PMDB do Rio de Janeiro já anunciou ontem que irá votar pelo
desembarque do governo
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Temer quer garantir uma vitória expressiva na reunião do
diretório nacional do PMDB
Foto: Agência Brasil
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A oferta de cargos no governo para dividir a base aliada no
Congresso obrigou ontem o vice-presidente Michel Temer a cancelar sua viagem a
Portugal. Ele quer garantir uma vitória expressiva na reunião do diretório
nacional do PMDB, marcada para terça-feira (29), em que deve ser oficializado o
rompimento do partido com a presidente Dilma Rousseff, passo considerado
fundamental para o impeachment da petista.
Com Temer envolvido diretamente nos bastidores da
articulação, o PMDB do Rio de Janeiro já anunciou ontem que irá votar pelo
desembarque do governo. Os peemedebistas fluminenses sempre foram considerados
estratégicos para o jogo do impeachment no Congresso. O Planalto deu mostras,
contudo, que usará o poder que ainda tem para atrapalhar os planos de Temer. A
edição do Diário Oficial de ontem trouxe a demissão do presidente da Fundação
Nacional de Saúde, Antonio Henrique Pires, que é ligada ao grupo do
vice-presidente.
A troca deixa claro que o Planalto resolveu abrir mão de
negociar com os partidos para atender diretamente às demandas dos deputados,
provocando uma série de divisões em todas as bancadas. O foco do governo é o
universo de 172 votos, número mínimo necessário para impedir o impeachment.
Conforme o Estado publicou ontem, o Planalto decidiu apostar
na oferta de cargos em primeiro e segundo escalão com dois objetivos iniciais:
diminuir o impacto do provável rompimento do PMDB e evitar que esse episódio
contamine o restante dos partidos da base de sustentação no Congresso.
"Qualquer voto que eles conseguirem no PMDB é
lucro", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (BA), integrante da ala a favor
do impeachment. "Para nós, é importante aprovar o desembarque do partido
para mostrar nossa força", completou. O Planalto conta com a ajuda dos
atuais sete ministros do PMDB, que ocupam as pastas de Minas e Energia, Saúde,
Agricultura, Ciência e Tecnologia, Turismo, Aviação Civil e Portos. Por ora,
nenhum deles deseja sair do cargo.
Em reunião com a presidente anteontem à noite, eles
apresentaram o quadro atual da disputa dentro do partido e comprometeram-se a
não facilitar o rompimento liderado pelo vice-presidente. Mesmo durante o
feriado, o grupo de ministros deverá realizar ligações para integrantes dos
respectivos diretórios estaduais, no intuito de assegurar votos contra a
debandada.
Reunião
Diante das investidas da cúpula do governo, Michel Temer
decidiu na manhã de ontem não viajar para Portugal. Em Lisboa, o vice-presidente
participaria de um evento promovido pelo instituto de ensino jurídicos ligado
ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar de ter cancelado a viagem, Temer não confirmou sua
presença na reunião do diretório na terça-feira. Ele prefere não presidir o
encontro que deve beneficiá-lo. A direção dos trabalhos caberia ao primeiro
vice-presidente do partido, senador Romero Jucá (PMDB-RR), favorável ao
impeachment.
No Brasil, Temer irá atuar nos bastidores para garantir uma
vitória expressiva na reunião do diretório. O grupo do vice acredita que pode
conseguir 75% de apoio a favor do rompimento. O diretório é integrado por 119
membros, das 27 unidades da federação. No evento em Portugal, está prevista a
participação de lideranças de oposição como o presidente nacional do PSDB,
senador Aécio Neves (MG), e o senador José Serra (SP).
Por: Jornal do Commercio.

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