![]() |
| Foto: Freepik. |
Depois de inúmeros dias semelhantes, a pandemia ainda é uma
ameaça. As horas seguem devagar e tento distrair a mente. Não é fácil, e essa
queixa é geral. A enxurrada de notícias desagradáveis continua.
Tento assistir um filme. O enredo foca no diálogo entre a
protagonista e seu terapeuta, durante uma sessão on-line. Há choro, repetição
dos dramas, rotina exaustiva no hospital.
Parece que tudo está igual em todos os lugares.
Os choros são comuns aos humanos. Ainda mais quando passam
tempo recrutados. É quando o equilíbrio emocional torna-se duvidoso.
Da tela da TV saio para um livro. “Para Sempre”, de Ana
Maria Machado, é minha distração. Trata-se de uma narrativa moderna com teoria
bem resolvida sobre o amor. A autora conta histórias paralelas de casais, em
relatos viscerais, e se apodera de detalhes minuciosos sobre a vida das
personagens.
O enredo prova que o amor encontra-se vivíssimo. No enredo
de Ana Maria o amor é descrito sem rodeios.
“Para Sempre” trata das coincidências no encontro entre duas
pessoas, a paixão e os relacionamentos maduros. Nelson e Susana, Antônia (filha
do casal) e Daniel, estão num patamar idêntico com relação a viver um romance
eterno. Eles se conheceram no interior de Minas Gerais, nos anos 1940. O casal
teve vários filhos, entre os quais surge a nova personagem do enredo. Se amaram
muito, sofreram e lutaram juntos. Por causa de um deslize de adultério por
parte de Nelson, a esposa não pôde suportar, embora o relacionamento tivesse
inúmeras recompensas. Nelson era o tipo do esposo que permitia à amada escolher
o filme a ser assistido, contrariando os costumes da época.
No caso de Daniel e Antônia, outro casal do livro, o
adultério foi o estopim. Eles se viram pela TV, antes de se conhecerem
pessoalmente. O amor entre os dois tinha tudo para ser eterno, caso a traição
de Daniel passasse por longe. Mas, infelizmente rondou a vida dos dois e o fez
abandonar seu amor ideal.
O amor posto à prova pelo menos tenta resistir ao adultério,
ao tempo e às crises normais de qualquer casamento. Com habilidade, Ana Maria
Machado cativa o leitor, discute as facetas do amor, entrelaçando a história
com menções a outras peças literárias.
Assim vou matando o tempo. Lembro que antes da pandemia
muita gente suplicava por tempo. Eu mesma gostaria de ter tempo para realizar
coisas que ainda sonho. Então, eram comuns as reclamações de não se ter tempo
para realizar atividades, para viajar, para ficar com a família.
Como esse novo normal uma avalanche de precaução e medo
alterou a rotina de forma inesperada. A rotina anterior começa a fazer falta. O
mais inquietante é que o tempo que temos continua sendo pouco para tudo que se
tem a realizar. Dessa forma vamos tentando viver esse momento inesperado e desconhecido,
mas constando que a falta de amor ainda continua e o egoísmo também. Quem dera
o vírus tivesse deixado o saldo de ter eliminado esses males. Enquanto isso
vamos aproveitar a vida para plantar amor.

"Para sempre" - título muito sugestivo. Convida a tomar conhecimento sobre o ato de amar e viver conjuntamente.
ResponderExcluirProcurarei lê-lo.
Obrigada pela indicação!!
Bela crônica sobre o doloroso de se viver isolados. Por sorte a arte e a cultura se fazem presentes cumprindo suas funções de alimentar as almas curiosas e inquietas. Parabéns. - Célia Labanca.
ResponderExcluir