Para a abertura do processo de impeachment na Câmara são
necessários 2/3 do plenário
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Votação deve começar no dia 14 de abril. Foto: Antonio
Cruz/Agência Brasil
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A menos de duas semanas da data estimada para a votação do
processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara, 242
deputados afirmaram ao Estado que votariam a favor da abertura do procedimento
e 113 se posicionaram contra. Seis não quiseram se manifestar, 48 disseram
estar indecisos ou preferiam esperar a orientação partidária e 104 não foram
localizados pela reportagem.
Para a abertura do processo de impeachment na Câmara são
necessários 2/3 do plenário: 342 votos. Para arquivar o processo o governo
precisa do apoio de 171 deputados, entre votos a favor faltas e abstenções.
Entre os que querem o impeachment já se fala em estender a sessão, que deve
começar na quinta-feira, dia 14, se não houver recurso do governo, até o domingo.
O objetivo é atrair mais atenção da população.
Nos últimos quatro dias, o Estado provocou individualmente
407 deputados para que, de maneira informal e com a opção de que seus nomes
poderiam ficar em sigilo, expusessem como se posicionariam se a votação fosse
no dia da entrevista. A consulta se concentrou nos partidos que não fazem parte
do núcleo duro do governo (PT e PC do B) nem da oposição (PSDB, DEM PPS e SD).
"Uma consulta agora pode trazer a fotografia do momento, mas se as mesmas
perguntas forem feitas na semana que vem, o resultado talvez seja diferente.
Este processo será decidido às vésperas da votação", disse o deputado
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), ele mesmo declaradamente favorável ao
impeachment.
A consulta aos deputados começou na quarta-feira, dia
seguinte ao anúncio de desembarque do PMDB do governo, e se estendeu até a
tarde de ontem. Na bancada do partido do vice-presidente Michel Temer, que
conta com 68 deputados, 29 disseram que votariam pela abertura do processo, 4
revelaram ser contra, 10 afirmaram não ter posição formada e 21 não foram
localizados.
Entre os que são contra a abertura do processo do
impeachment estão o líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ) - responsável pela
negociação que resultou na nomeação dos ministros Marcelo Castro (Saúde) e
Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) -, e Zé Augusto Nalin (RJ). Dono de uma
rede de shoppings centers, Nalin era suplente de Pansera e virou deputado em
outubro passado, quando o titular assumiu a pasta.
As entrevistas foram realizadas na semana em que o governo,
nas palavras de mais de um deputado de oposição, abriu o "balcão de
negócios", oferecendo abertamente cargos e ministérios a parlamentares e
partidos em troca de votos na sessão que decidirá a abertura ou não do processo
de impeachment. Legendas que estiveram na mira do governo nesta semana, como o
PR, PP, PSD, PRB e PTN tiveram comportamentos semelhantes.
Apesar de lideranças negociarem troca de uma maior
participação no governo por apoio, o levantamento registrava alto índice de
deputados favoráveis ao impeachment. Em partidos como PP e PR, as reuniões para
definir uma posição oficial sobre o impeachment só ocorrem às vésperas da
votação.
No plenário, deputados do PTN ainda discutiam como reagir
diante das ofertas do Planalto. Ainda perto, um deputado de outra sigla nanica
reclamava que nunca antes sido convidado para cerimônia ou conversa organizada
pelo gestão Dilma.
Enquanto avançava na negociação com o governo para assumir o
Ministério da Saúde, o maior orçamento da Esplanada, deputados do PP, dono da
terceira maior bancada, declaravam que era urgente a saída da presidente.
Muitos deles disseram que não mudariam de posição caso o partido assuma o
controle de um ministério. A sigla já controla o Ministério de Integração
Nacional. Dos 35 parlamentares consultados, 20 disseram que votariam pela
abertura do processo, 8 afirmaram ser contra e 7 falaram que não tinham
definido qualquer lado.
O PR, que hoje comanda o Ministério dos Transportes, negocia
herdar a pasta de Minas e Energia, por enquanto loteada ao PMDB. O partido tem
uma bancada de 40 deputados. Dos 24 provocados, 14 disseram que vão votar sim
para o impeachment, 4 são contra e 8 preferem esperar posicionamento do
partido.
Faltas
No maleável clima do plenário em relação ao impeachment, não
são poucos os deputados que, mesmo com posição favorável ao impedimento da
presidente, avaliam que ela pode escapar do processo. "Tem um monte de
gente dizendo que não vem no dia da votação para não ficar mal com ninguém",
disse o deputado Adalberto Cavalcanti (PTB-PE). "O melhor é vazar",
respondeu quando questionado sobre sua posição com relação ao impeachment.
"Vamos monitorar aquela dor de barriga estratégica
daqueles que pretendem faltar no dia da votação e justificar com aquele
atestado amigo de que estava doente", disse o deputado Major Olímpio
(SD-SP). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Por: Diario de Pernambuco.

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