A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou hoje (19) no
país a Ação Global para Prevenir e Combater o Tráfico de Pessoas e o
Contrabando de Migrantes (GLO.ACT). Treze países da África, Ásia, Leste europeu
e América Latina, incluindo o Brasil, participam do projeto de combate a esse
tipo de crime, seja tráfico para fins laborais ou sexuais. O objetivo é
garantir a adoção de uma abordagem dupla de prevenção e proteção.
A iniciativa é da União Europeia (UE) e do Escritório das
Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Unodc), em parceria com a Organização
Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a
Infância (Unicef).
A GLO.ACT é uma resposta coordenada ao tráfico de pessoas e
ao contrabando de migrantes e visa reforçar a resposta da justiça penal nos
países estrategicamente selecionados: Bielorrússia, Brasil, Colômbia, Egito,
Quirguistão, Mali, Marrocos, Nepal, Nigéria, Paquistão, Laos e Ucrânia. A
organização estima que existam mais de 500 rotas de tráfico de pessoas em todo
o mundo.
Segundo a analista de programa do Unodc, Fernanda Fuentes,
existem várias formas de tráfico e contrabando de pessoas no Brasil. “Quando
falamos sobre exploração sexual isso se nota mais, por exemplo, em Goiás, Minas
Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Se tem identificado também casos de
crianças usadas como mulas no norte do país. As fronteiras secas, como são
menos controladas, é onde uma organização criminal pode operar livremente”,
disse.
Fernanda ressaltou, entretanto, que o Brasil é líder na
região no trabalho pela erradicação do trabalho escravo.
Além da assistência dada às autoridades governamentais, a
iniciativa do Unodc e da UE também beneficiará diretamente as organizações da
sociedade civil, bem como atenderá vítimas de tráfico e contrabando de migrantes.
As ações vão desde o desenvolvimento de políticas públicas, assistência
legislativa, cooperação entre os países, proteção e assistência às vítimas
traficadas até apoio às crianças, que formam, junto com as mulheres, a maior
parcela de traficados no mundo.
No Brasil, secretário Nacional de Justiça e Cidadania, do
Ministério da Justiça e Segurança Pública, Astério dos Santos, revelou que não
existem números precisos sobre estas práticas, mas afirmou que o país está
atento a esse crime, principalmente no cenário de grande migração de
venezuelanos para o norte do país.
“Devido ao nosso vasto território, muitas das pessoas migram
e até retornam e não existe esse controle”, disse, contando que esses aspectos
também serão abordados na nova lei de imigração, aprovada ontem (18) no Senado.
A lei seguirá agora para sanção do presidente Michel Temer.
Por: Agência Brasil.

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