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| Foto: Internet. |
A reforma trabalhista proposta pelo governo federal leva à
necessidade de revisão do modelo sindical brasileiro, afirmaram advogados que
participaram de audiência pública
promovida hoje (10), na capital paulista, pela Ordem dos Advogados do Brasil de
São Paulo (OAB-SP). “Uma revisão da legislação teria que passar pela revisão do
modelo sindical que temos”, disse o presidente do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região, desembargador Wilson Fernandes.
“Entendo que os sindicatos brasileiros, organização sindical
brasileira, não estão maduros para enfrentar essa nova realidade que o PL
[Projeto de Lei] 6787 propõe”, afirmou, sobre problemas que podem ser
enfrentados, uma vez que um dos pontos centrais da reforma é dar mais peso às
negociações com trabalhadores e empresas.
Convenção 87
O professor de direito trabalhista da Universidade de São
Paulo, Otávio Pinto e Silva, defendeu que o Brasil ratifique a Convenção 87 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT). A norma prevê a liberdade de
associação sindical, o que deixaria de lado várias normas em vigor atualmente.
“Deve ser garantido aos grupos de trabalhadores ou de empresários o direito de
criar livremente suas entidades sindicais, sem a sujeição de atos de ingerência
do Poder Público”, destacou.
Entre as mudanças que poderiam ser feitas – se o modelo
proposto fosse adotado – seria a criação de entidades sindicais por outros
critérios, que não somente a mesma categoria profissional, e o fim da
necessidade de que os sindicatos tenham representatividade em ao menos um
município. Poderiam ser criadas, por exemplo, organizações que associassem
apenas os trabalhadores de uma determinada empresa. “A Convenção 87 é o padrão
internacional. Por que o Brasil vai ficar fora do padrão internacional?”,
indagou..
Uma das razões para mudanças, segundo o professor, é a baixa
representatividade dos sindicatos, apesar do número expressivo de agremiações.
Ele citou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que apontam
que, no Brasil, 16% dos trabalhadores são sindicalizados.
Para o professor, é preciso dar garantias contra práticas
antissindicais e persecutórias por parte das empresas e acabar com a
contribuição obrigatória para manutenção das entidades. “A contribuição
compulsória é, sem dúvida nenhuma, um dos motivos que levam a essa proliferação
de sindicatos no Brasil, a disputa pelo direito de arrecadar a contribuição
sindical compulsória”, ressaltou.
Sindicatos
O assessor do Ministério do Trabalho Admilson Moreira disse
acreditar que o sindicalismo brasileiro está pronto para lidar com as mudanças.
“Estamos hoje em condições de dar um passo adiante e conferir às centrais
sindicais esse poder de negociação, livremente autônomo, nesses 13 pontos”,
afirmou, durante sua explanação. Moreira participou da audiência como
representante do ministro Ronaldo Nogueira
O projeto de lei em tramitação no Congresso estabelece,
entre outras medidas, que os acordos ou convenções coletivas terão força de lei
em determinadas situações. Entre elas, estão o parcelamento das férias em até
três vezes, a compensação da jornada de trabalho, os intervalos de
intrajornada, o plano de cargos e salários, banco de horas e trabalho remoto.
Ao citar dados da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico ou Econômico (OCDE), Moreira negou que a representatividade
dos sindicatos brasileiros seja baixa. Segundo o assessor do ministério, na
Itália as entidades representam 36% dos empregados e no Reino Unido, 24%. Na
Alemanha, Espanha, Portugal e Grécia o índice é, de 18% e na França, de 7%,
informou.
Por: Agência Brasil.

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