O empresário Henrique Constantino, sócio da companhia aérea Gol, citou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em sua delação
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© Cleia Viana/Câmara dos Deputados
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O juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília,
homologou acordo de delação premiada assinado entre o empresário Henrique
Constantino, sócio da companhia aérea Gol, e o Ministério Público Federal.
Entre os citados estão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o
ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA).
Em um dos dez anexos da delação que tratam de fatos
supostamente criminosos, Constantino relatou pagamentos de propina a operadores
e políticos do MDB para obter recursos da Caixa Econômica Federal e do fundo de
investimentos do FGTS, gerido pelo banco -informações relacionadas às operações
Cui Bono e Sépsis, da Procuradoria no Distrito Federal.
O acordo de delação foi revelado pelo jornal O Globo nesta
segunda-feira (13).
Em outro anexo, de número 7, o delator falou de
"benefício financeiro" a parlamentares ou ex-parlamentares por meio
da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).
Os políticos mencionados nesse caso são Rodrigo Maia, o
senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-ministro Bruno Araújo (PSDB-PE), o
ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) e os ex-deputados Marco Maia (PT-RS), Vicente
Cândido (PT-SP), Edinho Araújo (MDB-SP) e Otávio Leite (PSDB-RJ).
Os detalhes do suposto benefício financeiro para esses
políticos estão sob sigilo.
Constantino foi denunciado à Justiça Federal em Brasília em
outubro passado sob acusação de pagar R$ 7 milhões de propina em troca de
financiamento de R$ 300 milhões para a Via Rondon Concessionária, do Grupo BR
Vias, e de mais R$ 50 milhões para a Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários
S.A.
Junto com Constantino foram denunciados Cunha e Geddel, que
hoje estão presos. O empresário disse ter feito repasses ilícitos por meio de
contratos fictícios com empresas do operador Lúcio Funaro, que também é
delator.
No acordo com o MPF, Constantino se comprometeu a pagar R$
70,8 milhões à Caixa e ao FI-FGTS como reparação pelos danos causados. O valor
equivale, segundo o juiz Oliveira, a dez vezes o dano confessado.
As informações prestadas por Constantino na delação premiada
deverão ser usadas nesse processo e em outras linhas de investigação. Eventuais
investigações sobre parlamentares com mandato deverão ser enviadas ao Supremo
Tribunal Federal, que tem a atribuição de investigar e processar políticos
detentores de foro especial.
O juiz da 10ª Vara autorizou que as informações e os
elementos de corroboração apresentados por Constantino sejam compartilhados com
os investigadores das operações Sépsis, Cui Bono, Greenfield e Patmos -a última
mirou o ex-presidente Michel Temer (MDB), que está preso preventivamente em São
Paulo.
OUTRO LADO
Maia, que está em Nova York nesta segunda-feira (13),
afirmou que não conhece nem nunca esteve com o delator. "[Constantino]
Nunca me pagou nada, isso é mentira dele, não tem como provar e vai ser mais um
inquérito arquivado na Justiça brasileira", disse o presidente da Câmara.
"Está mentindo. Nunca tive relação com ele, nunca tive
nenhum benefício deles [donos da Gol]", afirmou, acrescentando que vai
colaborar com os investigadores "com toda a tranquilidade".
Em nota, a Abear afirma que desconhece os fatos e o teor da
delação e que, "caso a entidade seja procurada pela Justiça para esclarecimentos,
estará à disposição".
A reportagem não conseguiu localizar, na noite desta
segunda-feira, os advogados dos demais políticos citados pelo delator.
Por: Notícias ao Minuto.

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