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Ex-presidente Lula abre o 2º Congresso da Industriall Global
Union, organização internacional de centrais sindicais, na Barra da
TijucaFernando Frazão/Agência Brasil
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O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva
minimizou a derrota do PT em diversas cidades do país e que resultou em um
encolhimento político do partido. Segundo ele, o resultado é próprio da
democracia, que prevê alternância de poder.
“Uma eleição você ganha, outra você perde. Democracia é
isso. Se tivesse escrito que o PT não pudesse perder nunca, eu não ia criar um
partido político. É uma disputa. Quem perdeu em 2012, ganhou agora. Quem ganhou
agora pode perder em 2018. Essa é a beleza da democracia. É a alternância de poder.
A troca de pessoas que governam”, disse Lula.
O ex-presidente participou, na noite dessa terça-feira (4),
do 2º Encontro da Industriall Global Union, um encontro internacional que
reuniu cerca de 1.500 sindicalistas, de 101 países, no Rio. Ao final do
encontro, Lula falou com os jornalistas e comentou também a iniciativa de se
fazer reforma na Previdência neste momento.
“Toda vez que tem uma crise econômica, as pessoas
conservadoras que dirigem o país começam a falar em corte, em perda de direito,
em reforma da aposentadoria. Nunca se fala em reforma da aposentadoria quando a
economia está crescendo. Somente quando está em crise se fala nisso, como se
fosse a aposentadoria a culpa da crise.”
Para o ex-presidente, não é justo equiparar as idades de
aposentadoria de homens e mulheres. “Passar para 65 anos, igualando mulher e
homem, é esquecer que a mulher às vezes tem tripla jornada de trabalho”.
Teto dos gastos públicos
Lula criticou a possibilidade de votação da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos públicos nos próximos 20
anos, inclusive em áreas como educação e saúde. “Eu acho que o movimento
sindical vai ter uma briga muito séria, porque a PEC 241, que congela
investimentos em saúde e educação, é uma coisa seríssima. Porque não é possível
melhorar a educação e a saúde sem investimentos.”
Sobre as reformas na legislação trabalhista, Lula disse que
algumas coisas podem ser mudadas, mas outras devem permanecer como estão para
proteger o trabalhador. “É preciso adequar e modernizar aquilo que já está
superado na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], porque ela é de 1943. Pode
ter coisa que precisa ser atualizada. O que não se pode prescindir é da
proteção que a CLT dá aos chamados setores mais fragilizados do mundo do
trabalho, os sindicatos mais fracos, mais pobres. Ela tem que ser mantida.”
Lula se mostrou contrário à privatização de empresas
públicas e disse que isto é um problema que deveria incomodar o país. “Deve
incomodar ao Brasil. Um governo que acha que só vai resolver os problemas
vendendo o que tem é como o marido que fica desempregado e a primeira coisa que
faz, ao invés de procurar outro emprego, é propor à mulher vender a cama,
vender a geladeira, a televisão.”
O 2º Encontro da Industriall Global Union, que este ano tem
como tema “A Luta Continua”, prossegue até sexta-feira (7), discutindo os
impactos tecnológicos e políticos da modernidade sobre o sindicalismo e o
trabalho.
Por: Agência Brasil.

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