O vulcão Cumbre Vieja, em La Palma - ilha que compõe o conjunto das Ilhas Canárias espanholas - têm o potencial de provocar um tsunami na costa brasileira
![]() |
© REUTERS/Antonio Parrinello |
Nós, brasileiros, aprendemos que fenômenos naturais como
terremotos e vulcões não são motivo de preocupação. Mas esta semana trouxe uma
notícia diferente. A atividade de um vulcão próximo à África teria capacidade
de provocar efeitos na costa brasileira. O vulcão Cumbre Vieja, em La Palma -
ilha que compõe o conjunto das Ilhas Canárias espanholas - têm o potencial de
provocar um tsunami na costa brasileira.
O vulcão tem aumentado sua atividade sísmica nos últimos
dias, o que chamou a atenção de especialistas. Segundo informou a empresa
MetSul Meteorologia, o Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às
Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias (Pevolca) elevou o nível de
alerta de verde para amarelo.
Essa alteração para o segundo dos quatro níveis existentes
implica em uma ação preventiva diante do que é classificado como risco moderado
de atividade vulcânica. Nesse caso, a população local deve ficar em alerta para
uma nova mudança na situação. As Ilhas Canárias ficam localizadas a noroeste da
África, próximas à costa do Marrocos e do Saara Ocidental.
Para as atividades vulcânicas do Cumbre Vieja causarem
impacto na costa brasileira seria necessário um grande colapso do vulcão. Se
isso ocorresse, atingiria toda a costa brasileira, de norte a sul, bem como de
outros países banhados pelo Oceano Atlântico. Essa possibilidade, no entanto, é
considerada remota por especialistas.
Um estudo do pesquisador norte-americano George
Pararas-Carayannis, presidente da Tsunami Society International, afirmou que
esse tipo de colapso é “extremamente raro e nunca ocorreu na história
registrada”. Além disso, ele afirmou que estudos recentes prevendo a geração de
tsunamis a partir da erupção do Cumbre Vieja foram baseados em suposições
incorretas.
Pararas-Carayannis acrescentou em seu estudo que uma
“atenção e publicidade inapropriadas da mídia a tais resultados probabilísticos
têm criado uma ansiedade desnecessária de que megatsunamis poderiam ser
iminentes e devastar populações costeiras em localidades distantes da origem –
nos oceanos Atlântico e Pacífico”.
Já o geólogo Mauro Gustavo Reese Filho, da Universidade
Federal do Paraná, afirma em estudo que, ainda que as chances sejam remotas, a
população costeira do Brasil deveria ser conscientizada. “Estudos mais recentes
dizem que as chances de ocorrência são remotas e longínquas, no entanto, o
estabelecimento de sistemas de alarme que possibilitam a evacuação de áreas é
justificável quando se trata de vidas humanas”, afirmou Reese em seu trabalho,
também citado pela Metsul Meteorologia.
O pesquisador brasileiro apontou a falta de cuidados
preventivos na costa brasileira. Ele parte do princípio de que uma mera
possibilidade de desastre já indica a necessidade de ações preliminares. “A
possibilidade de ocorrência deste evento por si só deveria ser razão para a
prevenção de todos os tipos de danos na costa brasileira, porém até o momento
nada foi feito. A falta de informação é a principal causadora deste problema,
pois inclusive no meio geológico muitas pessoas não sabem sobre tal fato”.
Um vulcão é uma estrutura geológica, em terra firme ou em
alto-mar. Eles se formam a partir do choque de duas placas tectônicas, massas rochosas
rígidas que formam a crosta terrestre e que deslizam sobre o manto - material
subjacente de consistência plástica. Quando essas placas se chocam, uma
mergulha sobre a outra, elas se fundem parcialmente e as rochas esquentam a
mais de 1000 graus Celsius. Há o aumento de pressão e a crosta terrestre
derretida sobe à superfície, formando vulcões e ilhas.
Os vulcões típicos têm formato cônico e montanhoso, mas de
proporções variáveis. Essa estrutura cônica, como uma chaminé, comunica uma
câmara subterrânea profunda com a superfície. Nessa câmara fica armazenado o
magma, uma massa de rocha fundida de alta temperatura, constituída em grande
parte de silicatos (tipos de minerais), misturados com vapor de água e gás.
A erupção começa com uma instabilidade no solo, acompanhada
por tremores de terra. Formam-se fendas na região instável e consequente saída
explosiva de gases, ejeção de água subterrânea e terra. A seguir, verifica-se a
abertura e limpeza da chaminé e a expulsão de cinzas, blocos e bombas vulcânicas.
Finalmente ocorre o derramamento de lava, que nada mais é do que o magma
expelido à superfície e ainda em estado líquido.
*Com informações da Agência Brasil
Por: Notícias ao Minuto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário