A Aspa - Associação Pernambucana de Atacadistas e
Distribuidores - recebeu no mês de fevereiro o juiz federal do Trabalho, Marlos
Augusto Melek, do TRT da 9ª Região, para uma palestra sobre como minimizar o
impacto do risco trabalhista nos negócios. O magistrado deu dicas importantes
sobre o entendimento da legislação, que considera retrógrada e complexa e que
termina causando insegurança jurídica aos empregadores. “A legislação
trabalhista brasileira deveria abrir as portas para o empreendedorismo. Mas, na
verdade, é uma ameaça camuflada para o investidor, pois se apresenta como uma
grande teia, com um emaranhado enorme de normas, onde uma mesma atividade é
regida muitas vezes por leis específicas diferentes, como é o caso do motorista
de caminhão”, disse ele.
Melek é
autor do livro “Trabalhista! E agora? Onde as empresas mais erram”, obra
voltada especialmente para orientar a classe empresarial a fim de reduzir
condenações na Justiça do Trabalho para os empregadores. O livro está entre os
cinco mais vendidos no Brasil na área de administração e negócios e nele o juiz
propõe – numa linguagem clara e sem “juridiquês” – ajudar não só o empresário,
mas também o trabalhador, a entender melhor tudo o que envolve a Justiça
Trabalhista.
“Além
de uma leitura com objetivo de prevenção de riscos, o livro também tem diversos
modelos e exemplos para permanente consulta, sem citar sequer uma lei, artigo
ou súmula”, afirmou Melek. A obra contém mais de 30 capítulos, cada um com
temas relevantes do dia a dia do Direito do Trabalho vivo nas empresas e nas
salas de audiência do Poder Judiciário. “São situações comuns, que geram
dúvidas e também reclamações, e que se somam às inúmeras causas trabalhistas em
andamento na Justiça brasileira”.
Compensação
de horas extras, função de confiança e assédio moral são alguns dos temas
tratados no livro e que foram levantados na palestra pelo juiz, entre outras
questões trabalhistas abordadas, visando orientar os atacadistas distribuidores
de Pernambuco. Melek criticou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que
surgiu pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, sancionada pelo então
presidente Getúlio Vargas, unificando toda legislação trabalhista existente no
Brasil. “A CLT já tem mais de 70 anos e, mesmo já tendo sofrido diversas
mudanças, continua ultrapassada para o mercado de trabalho atual”.
O juiz
defende a criação de uma nova lei que considere três grandes princípios:
simplificação das normas; liberdade, com menos interferência do estado
brasileiro e, por último, segurança jurídica. Vale salientar que Marlos Melek
integra um grupo que vai tratar da nova lei trabalhista do Brasil. Segundo o magistrado,
a nova legislação – que ele denomina de Estatuto Brasileiro do Trabalho – será
mais moderna e deve começar a ser produzida em breve.
Esta é
a primeira vez que um juiz é convidado a participar de um grupo de trabalho
convocado pelo Palácio do Planalto. “A ideia inicial é a de entregarmos ao
presidente Michel Temer uma carta de intenções para a alteração da lei
trabalhista do Brasil”, afirmou Melek, que é paranaense e também assumiu
recentemente o cargo de juiz auxiliar da presidência do Tribunal Superior do
Trabalho, atendendo à convocação do ministro presidente do TST, Ives Gandra
Filho.
O
palestrante ressaltou que a lei trabalhista no país, pelo anacronismo vigente,
necessita ser reformada com urgência. “O artigo 72 da CLT fala em datilografia.
Pergunte para uma criança se ela sabe o que é datilografia. Ela certamente não
sabe, pois hoje as crianças usam tablets e smartphones. Os tempos atuais são
outros e precisamos modernizar uma série de aspectos da relação
capital-trabalho. O Brasil necessita de uma nova normatização e, para isso,
contamos com a participação e o apoio de empresários e também dos trabalhadores
para que possamos promover uma legislação mais serena e equilibrada, que
proporcione segurança jurídica e que incentive o empreendedorismo e a geração
de emprego”.
Para o
presidente da Aspa, José Luiz Torres, o empresariado brasileiro há muito tempo
anseia por uma nova legislação. “Entendemos tratar-se de uma reforma que vai
trazer a modernização de que a lei trabalhista necessita, o que será bom para
movimentar a economia do país. Uma mudança que certamente impulsionará
investimentos de capital nacional e estrangeiro e dará o incentivo necessário
para o surgimento de novos negócios, aumentando a oferta de trabalho e renda no
Brasil”.
Por: Carlos Enrique, Assessor de Comunicação da ASPA.
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