Souza diz que as forças de segurança trabalham com a lógica de que a população é inimiga das autoridades, principalmente os "pretos e pobres"
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© Vladimir Platonow / Fotos Públicas
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A intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro
reproduz uma lógica falida de segurança pública e pode fortalecer o crime
organizado, afirma o tenente-coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo
Adilson Paes de Souza em entrevista à Sputnik Brasil.
"Essa intervenção não vai produzir ganho real
nenhum", diz Souza. O tenente-coronel acredita que algum "ganho
momentâneo" poderá ser alcançado, mas ele não será sustentável."Se
você quer levar paz para uma comunidade, você tem que levar o Estado por
completo e com a preocupação de proporcionar o bem comum. Colocar a polícia e
achar que isso vai resolver é mentira."
Souza diz que as forças de segurança trabalham com a lógica
de que a população é inimiga das autoridades, principalmente os "pretos e
pobres".
"Ano passado, segundo relatório da Human Rights Watch,
a polícia do Rio matou mais de mil pessoas. Não era pra ter produzido
resultados se fosse efetiva essa medida? O que aconteceu, matou-se mais de mil
pessoas e houve a intervenção. Se modelo do confronto e eliminação fosse
eficaz, não haveria essa onda de assalto e de insegurança", afirma Souza,
que também é mestre em direitos humanos pela USP.
Os militares já estavam no Rio de Janeiro pelo uso do
dispositivo de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Com a intervenção, entretanto,
o general de Exército Walter Souza Braga Netto irá comandar as Polícias Civil e
Militar cariocas.
Nesta segunda-feira (19), o ministro da Defesa, Raul
Jungmann, afirmou que serão necessários mandados de busca e apreensão coletivos
por causa da "realidade urbanística" carioca.
Souza diz que a medida é uma maneira de "rasgar" a
Constituição. Para ele, o Poder Judiciário é "conivente" com a
violência ao validar mandatos coletivos, ignorar a prática de tortura e de
violência policial.
"Tratar a população como inimiga vai fortalecer o crime
organizado, porque enquanto o Estado se ausenta e quando comparece agride, o
outro lado vai aparecer como o 'bonzinho' e vai 'acolher' essas pessoas,
ganhando mais forças e adeptos", diz o o tenente-coronel reformado. Com
informações do Sputnik Brasil.
Por: Notícias ao Minuto.

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