Portadores de doenças raras podem viver anos ou até mesmo
décadas sem o diagnóstico correto para o seu problema, segundo especialistas no
assunto. O alerta feito hoje (28), quando se celebra o Dia Mundial das Doenças
Raras, faz parte da iniciativa de levar mais qualidade de vida para os
pacientes.
No Brasil, estima-se que de 15 a 17 milhões de pessoas
tenham alguma doença rara, o que equivale a entre 7% e 8% da população, mesmo
percentual da média mundial. Existem catalogadas 7 mil patologias raras
diferentes. Ana Maria Martins, médica geneticista da Universidade Federal de
São Paulo (Unifesp), explica que 80% dessas doenças são genéticas, por isso o
especialista adequado para o diagnóstico é o geneticista.
A médica critica a falta da disciplina sobre doenças raras
na formação de profissões ligadas à medicina. “Na prática, os médicos aprendem
que sempre devem investigar todas as doenças mais frequentes. Quando elas são
descartadas é que se vai pensar em doença rara. Temos de mudar esse conceito, é
injusto”, diz Ana Maria.
O Brasil tem sete centros habilitados para lidar com doenças
raras, em áreas urbanas, por isso, pacientes distantes dessas regiões são os
que mais enfrentam dificuldade para descobrir uma doença rara pois, muitas
vezes convivem com ausência ou erro de diagnóstico.
“No Brasil, para se fazer diagnóstico de doença rara é quase
como uma odisseia. Tem paciente com Doença de Fabry, por exemplo, que descobre
seu diagnóstico aos 40 anos. Ele chora, aquilo é um alívio para ele”, disse Ana
Maria, ao se referir à síndrome hereditária que compromete a produção de uma
determinada enzima.
De acordo com Dafne Horovtiz, vice-presidente da Sociedade
Brasileira de Genética Médica, dos 7 mil tipos diferentes de doenças raras,
apenas 100 têm medicamento específico para o tratamento. Grande parcela dessas
patologias pode ter os sintomas tratados com remédios usados para outros tipos
de doenças.
“Existe um mito de que remédio para doença rara é caro. Na
verdade, alguns até são caros, mas em outros casos só podemos observar e
acompanhar”, esclarece a especialista.
Por: Agência Brasil.

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