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| Estudo mostra necessidade de reformulação do Fies (Crédito/Divulgação). |
Um estudo do Tesouro Nacional e da Secretaria de
Acompanhamento Econômico (SAE) divulgado hoje (6) revela que o impacto fiscal
do Financiamento Estudantil (Fies) saltou de R$ 1,8 bilhão, em 2010, para R$ 32
bilhões em 2016. A inadimplência chegou a 46,5% quando se consideram contratos
com parcela em atraso de pelo menos um dia, em relação ao total. Segundo o
Ministério da Fazenda, a reformulação do programa, apresentada hoje pelo
governo, foi necessária para garantir a continuidade dele.
De acordo com o estudo, o modelo atual do Fies apresenta
fragilidades de risco de crédito, subsídio implícito e de governança. “O programa
foi reformulado para reduzir o impacto fiscal, diminuir a inadimplência e
melhorar a governança”, diz o ministério.
Uma das medidas anunciadas hoje para reduzir o risco do
financiamento é a criação de um fundo garantidor com participação maior das instituições
de ensino superior. O fundo terá aporte de R$ 2 bilhões e vai cobrir o risco de
crédito, antes concentrado na União.
A contribuição das entidades, atualmente em 6,5%, passará a
ser de 13% do valor do financiamento. O percentual vai variar de acordo com a
qualidade de crédito, ou seja, se a inadimplência saltar, a instituição terá
que aumentar o aporte para cobrir o risco. Se a inadimplência cair, o mesmo
acontecerá com o aporte.
Ineficaz
O estudo ressalta que, apesar de um forte aumento no número
de matrículas por meio do Fies desde 2010, o financiamento não tem sido eficaz
para o cumprimento da meta do Plano Nacional da Educação, que prevê que 33% da
população entre 18 e 24 anos esteja na universidade até 2024. Isso porque o
número de financiamentos concedidos pelo Fies ultrapassou o total de novas
matrículas no segmento privado, o que significa que parte dos alunos já
matriculados em faculdades privadas passaram a ser financiados pelo programa.
“A forte elevação de financiamentos do Fies contribuiu aquém
do esperado na expansão das novas matrículas do ensino superior, quando se
observam os novos financiamentos concedidos no período”, diz o documento. O
estudo diz também que os alunos não fazem o controle adequado sobre os
reajustes de mensalidades e sobre o desconto a que teriam direito na
universidade. Isso acontece porque, muitas vezes, os alunos consideram o Fies
um empréstimo a fundo perdido.
Mudanças
A partir do ano que vem, os estudantes universitários que
financiarem o pagamento das mensalidades de faculdades privadas por meio do
Fies vão começar a pagar o empréstimo assim que tiverem renda formal, após
deixar a faculdade. A amortização poderá ser feita mediante pagamento retido na
fonte, como é o caso, por exemplo, do Imposto de Renda e de contribuições
sociais.
O prazo de carência de 18 meses deixa de existir para novos
contratos, e o aluno deverá começar a quitar o financiamento assim que concluir
o curso superior. Estudantes com renda familiar inferior a três salários
mínimos per capita poderão ter o contrato de financiamento corrigido apenas
pela inflação, com juro real zero. Atualmente, a taxa de juros do programa está
fixada em 6,5% ao ano.
Também foi criada uma modalidade do Fies operada por bancos
públicos e privados, para atender a estudantes com renda familiar de até cinco
salários mínimos per capita. Nesse caso, o banco terá acesso a recursos
públicos dos fundos regionais de desenvolvimento e de fundos constitucionais de
financiamento, com baixo custo de captação e assume a integralidade do risco de
crédito dessas operações.
Por: Agência Brasil.

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