Sudan ficou famoso em 2017 quando teve um perfil registrado no aplicativo de encontros Tinder, como parte de uma campanha para desenvolver técnicas de fertilzação
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O último rinoceronte branco, Sudan, ao lado da atriz
britânica Liz Hurley
Foto: Carl de Souza / AFP
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O último rinoceronte branco do norte macho morreu no Quênia
aos 45 anos - anunciou a equipe responsável por sua segurança, o que deixa duas
fêmeas como únicas sobreviventes da subespécie.
O rinoceronte, chamado Sudan, sofria há muito tempo de
complicações de saúde por sua idade avançada e, após um agravamento
considerável de seu estado, "a equipe veterinária tomou a decisão de
praticar a eutanásia", informou em um comunicado a direção da reserva
natural Ol Peteja, do Quênia, onde o animal vivia.
Sudan ficou famoso em 2017 quando teve um perfil registrado
no aplicativo de encontros Tinder, como parte de uma campanha para arrecadar
recursos para desenvolver técnicas de fecundação in vitro para preservar
espécies.
Quando Sudan nasceu em 1973, em Shambe, no Sudão do Sul,
havia quase 700 exemplares vivos. Em tese, a morte de Sudan significa a
extinção dessa subespécie de rinoceronte. Os cientistas coletaram, porém, seu
material genético e estão tentando desenvolver técnicas de fertilização in
vitro para preservar a subespécie.
Uma espécie caçada
Sudan viveu os últimos anos de sua vida em uma reserva de
36.400 hectares no centro de Quênia, ao lado das duas rinocerontes fêmeas desta
subespécie, protegido dos caçadores por guardas armados.
"Em Ol Pejeta estamos tristes com a morte do Sudan. Era
um grande embaixador de sua espécie e será recordado porque serviu para alertar
em nível global sobre a situação que os rinocerontes enfrentam, mas também as
muitas milhares de outras espécies ameaçadas de extinção como resultado da
insustentável atividade humana", afirmou o diretor do Ol Pejeta, Richard
Vigne.
Os rinocerontes têm poucos predadores na natureza por seu
tamanho, mas a população de rinocerontes brancos do norte foi dizimada em
Uganda, na República Centro-Africana, no Sudão e no Chade em consequência da
caça dos anos 1970 e 1980, estimulada pela demanda de chifres de rinoceronte
para a medicina tradicional chinesa na Ásia e para alças de punhal no Iêmen.
Uma última manada selvagem (20 a 30 rinocerontes) na
República Democrática do Congo morreu nos combates registrados neste país no
fim dos anos 1990. Em 2008, o rinoceronte branco do norte foi considerado
extinto em estado selvagem.
Os rinocerontes estão no planeta há 26 milhões de anos. Em
meados do século XIX, sua população era de quase um milhão na África. Em 2011,
o rinoceronte negro ocidental foi considerado extinto.
Sudan evitou a morte em estado selvagem quando foi capturado
no Sudão do Sul, ao lado de outros seis exemplares, e enviado na década de 1970
para o zoológico de Dvur Kralove na então Tchecoslováquia. Este zoológico na
região central da atual República Tcheca é o único lugar do mundo onde
aconteceu uma reprodução em cativeiro.
As últimas duas fêmeas desta subespécie ainda vivas em Ol
Pejeta, Navin e Fatu, nasceram em Dvur Kralove. O último nascimento, o de Fatu,
aconteceu em 29 de junho de 2000.
Em 2009, quatro rinocerontes férteis, dois machos e duas
fêmeas, foram transportados do zoológico de Dvur Kralove, na República Tcheca,
para a reserva de Ol Pejeta no Quênia com a esperança de que as condições
similares a seu hábitat natural permitissem a procriação.
Os especialistas tchecos e quenianos esperavam que o nível
de hormônios das fêmeas retornasse ao normal em um hábitat natural. As
tentativas de procriação não deram resultado.
O outro rinoceronte macho, Suni, morreu por causas naturais
em outubro de 2014. "Sudan teve uma vida excepcionalmente memorável",
afirmou o zoológico tcheco nesta terça-feira em um comunicado. Sudan teve duas
filhas quando estava no zoológico tcheco: Najin, 28 anos, e Fatu, 17.
O zoológico tcheco informou que amostras foram retiradas na
segunda-feira do material genético de Sudan. "Foi um animal excepcional,
incrivelmente gentil. Nunca manifestou nenhum sinal de agressividade, era muito
obediente", recordou o tratador em Dvur Kralove, Jan Zdarek.
Por: Folha PE.

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