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| Foto: Reprodução/Internet. |
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) lançou
hoje (15), na capital paulista, o Cá Entre Nós, um grupo reflexivo e educativo
para homens envolvidos em situação de violência doméstica e familiar. O projeto
foi elaborado pelo Foro Regional do Butantã e pelo Foro Regional de Santo
Amaro, ambos com varas especializadas no tema. Os selecionados fazem parte de
um grupo com 16 homens que participam de 12 encontros semanais, de duas horas,
nos quais são abordados temas como a forma pacífica para resolver conflitos,
sexualidade, tipos de violência, e
construção cultural e histórica de gênero.
De acordo com a juíza do Foro Regional do Butantã, Tatiane
Moreira Lima, o objetivo é estimular relações igualitárias entre homens e
mulheres. A necessidade de chamar os homens para o grupo nasceu de uma
reclamação recorrente entre as 500 mulheres vítimas de violência doméstica
atendidas do Foro.
“Elas reclamavam que tinham que ir à delegacia, depois ao
Instituto Médico Legal, ao fórum e o homem que praticava a violência ficava em
casa, aguardando a audiência que ocorria anos depois. Sentimos necessidade de
chamar esses homens para que eles repensassem seus atos, pudessem tentar
resolver os conflitos de outra forma e também tivessem seu espaço de fala”.
Tatiane destacou que a reflexão é importante, porque muitas
das mulheres que são agredidas conseguem romper com os agressores que, em
seguida, constroem outros relacionamentos e famílias e acabam repetindo as
agressões nesse novo núcleo. “Ao chamar o agressor para que ele possa repensar
seus atos, estamos trabalhando a família como um todo, evitando que em novas
relações ele pratique esses atos”.
Os participantes são selecionados por responderem a
processos judiciais ou inquéritos policiais na Vara da Violência. Para ser
selecionado o homem precisa ser primário (não ter respondido a nenhum processo
anterior) nos crimes de agressão ou ameaça. “Eles foram convidados para uma
entrevista longa, na qual puderam expor seus pontos de vista e contar sua vida.
O grupo é conduzido por psicólogos e assistentes sociais. É um encontro, uma
nova forma de pensar, agir e conversar com as pessoas sobre essas questões.”
Assim como há uma entrevista inicial, ao final dos encontros
há uma conversa na qual é feita uma avaliação dos resultados e de mudança de
atitude. “Também pretendemos chamar essas mulheres, sendo elas vítimas ou não,
para que nos digam se houve mudança de comportamento. Ao aceitar participar,
eles já demonstram que querem mudar”.
Segundo ela, muitas vezes os agressores atribuem a agressão
a fatores externos como estresse, álcool, drogas, problemas no trabalho. “Na
verdade, não é nada disso. É a violência que está dentro deles, e que eles
externam na mulher. Na maioria das vezes, da porta para fora, são ótimas
pessoas, mas ao fechar a porta, a mulher acaba sendo a válvula de escape dessa
violência contida dentro dele”.
Ao final do primeiro grupo, que já está se reunindo desde a
semana passada, o TJSP fará a avaliação e decidirá se continuará o projeto, com
outros 16 homens em um novo grupo.
Por: Agência Brasil.

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