Efeitos são menores do que se previa quando vírus se espalhou no país
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Divulgação/TV Brasil
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A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado debateu nesta
semana a liberação do aborto por grávidas infectadas pelo vírus Zika. O assunto
está na pauta de votação do Supremo Tribunal Federal (STF), com julgamento
marcado para o dia 22 de maio. Convidados da comissão apresentaram dados que
mostram um impacto do vírus em fetos muito menor do que se imaginava quando a
epidemia da doença se espalhou em algumas regiões do país, em 2016.
Na ação que está no Supremo desde 2016, a Associação
Nacional de Defensores Públicos (Anadep) defende, dentre outras medidas, a
descriminalização do aborto no caso de grávidas infectadas pelo Zika. Raphael
Parente, do Conselho de Medicina do Rio de Janeiro, afirmou que se sabe muito
mais sobre o vírus hoje do que se sabia na época.
“Quando a Adin [ação direta de inconstitucionalidade] foi
proposta, o conhecimento sobre o [vírus] Zika era muito incipiente. O
conhecimento aumentou muito de lá pra cá. Um estudo publicado na revista The
New England mostrou que apenas 15% dos bebês expostos ao Zika tiveram algum
tipo de problema grave. Uma pesquisa mais recente, do CDC [Centro de Controle e
Prevenção de Doenças] dos Estados Unidos, mostrou 5%”, disse Parente.
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A zika é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti -
Arquivo/Agência Brasil
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Lenise Garcia, doutora em microbiologia e presidente do
Movimento Brasil Sem Aborto, apresentou dados do Ministério da Saúde divulgados
em maio de 2017. No estudo, a microcefalia foi confirmada em menos de 20% dos
casos, depois de alguns meses do nascimento da criança. Em 42% dos casos a
doença foi descartada após investigação.
“Se mesmo depois de nascida a criança, é descartada a
microcefalia em mais de 50% dos casos, imaginem como é incerto fazer um pré-diagnóstico
intrauterino”, disse Lenise. Ela acrescentou que, na Polinésia Francesa, de
onde se suspeita ter vindo o vírus, 1% das crianças nasceram com microcefalia,
em um universo onde 66% da população foi contaminada pelo vírus.
“Nós temos o dado de que só 1% das crianças são afetadas
quando a mãe tem a doença. Estudo científico com dados totais; não é amostragem
da epidemia na Polinésia Francesa. Isso nos traz um questionamento a mais sobre
usar a zika como justificativa para liberação do aborto”, acrescentou a
microbióloga.
O autor do requerimento para a audiência pública, senador
Eduardo Girão (Pode-CE), citou uma pesquisa realizada no Reino Unido sobre o
impacto do aborto nas mulheres. “A mulher que faz aborto tem propensão muito
maior a crises de ansiedade, a depressão, envolvimento com álcool e drogas e
suicídio. Nesse aspecto é um caso de saúde pública sim. Quanto mais a gente
debate esse assunto, mais a verdade vem à tona.”
Lenise acredita que, mesmo quando é confirmado um caso de
microcefalia em um feto, seu direito à vida não pode ser negado. “E é
particularmente problemático que se justifique o aborto em função de uma
deficiência, porque é um preconceito com a pessoa com deficiência. Estou
desconsiderando essa vida como uma vida digna de ser vivida.”
Por: Notícias ao Minuto.


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