A vaga no STF será aberta em um ano e meio com a aposentadoria do decano da Corte, Celso de Mello
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© Adriano Machado/Reuters
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O ex-prefeito do Rio e vereador Cesar Maia (DEM) viu no
anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que poderia nomear o ministro da
Justiça, Sérgio Moro, para o Supremo Tribunal Federal (STF) como um primeiro
movimento da sucessão presidencial de 2022.
A vaga será aberta em um ano e meio com a aposentadoria do
decano da Corte, Celso de Mello. "Ele (Bolsonaro) precisa tirar da frente
aqueles que são adversários muito fortes, que é o caso do Moro", diz o
ex-prefeito e pai do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A seguir, os
principais trechos da entrevista.
São só cinco meses, mas foram meses muito agitados.
Esperava-se esse desgaste tão grande, essa perda de popularidade tão forte?
Temos de analisar o comportamento dos personagens. O
presidente (Jair Bolsonaro), por exemplo. Por que ele lança o ministro Sérgio
Moro como nomeado ao STF? Por uma razão muito simples, porque Moro é adversário
do Bolsonaro como presidente da República. A maneira que ele encontrou de
eliminar esse adversário foi nomeá-lo para o STF.
Ele já tira uma carta do baralho?
A principal, a única carta. Ele elimina o principal
adversário, não tem dúvida nenhuma. Pode fazer a pesquisa que você quiser entre
Moro e Bolsonaro, você vai ver o que vai dar. Mostra que o próprio presidente
está preocupado com o desdobramento de tudo isso. Ele precisa tirar da frente
aqueles que são adversários muito fortes, que é o caso do Moro.
O sr. vê o ministro como potencial adversário do Bolsonaro
em 2022? Quem o sr. enxerga nesse universo?
No campo de pensamento do Bolsonaro, só tem o Moro. Fora do
campo dele, hoje, vai ter que se construir essa liderança.
De acordo com várias pesquisas, no fim das eleições
Bolsonaro tinha uma aprovação de 49%. Mas de lá para cá, essa aprovação vem
caindo e, em março, se estabiliza em 32%, 35%. Como avalia essa trajetória?
Primeiro, como se explica a performance final do Bolsonaro
nas eleições? O que muitos acreditam, e eu acompanho, é que a facada gerou um
efeito vitimização. Saiu de vinte e poucos por cento e subiu para quarenta por
cento. Mas aí esse efeito passa, a eleição termina, vêm as entrevistas, a
posse. Passado todo esse processo, as pessoas digerem aquilo, sedimenta-se,
aquilo que se imagina vitimização não é mais. É o presidente da República,
cercado de polícia, militares, Polícia Federal. Com isso, vem uma acomodação,
que deveria ser o patamar dele, que é de trinta e poucos por cento. Temos de
aguardar, dar tempo. A expectativa hoje é a de que a economia no primeiro
trimestre tenha um crescimento negativo, como dizem os economistas. Isso tudo
passa para o governo, que tem os elementos de impacto, de publicidade, de rede
social, o que você quiser... O governo Bolsonaro passa a ter só esses
elementos. Priorizar as redes sociais não adianta mais, eles foram para a
televisão.
A rede social se esgotou?
A tradução que está sendo dada às redes não corresponde à
realidade. As redes empoderam o indivíduo; o indivíduo, uma vez com o poder que
tem, convencido de alguma coisa, vai propagando isso. Mas não é um sistema partidário.
É por isso que Bolsonaro tem dado muitas entrevistas na televisão.
Naturalmente, ele acha que precisa da televisão para recuperar o prestígio. As
redes sociais cumpriram um papel e continuarão cumprindo, é um papel
importante, mas menor do que se imaginava, que resolvia tudo. Eles estão
sentindo que não é assim. Então, precisam da televisão para gerar um efeito
multiplicador maior. Estranho é que ele use pouco o rádio.
Como vê a ação do presidente?
Não sei se o presidente é inábil. Ele sempre foi isso que é,
tem uma liderança dos militares, dos policiais. Na hora que ele acha que pode
extrapolar e não dá certo, ele tem de corrigir. Ele tem corrigido algumas
coisas. Quando ele corre para o negócio do armamento, isso é uma derrota
anunciada. Quando vai passar essa lei? Fico me perguntando porque ele faz um
decreto daquela longitude (o decreto das armas) e publica. Só tem uma
explicação: ele foi feito para ser derrubado. Na hora em que derruba,
parcialmente que seja, você aumenta a agregação de seus próprios, da base,
transfere para fora os problemas e não o absurdo que são aquelas medidas, que
foram publicadas e não vão ser aprovadas. Essa é a tática: faz a proposta, diz
que fez o que tinha prometido, soma seu pessoal, não é aprovado, a culpa é de quem?
Da política velha.
Quer dizer que a crise é um método do atual governo?
Depende do caso. Nesse caso, é. Você tomar teses que
defendeu, sabe que elas são inviáveis do ponto de vista da opinião pública, do
ponto de vista do plenário muito mais, e vai com elas para frente para serem
derrotadas, mesmo que parcialmente, cria uma situação de instabilidade. Diz
'não tenho culpa, eu tentei, fiz tudo que eu pude'.
Nesse desenho de governo, como fica o caso Queiroz
(ex-assessor de Flávio Bolsonaro)? E como isso atrapalha os planos de uma
reeleição lá na frente?
Eu não sei, porque o caso Queiroz, se tudo isso que se fala
é verdade... Ontem mesmo (segunda-feira, dia 20), o Flávio (Bolsonaro) disse
que não fazia a menor ideia de que eles tinham se metido em tanta encrenca.
Eles vão investigar. Nós estamos falando de uma investigação aberta que não vai
durar um ano, com 88 pessoas.
O sr. ficou preocupado com a história da delação de um
empresário ligado à Gol contra Rodrigo Maia?
Ridículo, né? Estou achando que alguns delatores do segundo
time, eles criam (nomes de políticos que estariam envolvidos em
irregularidades). O problema aí era o (doleiro) Lúcio Funaro, (ex-deputado)
Eduardo Cunha, aí vem com o terceiro escalão. Os caras fazem uma denúncia,
criam um personagem, provavelmente para dar algum tipo de destaque à denúncia
dele. Foi tão inacreditável que não deu nem para incomodar. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.
Por: Notícias ao Minuto.

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