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© okskaz / iStok
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A quimioterapia, que é o uso de fármacos para controlar
tumores cancerígenos, possui muitos efeitos adversos que debilitam o paciente e
prejudicam as defesas naturais do organismo. Pensando em contornar esses
efeitos, pesquisadores da USP combinaram a quimioterapia com a terapia gênica,
que utiliza vírus para levar até as células dos tumores um gene capaz de
alterar seu funcionamento, tornado-as mais sensíveis ao efeito dos fármacos e
impedindo que cresçam e se multipliquem.
Experimentos com animais mostraram que a combinação aumenta
a eficácia da quimioterapia para bloquear o crescimento de tumores de próstata,
permitindo a redução da dosagem das drogas usadas no tratamento e a eliminação
dos efeitos negativos. As pesquisas foram realizadas no Laboratório de Vetores
Virais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à
Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Testes em pacientes com câncer vão
definir como prever a utilização da terapia combinada com a imunoterapia,
tratamento que estimula as defesas naturais do organismo.
A terapia gênica utiliza vírus como veículos de entrega de
genes que, ao chegarem às células dos tumores, impedem seu crescimento. “Os
vírus são modificados em laboratório por meio de engenharia genética”, afirma o
pesquisador Bryan Eric Strauss, que coordena o estudo. “Eles perdem a
capacidade de se multiplicar e recebem o gene p53, conhecido como ‘guardião do
genoma’, pois atua na eliminação de células que ameaçam o organismo.”
Conduzindo genes
De acordo com o pesquisador, o câncer elimina o gene de
proteção das células, que ficam vulneráveis, levando ao surgimento de tumores.
“Na terapia gênica, o vírus é injetado diretamente na massa tumoral do
paciente, onde penetra nas células, introduzindo o p53, o qual ativa outros
genes, que irão causar a morte da célula, inibindo o crescimento do tumor”,
destaca. “Pesquisas anteriores do Laboratório aprimoraram a terapia gênica,
modificando o vírus para que entre com mais facilidade, em um maior número de
células, e atue com mais eficiência.”
O estudo combinou a terapia gênica com o vetor do p53 à
quimioterapia, realizada com o fármaco cabazitaxel. “O grande problema da
quimioterapia é a toxicidade do fármaco no organismo”, aponta Strauss. “Em
experimentos com camundongos, a droga controla o tumor, no entanto os animais
perdem peso, glóbulos brancos do sangue (leucopenia) e células de defesa
(neutrófilos e linfócitos), ficando muito debilitados.”
Em testes com animais, os cientistas descobriam que o p53
colabora com a quimioterapia, parando o crescimento do tumor sem gerar efeitos
negativos no organismo. “Quando o gene é introduzido nas células dos tumores,
ele coordena a morte celular e sensibiliza as células para o feito da droga”,
conta o pesquisador. “Com a terapia gênica, é possível reduzir a dosagem do
fármaco a um nível subterapêutico [ou seja, que isoladamente não seria
suficiente para controlar o crescimento do tumor] e dessa forma evitar os
efeitos adversos.”
Terapias combinadas
Strauss destaca que o próximo desafio dos pesquisadores do
laboratório é juntar a imunoterapia à combinação de tratamentos, de modo a
ativar as defesas naturais do organismo. “A terapia gênica e a quimioterapia
são tratamentos pontuais, e algumas células dos tumores não recebem o vírus com
o p53. A ideia é que o próprio sistema imunológico cuide dessas células”,
afirma. “A imunoterapia faria esse sistema ‘acordar’, reconhecendo e destruindo
células tumorais, e oferecendo uma proteção duradoura contra a progressão de tumores.”
Os pesquisadores avaliam se a terapia combinada é capaz de
estimular a resposta imune, funcionando também como imunoterapia. Os testes em
seres humanos incluem experimentos utilizando quimioterapia com outras formas
de imunoterapia (como, por exemplo, vacinas, introdução de anticorpos ou de
proteínas), terapia gênica com quimioterapia ou imunoterapia, e até combinações
de imunoterapias. “Os resultados são promissores, mas vai levar um tempo para
entender como prever qual tratamento seria o melhor para cada paciente”,
conclui o pesquisador.
Os estudos do laboratório tem o apoio da Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio de um projeto temático e
bolsas de estudo. A pesquisa com cabazitaxel contou com a colaboração da
empresa Sanofi, produtora do fármaco, que o forneceu para os experimentos. Os
cientistas possuem também o apoio da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
Por: Notícias ao Minuto.

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