Paixão de Cristo passou por mudanças até chegar aos globais
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José Pimentel interpretou Cristo por 18 anos em Nova
Jerusalém e implementou mudanças antes de ser substituído por globais
Arquivo Nova Jerusalém/Divulgação
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Da sua primeira apresentação dentro das muralhas da
cidade-teatro, em 1968, até os dias atuais, a Paixão de Cristo de Nova
Jerusalém passou por muitas transformações, deixando de ser uma atração local
para ganhar destaque ao redor do País. O espetáculo é hoje um exemplo de
reinvenção e sobrevivência ao teste do tempo, chegando à sua 50ª temporada, em
2017, ainda com fôlego.
Em 1951, quando Epaminodas Mendonça leu em uma revista de
variedades sobre a encenação da Paixão de Cristo nas ruas de Oberammergau, na
Alemanha, e resolveu transpor a ideia para Fazenda Nova, o município se tornou
referência na região durante a época da Semana Santa. No entanto, foi só em
1956, com a chegada de Plínio Pacheco ao Brejo da Madre de Deus, que os rumos
da encenação começaram a mudar
Genro de Mendonça, Plínio teve a ideia de construir uma cidade-teatro
que reproduzisse a Jerusalém dos tempos de Jesus. A ideia megalomaníaca deu
certo: após um hiato de 5 anos sem encenação nas ruas, a Paixão de Cristo de
Nova Jerusalém estreou no maior teatro ao ar livre do mundo.
Dificuldades, como a própria dimensão do local, que
dificultava o entendimento das falas dos atores, entre outras limitações
técnicas, que com o tempo foram sendo ajustadas até chegar ao modelo atual de
dublagem, idealizado por José Pimentel.
Diretor do espetáculo desde 1969, a partir de 1978, Pimentel
fez alterações na estrutura da peça, dinamizando-a, e passou também a
interpretar Jesus, junto a um elenco majoritariamente pernambucano, até 1996,
último ano antes do ponto de virada da Paixão: a chegada dos globais.
Percebendo a queda do número de público e a necessidade de
inovar, Plínio contratou uma consultoria que sugeriu a contratação de nomes de
peso para atrair mais gente. Amigo de Antônio Fagundes desde que o ator filmou
A Compadecida (1969), em Nova Jerusalém, Pacheco pediu a ajuda do global. Foi
então que Fábio Assunção, Silvia Pfeifer e Jackson Antunes foram contratados. O
sucesso foi estrondoso e contou com uma maciça propaganda, que deu retorno. “O
público de teatro é sempre tão minguado que, no Brasil, é preciso desses nomes
para atrair gente”, enfatiza Carlos Reis,
diretor da Paixão desde 1997.
Com a chegada dos astros televisivos, a Paixão entrou de vez
na era do show business, com forte aparato minidático. O espetáculo em si, no
entanto, manteve-se praticamente o mesmo, apenas com pequenas intervenções e
mais efeitos tecnológicos. Além de Assunção estrelaram no papel principal:
Herson Capri (1999), Luciano Szafir (2003 e 2006), Vladimir Brichta (2004),
Eriberto Leão (2005 e 2010), Carmo Dalla Vecchia (2007), Thiago Lacerda (2008 e
2011), Murilo Rosa (2009) e Igor Rickli (2015 e 2016). Apenas os pernambucanos
Marcelo Valente (2000-2002) e José Barbosa (2012-2014) quebraram essa
tendência.
“Para montar o espetáculo, gastamos, em média 5 milhões. É
uma megaprodução que se consolidou e os globais ajudam a dar esse retorno”,
explica Robinson Pacheco, que comanda o espetáculo desde a morte de Plínio.
Para 2017, quando o espetáculo comemora seu cinquentenário, a produção promete
mudanças significativas. “Queremos dar um novo passo e inovar, fazer algo
marcante”, afirmou o produtor. Tudo, no entanto, por enquanto é mantido a sete
chaves.
Por: Jornal do Commercio.

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