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Os estudantes representaram o Brasil no Prêmio Jovem da Água
de Estocolmo em 2017Divulgação
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Um grupo de estudantes de Campinas, no interior paulista,
desenvolveu um método de baixo custo para tratar água de cisternas no
semi-árido brasileiro. O sistema, desenvolvido por três alunos da Escola
Técnica Estadual (Etec) Bento Quirino, produz cloro a partir da eletrólise –
processo químico feito com eletricidade – de uma solução de água com sal. O
protótipo prevê ainda o uso de energia solar para o processo, contemplando
comunidades que não só dependem da água da chuva, mas que também não tem acesso
ao fornecimento de eletricidade.
A ideia foi premiada, no ano passado, pelo Prêmio Jovem da
Água de Estocolmo, levando Beatriz Ruscetto da Silva, Matheus Henrique Cezar da
Silva e Gabriel Gertrudes Trindade para conhecer a capital da Suécia. Lá, eles
tiveram a oportunidade de conhecer projetos semelhantes de todo o mundo, além
de ouvir opiniões qualificadas sobre a própria proposta. “Foi surreal, até hoje
parece que foi só um sonho. Nenhum de nós três já tinha viajado de avião e
nessa viagem ficamos mais de 10 horas no avião. O pessoal da organização do
prêmio nos tratou muito bem, com muito amor e até hoje somos amigos desse
pessoal”, lembra Beatriz sobre a experiência.
Durante a viagem, o grupo teve a oportunidade de conhecer
projetos de outros países e se impressionou com o que foi desenvolvido pelos
norte-americanos Ryan Thorpe e Rachel Chang. O sistema elaborado pelos
estudantes identifica na água as bactérias sighella, da cólera e da salmonela,
mais rápido do que os métodos convencionais e também permite a eliminação
imediata dos micro-organismos.
Foi o contato com outro projeto, de um colega de classe, que
deu início ao desenvolvimento do STAC-IBR, que ganhou o prêmio sueco. “A ideia
nasceu graças ao projeto do nosso amigo Lucas Gabriel: ele fazia eletrólise mas
descartava o gás cloro. Pensamos logo em como utilizar o cloro da eletrólise. A
primeira ideia foi em tratar água. A partir daqui começamos a pesquisar como isso
seria feito e para quem seria feito”, conta a estudante.
Desafios
Para conseguir desenvolver o protótipo, os estudantes do
curso técnico em eletrônica tiveram que investir em conhecimentos fora das
disciplinas convencionais. “Não foi nada fácil”, enfatiza Beatriz. “Tivemos que
aprender química em pouco tempo. Antes do projeto nunca havíamos entrado em um
laboratório de química, aprendemos muito”.
O novo desafio envolveu também o estudo das condições
atmosféricas. “Tivemos dificuldade nos testes porque não chovia muito e
precisávamos da água da chuva. Outra dificuldade foi estar em São Paulo e fazer
um projeto inteiramente dedicado ao Nordeste brasileiro”, comenta.
Apesar da premiação, o projeto ainda precisa ser testado no
local para passar pelos ajustes necessários à implantação. Segundo Beatriz,
seria importante, por exemplo, verificar a fixação do equipamento no solo. “E
se as altas temperaturas influenciariam muito no processo e, principalmente,
como a população se adaptaria”, enumera.
Mas agora que deixaram o ensino médio e entraram no
superior, os estudantes têm menos tempo para dedicar ao projeto e tentar
viabilizar o uso prático do equipamento. “Como o projeto começou durante o
ensino médio, ficávamos o dia todo juntos. Agora cada um está em uma
universidade diferente, atrás de trabalho. Os encontros diminuíram”, conta
Beatriz, que agora estuda na Faculdade de Química na Pontifícia Universidade
Católica de Campinas.
Prêmio em 2018
Para a edição deste ano do Prêmio Jovem da Água de
Estocolmo, está aberta até 20 de março a votação popular para selecionar o
melhor trabalho brasileiro. Qualquer pessoa pode votar, acessando a página do
prêmio no Brasil.
Os representantes do Brasil serão conhecidos na manhã da
próxima quarta-feira (21), na Vila Cidadã do 8º Fórum Mundial da Água, em
Brasília.
Por: Agência Brasil.

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