, amiga de Cecília Meirelles e
que viajava todos os anos com as meninas maiores de 70 anos.
Minha avó tinha uma casa enorme em um bairro tradicional de
Belo Horizonte, mas naquele momento residia em um apartamento pequeno. Aposentada,
independente tinha uma máquina de costura, um fogão elétrico, mas preferia um
fogareiro, para fazer as refeições ligeiras.
Àquela hora, ela estava sentada em frente à máquina de
costura tentando agradar a neta de sete anos que era mimada pelo avô paterno.
Arrematava um vestido e queria que eu experimentasse.
Eu esperava sentada, olhando as paredes ao fundo que se
estendiam até chegar aos céus.
O cheiro forte do querosene invadia minhas narinas que se
dilatavam para reconhecer o odor as vezes estranho, outras instigante.
Foi quando eu escutei, vindo do apartamento abaixo, essa
maravilha que me fazia adulta no tempo.
Por momentos eu deixara de ser uma menina ingênua de sete
anos...
Por instantes eu me sentia uma mulher e experimentava dor e
prazer.
E eu passei as costas da mão na face para esconder as
lágrimas que escorriam na face, como agora enquanto escrevo.
Novamente um cheiro forte me vem a mente.
Uma associação um tanto estranha e sem nexo que só eu sei
onde conecta.
Uma Janela...
Uma música que escala paredes brancas até aos céus...
Uma emoção forte que se dissolve numa olência que entontece
e transporta o viajante...
E lágrimas que escorrem num tempo de criança e segredos de
mulher!
Por: Maria Tereza Penna.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGenerosidade. Uma luz que me tocou esse final de ano está abrindo portas e mostrando os caminhos das gentilezas. Feliz Ano Novo Maluma! Que seus sonhos se realizem! Muito obrigada.
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