Juiz também aceitou denúncia contra ex-assessor da Presidência e empresários. Decisão concede prazo para que as defesas respondam à denúncia.
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Michel Temer em 201abril de 2018 — Foto: Evaristo Sá/AFP
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O juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos aceitou nesta
segunda-feira (29/04) denúncia contra o ex-presidente Michel Temer no chamado
inquérito dos portos.
A denúncia original, feita pela Procuradoria-Geral da
República em dezembro do ano passado, foi enviada para a primeira instância
pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso. No último dia
15, o Ministério Público Federal em Brasília confirmou a denúncia da PGR e
pediu que o ex-presidente se tornasse réu no caso.
A decisão torna réus, além de Temer, o ex-deputado federal e
ex-assessor da Presidência da República Rodrigo Rocha Loures, o amigo pessoal
do ex-presidente João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, um sócio de Lima e
executivos da empresa Rodrimar, envolvida no inquérito.
Entenda o caso
O inquérito foi aberto em 2017, a partir de delações
premiadas de executivos da empresa J&F. Para o Ministério Público Federal,
o ex-presidente cometeu os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e
lavagem de dinheiro ao editar o Decreto 9.048/2017, que tratava do setor
portuário.
Os procuradores argumentam que Temer recebeu vantagem
indevida de Ricardo Mesquita e Antônio Grecco, da Rodrimar, em troca da edição
do decreto que beneficiaria a empresa.
"Houve sucessivas tratativas entre os denunciados por
um longo período de tempo e que mantiveram estável vínculo existente com Michel
Temer ao longo de sua carreira pública em diversos cargos e que renovaram a
promessa de vantagem indevida do agente privado corruptor em troca da atuação
funcional do agente público corrupto, neste nicho específico do setor
portuário.", dizia a denúncia.
Entre as provas incluídas pelo MPF e citadas pelo juiz na
decisão em que aceitou a denúncia e tornou os suspeitos réus estão as delações
da J&F, contratos da Rodrimar com a empresa Argeplan, do Coronel Lima, e
mensagens trocadas entre Rocha Loures e Ricardo Mesquita.
O juiz concedeu prazo para que as defesas dos agora réus
respondam à denúncia e autorizou o compartilhamento das informações do caso com
outros inquéritos em investigação na Justiça Federal.
Quando a denúncia foi apresentada pela PGR, Temer afirmou em
nota que provará, nos autos judiciais, que "não houve nenhuma
irregularidade no decreto dos portos, nem benefício ilícito a nenhuma
empresa".
O ex-presidente já é réu em quatro ações penais, denunciado
em três inquéritos e investigado em mais cinco casos – ao todo, são 12
procedimentos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.
Por: G1.

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