No total, são 194 deputados e nove senadores de 17 partidos que pedem a redução da maioridade penal
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Direita, centro e até esquerda lançam na próxima
quarta-feira, 25, a Frente Parlamentar Mista da Redução da Maioridade Penal em
ato marcado para as 16h, no salão nobre da Câmara dos Deputados. A proposta é
presidida pelo vice-líder do governo na Câmara, deputado Carlos Jordy (PSL-RJ),
e reúne 203 parlamentares, entre eles os filhos do presidente Jair Bolsonaro,
deputado Eduardo e senador Flávio.
No total, são 194 deputados e nove senadores de 17 partidos:
PSL, PL, PP, MDB, Patriota, PDT, PSD, PRB, Podemos, PSC, PSB, DEM, PROS, PSDB,
Avante, Cidadania e Solidariedade.
A redução da maioridade penal é uma polêmica que se arrasta
há décadas e divide juristas, policiais, promotores e juízes.
Carlos Jordy assinala que o objetivo é "discutir as
propostas já em trâmite no Congresso Nacional e buscar formas para que sejam
votadas". Uma delas é a PEC 171/1993, aprovada na Câmara em 2015, que
trata da imputabilidade penal do maior de 16 anos, mas que ainda aguarda
apreciação pelo Senado.
Em entrevista à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo,
Jordy destaca que "a redução da maioridade penal é uma questão de
responsabilidade e justiça, vai ao encontro do que a maioria da população
quer".
Em seu primeiro ano de mandato, Carlos Jordy foi servidor
federal e vereador em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde nasceu e
foi criado e mora até hoje. Ele defende enfaticamente a redução da maioridade
penal.
Veja abaixo trechos da entrevista:
Quais são os objetivos da Frente Parlamentar Mista da
Redução da Maioridade Penal?
O objetivo principal é retomar a discussão de propostas em
tramitação no Congresso Nacional, como a PEC 171/1993, que trata da
imputabilidade penal a partir dos 16 anos e aguarda apreciação pelo Senado.
Serão realizados, também, eventos com a participação de especialistas e
estudiosos, para promover decisões democráticas em sintonia com a atual
realidade.
Qual é a sua proposta?
Responsabilizar penalmente o menor de 16 anos que comete
crimes. Isso pode acontecer através da promulgação da PEC 171, aprovada em 2015
na Câmara, mas que ainda precisa de votação no Senado. Essa PEC trata da
responsabilização penal aos 16 anos de idade em casos de crimes hediondos,
homicídios e lesão corporal seguida de morte. É uma pauta que sempre defendi,
além de atender ao que a esmagadora maioria dos brasileiros quer. Diversas
pesquisas comprovam, a população deseja que menores sejam responsabilizados por
determinados crimes.
Para o senhor até onde deve ir o limite da redução da
maioridade? Por quê?
Tenho convicção de que o jovem, aos 16 anos, já possui
discernimento para responder por qualquer ato. Há quem defenda imputabilidade a
partir de 12 anos. Por isso, a importância da Frente Parlamentar em discutir as
propostas, analisar qual o melhor instrumento para a implantação da redução da
maioridade penal no País. O consenso é de que o Brasil é muito permissivo ao
crime, não é só uma questão de punir e corrigir o menor, mas de justiça.
O que o leva a acreditar que a violência nas ruas vai
diminuir a partir do enquadramento penal de menores de 18 anos?
A redução da maioridade penal diminuirá o aliciamento de
menores para o tráfico de drogas, considerado o segundo maior crime praticado
nessa faixa etária no País. Hoje, mesmo envolvidos com o crime organizado, como
não podem ser condenados por seus atos, muitos menores infratores não são
considerados reincidentes e ficam com a ficha limpa ao atingirem 18 anos. Essa
impunidade faz muitos adolescentes, nem sempre cooptados por adultos,
sentirem-se desimpedidos para cometer crimes. Exatamente por isso muitos países
desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Suíça, já adotam a maioridade abaixo
dos 18 anos.
Em sua avaliação, não há alternativas?
A alternativa é punir com rigor quem comete crimes, investir
em educação, na recuperação econômica do País. Tudo isso tem que caminhar
junto. E o processo de educação não pode ficar restrito a garantir
escolaridade, é muito mais amplo, compreende punir, impor limites, ensinar a
respeitar regras, e isso pode e deve ser feito no dia a dia, em curto prazo.
Uma ofensiva maciça pelo desarmamento da população não seria
uma estratégia mais eficaz?
Não, até porque marginal vai continuar armado. Essa falácia
do desarmamento serve apenas para deixar a população honesta refém de bandidos
de diferentes idades. A redução da maioridade penal muito contribuirá para
construirmos um país em que todos tenham o direito de ir e vir sem medo.
Enquanto não mudarmos as leis para combater a impunidade, nenhuma política
educacional ou socioeconômica funcionará de forma eficaz para a construção de
uma sociedade mais segura e tranquila.
Por: Notícias ao Minuto.

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