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José Nivaldo Junior - Publicitário e historiador da
Academia Pernambucana de Letras.
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Nos momentos difíceis da crise institucional que o País
atravessa, grupos equivocados ou oportunistas dos diversos matizes ideológicos
correm para pregar possíveis saídas ou imaginárias soluções à margem das regras
constitucionais. Sempre, naturalmente, à conveniência dos seus interesses
escusos ou convicções mal interpretadas.
As propostas mais visíveis e barulhentas ressuscitam um
conflito histórico dos anos 80 do século XX, que opôs a manutenção da
intervenção militar, ou seja, a continuidade da ditadura, à realização de eleições
diretas. Já.
Karl Marx dizia que a história acontece como tragédia e se
repete como farsa. Se tinha razão o grande pensador, estamos assistindo a uma
grotesca e desbalanceada farsa.
Grotesca, porque totalmente fora do contexto original,
aplicada a uma realidade absolutamente diversa.
Desbalanceada porque só pode favorecer as forças sombrias do
obscurantismo, representadas pelas viúvas, filhotes e netinhos da funesta
ditadura militar implantada em 1964.
Pessoas de passado respeitável e presente comprometido com
causas generosas e transformadoras, saem berrando em defesa de eleições diretas
antecipadas, sem perceber que as forças realmente progressistas não têm nada a
ganhar com soluções que, mesmo legais, teriam o carimbo comprometedor do
casuísmo. Isso só acabaria por dar razão e abrir espaço para aqueles que, muito
antigamente, eram chamados "vivandeiras dos quartéis". Uma posição
tão atrasada e fora de rumo que não encontra guarida ou sequer provoca
manifestações de simpatias nas forças armadas da ativa.
Felizmente para a democracia nenhuma dessas linhas
triunfará. A Constituição brasileira que, nunca é demais repetir, precisa ser
aprimorada em muitos pontos, é solida e flexível
o suficiente para pautar a solução necessária, qualquer que
seja o encaminhamento do processo político.
Nenhuma saída responsável para a crise pode abrir mão da
mais estrita legalidade constitucional. Tudo o que está acontecendo no país se
dá nos limites democráticos, não ameaçando mas, pelo contrário, fortalecendo a
convicção de que a democracia, consolidada historicamente, e citando Marx mais
uma vez, só permite que aconteçam problemas que ela própria pode resolver.
Deixemos, pois, que as instituições funcionem, com os seus
erros e os seus acertos, mas prezando os valores maiores da democracia e da
liberdade.
Essa é a grande contribuição que os atores do atual processo
histórico poderão dar à construção do futuro que a nação quer, precisa e pode
alcançar.
Por José Nivaldo Junior - Publicitário e historiador
da
Academia Pernambucana de Letras.

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