O candidato chega às vésperas da eleição sem mudar de
patamar de intenção de voto
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© REUTERS/Sergio Moraes
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A facada foi em Jair Bolsonaro (PSL), mas Geraldo Alckmin
(PSDB) é quem sentiu o golpe. Depois do ataque ao capitão, em 6 de setembro, em
Juiz de Fora (MG), as previsões da campanha tucana uma a uma caíram e não houve
reação que surtisse efeito.
O candidato chega às
vésperas da eleição sem mudar de patamar de intenção de voto, com uma
candidatura politicamente encolhida após sucessivos abandonos de aliados e
pouca perspectiva de sobreviver ao primeiro turno.
O prazo estipulado por Alckmin para esboçar reação se
estreitou. Era depois da Copa. Passou para agosto. Meados de agosto. Só em
setembro. Segunda quinzena de setembro. Últimos 15 dias. Últimos sete dias.
Últimos três dias. Em seu entorno ainda se fala em reviravolta, mas há pouca
convicção.
O ambiente mudou. Antes do dia 6, cercado pela confiança de
aliados e equipe, o tucano montava um arsenal para avariar a guarda do capitão
reformado. Alckmin concentrava esforços em articulações políticas e em
gravações para a propaganda de TV.
Suas agendas públicas eram majoritariamente feitas de
encontros com lideranças e simpatizantes, em ambientes minimamente controlados.
Aliados lotavam sua caixa de e-mails. Em Pelotas (RS), no
final de agosto, divertiu-se ao reler mensagem sugerindo que atravessasse o rio
São Francisco a nado. "Em campanha, todo mundo é técnico de futebol. Tem
algum palpite para dar", constatou.
Dias depois, com uma semana de horário eleitoral na
televisão e no rádio, o dono da metade do tempo disponível para a propaganda
política começava a ver seus esforços surtirem efeito.
Ainda que não tivesse subido nas pesquisas, a ofensiva
aprofundava a rejeição a Bolsonaro, segundo a campanha. A aposta era que
Fernando Haddad, depois de finalmente oficializado candidato do PT, encostaria
no candidato do PSL, levando a uma recuperação do voto antipetista pelo PSDB.
Aí veio a facada.
Como os demais postulantes, o tucano suspendeu os ataques a
Bolsonaro. Foram cerca de dez dias de trégua, até que a impaciência tomou
aliados. O capitão estava estável, e Alckmin mantinha sua habitual ponderação.
Pressionado, o tucano concordou em subir o tom. Foi para o
estúdio gravar propagandas apontando o risco de venezuelização do Brasil, com
descontrole econômico e social e autoritarismo.
Intensificou agendas de rua. Caminhadas por calçadões se
tornaram diárias, especialmente em São Paulo, o estado que o elegeu três vezes
governador, duas no primeiro turno. Queria, nos minutos diários em que o
noticiário na TV dedica à agenda dos candidatos, aparecer com o povo.
Moças e moços de calça verde e camiseta amarela fecharam
contrato por pouco mais de R$ 1.000 para um mês de campanha. Com coreografias
feitas para os jingles tocados em espiral, aguardavam o candidato chegar sob
chuva (Guarulhos) ou no calor de 30ºC (Santo André). Os atrasos viraram piada:
até José Serra estava mais pontual.
As agendas não atraíram multidões. Militantes do PSDB deram
volume aos atos, mas a receptividade nas ruas foi, em geral, calorosa. Se fotos
dessem votos, brincava-se, o tucano finalmente deslancharia.No bairro da
Liberdade, na capital paulista, dias atrás, uma simpatizante entregou a Alckmin
um pacote de pão de mel. Ele comemorou. "A última vez que almocei foi no
mês de agosto", brincou.
Mesmo entre aliados, o tucano não dá sinais de abatimento.
Bolsonaro se mantém isolado na liderança, seguido por Haddad. Estrategistas da
campanha do PSDB duvidam de vitória no primeiro turno. Mencionam a vantagem de
votos que o deputado precisaria abrir e o bom desempenho esperado do PT no
Nordeste.
Interlocutores ensaiam teses sobre a campanha. Elencam,
primeiro, o palanque duplo em São Paulo. O argumento decisivo de Alckmin para
conquistar o apoio do centrão, em julho, era que seus 30% de votos paulistas o
garantiam no segundo turno. Entregou até agora metade disso.
O segundo problema, apontam, é o desgaste do PSDB e seus
constrangimentos semanais com operações policiais, prisões e traições. Um dos
fundadores do partido, Xico Graziano esperou a última semana da eleição para
anunciar sua desfiliação e declarar voto em Bolsonaro.
Ex-chefe de gabinete e aliado de Fernando Henrique Cardoso,
Graziano alegou decepção com o pragmatismo de Alckmin ao se aliar ao centrão.
"Decisão dele, naturalmente. Trabalhou comigo, não trabalha mais. Cada um
é cada um. Repito: meu voto será em Alckmin", disse FHC.
A terceira questão apontada pela campanha tucana é o PT, que
se desobrigou de atacar Bolsonaro e se refugiou no que veem como vitimismo
decorrente da prisão de Lula.
Por fim, concluem, o perfil do candidato parece ter se
provado moderado demais para o momento do país. Com informações da Folhapress.
Por: Notícias ao Minuto.

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