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| Foto: Internet. |
Um método simplificado de ligação de casas à rede de esgoto
está ampliando o acesso da população de municípios de Pernambuco ao saneamento
básico e despoluindo rios nas proximidades. O chamado saneamento condominial é
considerado mais barato e mais simples de implantar do que o método
convencional.
Um milhão de moradores da Bacia do Rio Ipojuca serão
beneficiadas por esse método inovador, que está em implantação em 25 cidades.
Em Tacaimbó, por exemplo, o saneamento condominial está em fase de
pré-operação. Localizada a 170 quilômetros de Recife, a cidade tem 8 mil
habitantes e é considerada a mais pobre da região.
Segundo o gerente do Projeto de Saneamento Ambiental de
Ipojuca (PSA Ipojuca), Sérgio Murilo Guimarães, 2,4 mil casas estão ligadas ao
sistema de tratamento, o que gerou impactos positivos praticamente imediatos.
“O esgoto foi retirado da calha do Rio Ipojuca. Por conta de
o rio estar seco, somente havia esgoto lá. Quando as casas foram conectadas à
estação de tratamento, acabou o mau cheiro e os criadouros de muriçocas e de
ratos e houve um ganho ambiental, pois o rio passa a ser despoluído. [Há]
também um ganho na saúde,” diz Guimarães.
O PSA Ipojuca é feito pela Companhia Pernambucana de
Saneamento Ambiental (Compesa) com recursos do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID). Técnicos da companhia fizeram capacitação durante esta
semana para conhecer mais sobre a metodologia.
Criação brasileira
O saneamento condominial foi criado por um brasileiro: o engenheiro
civil pernambucano José Carlos Rodrigues de Melo. A metodologia foi exportada
para vários países, como Paraguai e Peru, e continua em expansão no Brasil e no
exterior. O curso foi ministrado pelo consórcio Condominium/Diagonal, da qual
José Carlos faz parte.
Segundo Guimarães, a diferença entre esse método e o
convencional é que é possível usar tubulações mais finas, instaladas pela
calçada das casas e em pouca profundidade. No caso das cidades da Bacia do Rio
Ipojuca, o saneamento condominial é também adequado devido às características
do solo, formado por rocha rasa.
“É uma experiência inovadora trabalhar no universo das
bacias hidrográficas. Antes, o saneamento ambiental era tratado das cidades
maiores para as cidades menores, e isso não nos permitia ver a melhora nas
bacias dos rios”, diz Guimarães.
Estima-se que o uso da metodologia condominial reduz os
custos em 40%, se comparado com a forma convencional, que requer tubulações
maiores e instaladas em valas profundas. O financiamento dos projetos envolve
também a ligação das casas à rede externa. No convencional, cada residência se
responsabiliza por essa ligação.
Segundo Guimarães, há situações de famílias que não têm
condições financeiras de custear o investimento e outras que negligenciam a
obra e continuam com ligações clandestinas.
Para o gerente do PSA Ipojuca, o saneamento condominial é um
caminho para a universalização da rede de esgoto. Em Pernambuco, a meta do
governo do estado é que isso aconteça em 20 anos. Atualmente, o estado tem
cobertura de rede de esgoto em 30% dos municípios.
“O Nordeste vive uma boa experiência na implantação de
sistemas de esgoto a partir de recursos do governo federal e de organismos
internacionais, aliado a obras de infraestrutura hídrica, como a transposição
do Rio São Francisco e técnicas de reúso e redução de perdas”, diz Guimarães.
Por: Agência Brasil.

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