Proposta já passou por uma consulta pública e está em etapa final do processo de regulamentação. Hoje, só clínicas de vacinação podem oferecer o serviço fora do SUS.
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Nova resolução em análise deve permitir a aplicação de
vacinas em farmácias (Foto: Fred TANNEAU / AFP)
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Uma nova resolução que trata dos requisitos mínimos para
serviços de vacinação no país está em fase de análise pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) e, caso seja aprovada, permitirá que farmácias apliquem
vacinas. Atualmente, somente clínicas de vacinação, que têm um médico como
responsável técnico, estão autorizadas a oferecer o serviço fora do sistema
público de saúde.
Entidades que representam os farmacêuticos defendem que a
medida ampliará o acesso da população às vacinas. Já entidades médicas
expressam temor de que a nova resolução possa reduzir as exigências atualmente
aplicadas aos serviços de vacinação, o que acarretaria risco para a população.
A proposta já passou por uma consulta pública, em maio, e
agora está na última etapa do processo de regulamentação antes da decisão
final. O texto submetido à consulta não menciona as farmácias especificamente,
mas abre essa possibilidade ao não limitar o serviço de aplicação de vacinas às
clínicas. A regra estabelece como deve ser a estrutura física do
estabelecimento que aplicará a vacina e determina que as vacinas que não estão
contempladas pelo Programa Nacional de Vacinação do SUS somente poderão ser
aplicadas mediante prescrição médica.
Em nota enviada ao G1, a Anvisa observa que a aplicação de
vacinas em farmácias já estava prevista desde 2014, por meio da Lei
13.021/2014, que dispõe sobre os exercícios das atividades farmacêuticas.
Porém, até hoje, a atividade não era colocada em prática por falta de um
regulamento que tratasse do assunto.
Vacinas mais baratas
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) afirmou, em nota, que a
expectativa é que a Anvisa publique em breve a resolução “de forma a finalmente
permitir a ampla participação das farmácias e dos farmacêuticos nessa
importante ação de saúde pública”.
Na opinião do presidente da entidade, Walter da Silva Jorge
João, a nova regra garantirá mais qualidade ao serviço – já que os
farmacêuticos seriam profissionais habilitados por lei para a dispensação de
imunobiológicos – e preços mais baixos. “Hoje, as clínicas especializadas
chegam a cobrar preços 300% superiores aos dos insumos. Uma margem de ganho
altíssima, regulada pela exclusividade de que as mesmas usufruem”, afirma.
Para o farmacêutico clínico Ismael Rosa, pesquisador do
Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), a capilaridade das
farmácias deve contribuir para aumentar os índices de imunização no país.
“Encontramos uma farmácia em cada esquina, então isso vai contribuir para
atingir as metas de vacinação.” Um levantamento feito pelo ICTQ, com base em
2.061 entrevistas em todo o país, concluiu que 25% dos brasileiros afirmam que
buscam ou desejam encontrar o serviço de vacinação nas farmácias.
Risco sanitário
Já o presidente da Associação Brasileira de Clínicas de
Vacinas (ABCVAC), Geraldo José Barbosa, considera que permitir a aplicação de
vacinas em farmácias representa um risco sanitário: “Quem vai dar os primeiros
socorros em caso de choque anafilático em uma farmácia?”
Ele também questiona se a atual estrutura de vigilância em
saúde será suficiente para fiscalizar a segurança da aplicação de vacinas nas
farmácias. “Hoje, por existir um número menor de clínicas, há um controle muito
grande por parte do Ministério da Saúde. A partir do momento em que isso se
amplia, há risco de perder esse controle.”
Na avaliação da médica Isabella Ballalai, presidente da
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o texto da proposta reduziu os
critérios de exigência em relação ao serviço de vacinação existente no que diz
respeito à estrutura física do local da vacinação – que não prevê a existência
de uma maca, por exemplo – e também quanto à abolição do médico do serviço.
“É importante ter um médico para atender a eventos adversos.
É raro que ocorram na hora, mas as pessoas voltam às clínicas por algumas
situações e precisam que um médico habilitado e conhecedor das vacinas possa
avaliar”, diz a especialista.
Ela destaca que o Brasil é um exemplo mundial no que diz
respeito às imunizações. "Esse movimento todo [de permitir a aplicação de
vacinas em farmácias] se baseia em políticas adotadas fora do Brasil e nós
somos melhores do que Estados Unidos e Europa. Não é possível que, em uma das
únicas coisas que fazemos melhor, vamos pegar o exemplo deles."
A Anvisa afirma que, para elaborar o texto da proposta de
resolução, ouviu diversos interlocutores, especialmente o Ministério da Saúde.
“Destaca-se que o regulamento proposto estabelece requisitos mínimos para
prevenção de riscos à saúde, tendo em vista uniformizar as exigências para
todos os estabelecimentos que oferecem o serviço e orientar aqueles que não têm
tradição neste tipo de atividade, como é o caso de farmácias e drogarias”,
informou a Anvisa.
Por: Bem Estar.

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