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Situação do abastecimento de vacinas deve estar normalizada
até o fim de 2017Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O desabastecimento de vacinas no Sistema Único de Saúde
(SUS) deve ser superado até o final de 2017, segundo a coordenadora do Programa
Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues. Ela disse
ainda que o problema é de produção e não há nenhuma influência da crise
econômica. As informações foram dadas durante a 18ª Jornada Nacional de
Imunizações, que reúne médicos e outros especialistas em Belo Horizonte entre
ontem (29) e sábado (1º).
Carla Domingues explica que diversos laboratórios públicos
nacionais, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), estão passando por um processo de adequação desde 2014 para receberem
o certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPF). Espera-se que todos eles
estejam em condição de obter a certificação no fim deste ano e possam, dessa
forma, retomar a produção. Se correr como planejado pelo Ministério da Saúde, a
situação deverá estar totalmente normalizada até o fim de 2017.
O principal problema é com a BCG, que previne contra a
tuberculose e é aplicada em recém-nascidos. Também há dificuldades com a vacina
contra a raiva e com os soros. Diferente das vacinas, que estimulam o corpo do
paciente a criar anticorpos, os soros são compostos de anticorpos previamente
produzidos em outro organismo. "Ainda vamos viver um ano com necessidade
de otimização. Por isso, é muito importante a prescrição adequada de soros e
vacinas para que sejam destinadas exatamente para quem precisa", diz
Carla.
A ausência dessas vacinas produzidas em solo nacional não é
total, embora a distribuição aos estados esteja muito aquém dos quantitativos
de uso mensal, mas a situação é pior para as que são produzidas no exterior. A
vacina contra hepatite A e a DPTa, que protege contra difteria, tétano e
coqueluche, estão com 100% de desbastecimento. Esses dois imunizantes não são
destinados a toda a rede pública e sim para os centros de Referência em
Imunológicos Especiais (CRIEs), que atendem pacientes com problemas de saúde
específicos, como alérgicos, imunodeprimidos, infectados por HIV, pessoas que
realizam tratamento de quimioterapia ou radiação, entre outros.
Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações,
a produção da vacinas no exterior também enfrenta problemas e o fornecimento ao
mercado internacional foi afetado. "Estamos falando de um material
biológico em que os processos produtivos são sujeitos a instabilidades. Em um
momento pode produzir mais, em outra hora menos. O produto também passa por um rigoroso
controle de qualidade e se tiver alguma contaminação, tem que ser
desprezado", disse.
Crise econômica
Carla Domingues descarta que a crise econômica brasileira
esteja entre os fatores responsáveis pelo desabastecimento. O problema seria
exclusivo de produção nacional e internacional. "Desde 2013, temos uma lei
que estabelece a obrigatoriedade do Programa Nacional de Imunizações. Mesmo se
houver um contingenciamento no orçamento do Ministério da Saúde ou do Governo
Federal, os investimentos nas vacinas não podem sofrer cortes".
Por: Agência Brasil.

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