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As propostas de mudanças curriculares lideram os projetos
analisados, que são 138Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O setor de educação tem pelo menos 922 projetos de lei em
tramitação no Congresso Nacional, apenas para mudanças referentes a escolas, do
ensino infantil ao ensino médio. O levantamento foi feito pelo movimento Todos
pela Educação e incluiu os projetos propostos nos últimos dez anos, desde 2006.
Mudanças no currículo e financiamento lideram os temas abordados.
"Nos últimos anos, houve uma movimentação muito
intensa, uma demanda da sociedade por políticas melhores e leis melhores
relativas à educação. O Parlamento enxergou que se envolver em educação tem um
apelo eleitoral", analisa a presidenta executiva do Todos Pela Educação,
Priscila Cruz. "Viram que educação facilita ou cria e melhora a imagem
para a eleição".
As propostas de mudanças curriculares lideram os projetos
analisados, que são 138. A intenção é a inclusão de disciplinas e conteúdos.
Entre os assuntos que os parlamentares acreditam que devem ser abordados em sala
de aula estão: envelhecimento; educação no trânsito; cidadania; ética e moral,
ciência política; noções de direito; prevenção de drogas; esperanto (idioma
universal); educação alimentar; educação ambiental; empreendedorismo e educação
financeira; Língua Brasileira de Sinais (Libras); cultura de paz; pedagogia e
segurança.
"Não é competência do Congresso Nacional legislar sobre
isso. Demandaria um pensamento mais estruturado", diz Priscila Cruz, que
explica que a inclusão de disciplinas no currículo não é competência do
Legislativo, mas do Conselho Nacional de Educação (CNE). Atualmente, está em
dicussão a Base Nacional Comum Curricular, que definirá o que deve ser ensinado
em cada etapa de ensino. Após consulta pública, a segunda versão do documento
está sendo discutida em seminários estaduais e municipais.
Além dos projetos ligados ao currículo, há 113 propostas de
financiamento. De acordo com o levantamento, o destaque é o grande número de
projetos que tentam ampliar o financiamento para a educação nos municípios ou
normatizar estratégias que, em última análise, permitem que as prefeituras
driblem as atuais imposições orçamentárias.
Há ainda 98 projetos voltados aos professores, que tratam
tanto da formação quanto do piso salarial - que aparece em 20 matérias. Os
demais tratam de isenção fiscal e impostos com serviços de educação (52),
infraestrutura (49), saúde (48), transporte escolar (42), acesso, escolarização
e matrícula (38), educação inclusiva e educação especial (37) e outros temas,
como diversidade, gênero, liberdade religiosa e cultura de paz (20).
Para o presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação,
deputado Alex Canziani (PTB-PR), a grande quantidade de matérias que tratam de
educação mostra o interesse dos parlamentares no assunto. "Cada deputado
tem a possibilidade de apresentar as mais variadas ideias que acredita
necessárias à educação. Existe, no entanto, um filtro nas comissões de
Educação, como existe em outras, há o veto do presidente, então não
necessariamente os projetos viram leis", diz.
Em relação às matérias que tratam do currículo, o deputado
explica que nas comissões de Educação, tanto na Câmara quanto no Senado, é
praxe arquivar as matérias que tratam da inclusão de novas disciplinas.
"Não há como colocar mais matérias [no currículo], ainda mais do ensino
médio". Atualmente, a etapa que vai do 1º ao 3º ano do ensino médio conta
com 13 disciplinas obrigatórias.
O levantamento considerou os projetos de lei (PL), projetos
de lei complementar (PLC), as propostas de emenda à Constituição (PEC) e os
projetos de decreto legislativo (PDC). As matérias legislativas foram
consultadas nos sites da Câmara dos Deputados e no Senado, por meio dos
mecanismos de busca neles oferecidos. Foram consultados os 2.552 resultados de
busca pela palavra “educação" e separados os que têm relevância para a
educação básica.
Por: Agência Brasil.

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