Conheça os meses de conscientização de algumas doenças
![]() |
© DR
|
Setembro é amarelo, outubro é rosa, novembro é azul,
dezembro é laranja, mas também vermelho. Sociedades de médicos, pacientes e
ONGs se acotovelam na disputa por um espaço no calendário para promover os
chamados meses de conscientização de algumas doenças.
Mas nem tudo por trás das campanhas, em sua maioria apoiadas
por farmacêuticas, é cor-de-rosa. As ações nem sempre se traduzem em mais saúde
e, para especialistas, podem levar a consultas e exames desnecessários.
O mais famoso dos meses coloridos, o Outubro Rosa, foi
criado há mais de 20 anos e envolvia a distribuição de laços rosas como forma
de alertar sobre o câncer de mama, o mais comum entre as mulheres depois do
câncer de pele.
O mesmo mês de outubro é também de conscientização da
artrite reumatoide.
Já a cor de setembro, o amarelo, faz referência ao suicídio.
Dados do Ministério da Saúde mostram que 11.433 pessoas morreram por suicídio
no país em 2016 (dado mais atual) -algo próximo de 31 casos por dia.
O próprio governo admite que o número real pode ser ainda
maior por causa da subnotificação nos registros. Em 2016, a taxa de mortalidade
por suicídio no Brasil foi 5,8 casos a cada 100 mil habitantes. Para
comparação, em 2007, esse índice era de 4,9 mortes a cada 100 mil habitantes
-um aumento de 18%.
Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), a
campanha surgiu para disseminar informações que podem auxiliar a sociedade a
desmistificar o tabu sobre o tema e auxiliar profissionais da saúde a
identificar os fatores de risco para tratar e instruir melhor os pacientes.
No país, a campanha foi iniciada em conjunto pelo CVV
(Centro de Valorização da Vida), que atua na prevenção ao suicídio, Conselho
Federal de Medicina e pela ABP no ano de 2014, em Brasília. De lá para cá só
ganhou força.
Para chamar mais atenção, vários monumentos icônicos do país
são iluminados com a cor amarela neste mês, como o Cristo Redentor, no Rio de
Janeiro.
Em 2019, janeiro começará com o verde, para a campanha de
conscientização sobre o câncer de colo de útero; em fevereiro, o laranja lembra
a leucemia e o roxo, a fibromialgia, o alzheimer e o lúpus. E assim por diante.
No mês de novembro, duas doenças brigam pelo mês e pela cor
azul: o câncer de próstata e o diabetes.
Historicamente, o Dia Internacional do Diabetes -celebrado
em 14 de novembro- é mais antigo, de 1991, e sua criação contou com o respaldo
da OMS (Organização Mundial da Saúde).
A ideia de alargar o período de conscientização diabetes de
um dia para um mês inteiro nasceu em 2009, no ABC paulista, relata Márcio
Krakauer, da Sociedade Brasileira de Diabetes. Nascia aí um Novembro Azul.
Em 2004, surgiu então o Moustache November (Movember), ou
"novembro de bigode", para levantar fundos contra o câncer de
próstata na Austrália.
Tentando repetir o sucesso do Outubro Rosa e do Novembro
Azul, outros meses coloridos surgiram, como o Setembro Verde, que incentiva a
doação de órgãos, o Dezembro Laranja, do câncer de pele, e o Junho Vermelho, da
doação de sangue.
Especialistas lembram que muitas dessas campanhas incentivam
a realização de exames. Check-ups e exames sem a presença de sintomas ou sem
evidências científicas de que funcionem para rastrear doenças em certas faixas
etárias são, inclusive, questionados por várias entidades, como a U.S.
Preventive Services Task Force, ligada ao governo americano. Isso porque podem
indicar falsos-positivos e gerar angústia e procedimentos desnecessários.
"Há uma superinformação, também com viés mercadológico,
de que quanto mais exames, melhor. Mas o certo é quanto melhor indicado os
exames, melhor", diz Mônica Assis, sanitarista da divisão de detecção
precoce do Inca (Instituto Nacional de Câncer). Com informações da Folhapress.
Por: Notícias ao Minuto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário