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| Renata Barcellos (BarcellArtes). |
Conheci a escritora contemporânea Raquel Naveira nas redes sociais, nos grupos dos escritores, em postagens de sus textos. Comecei a acompanhar seu trabalho. Seus textos estão em minha sala de aula pelas reflexões propostas. Vale a pena lê-los para repensarmos a vida.
Minicurrículo: nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 23 de setembro de 1957. Formada em Direito e em Letras. Mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tem mais de trinta livros publicados de poesia, crônicas, ensaios, infantojuvenis, sendo os mais recentes, Leque Aberto, Manacá e Mundo Guarani. Pertence à Academia Sul-mato-grossense de Letras, ao Pen Clube do Brasil e à Academia de Ciências de Lisboa.
1- Quando iniciou no universo das letras? Qual é seu processo criativo?
Raquel Naveira: Minha vocação para a escrita aconteceu na infância.
Um ser e estar no mundo através do encantamento pela palavra. Fascinada pelo objeto livro. Intuía que os livros tinham vozes. Gostava de ouvir e inventar histórias. O amor aos livros transformou-se em paixão pelo Magistério. Comecei a dar aulas de francês e português aos dezoito anos e nunca mais parei.O meu processo criativo baseia-se em ler e escrever sempre, continuamente.São mais de 4 décadas de publicações em jornais, revistas e livros. Tenho cadernos grandes em que anoto ideias, palavras, expressões que me chamam a atenção. E depois retorno a essas anotações, pesquiso. Escrevo o texto a mão e só depois passo para o computador. Gosto de dicionários etimológicos e de símbolos, antologias poéticas.
2- Qual o espaço da crônica hoje, em meio aos textos midiáticos?
Raquel Naveira: Questiono o termo “ crônica” como texto descartável, ligado apenas ao cotidiano, perdido numa página de jornal. Escrevo prosa poética. Vivo nos extremos da poesia, do conto e do ensaio.
3- O Brasil está no auge das discussões sobre o não uso de livros físicos. Como escritora, qual sua percepção disso?
Raquel Naveira: O livro físico, a apostila, o material didático é importante para o aprendizado, a concentração, os momentos de silêncio, meditação, exercícios, longe das telas líquidas. A tecnologia também ė ferramenta fundamental, mas em outro momento da aquisição de conhecimento.
4- O gênero textual crônica se divide em dois tipos: jornalística e literária. Qual a sua vertente? E a relevância social deste tipo de texto?
Raquel Naveira: Meu texto é literário, poético. Em tudo há uma função social, que nasce da fruição da beleza, da força existencial das temáticas universais que sempre acompanharam o ser humano: o amor, a morte, a loucura, a liberdade, o autoconhecimento, o cotidiano, a natureza, as revelações e aventuras do espírito.
5- Qual mensagem você deixa para os jovens cada vez mais imersos no uso da tecnologia?
Raquel Naveira: - Inútil lutar contra a tecnologia. Como tudo, pode ser usada para o bem e para o mal. Ela é suporte para a leitura, para o texto, para as navegações pelos mares e galáxias das letras.
6- Quais seriam os 5 livros imprescindíveis à leitura?
Raquel Naveira: Difícil apontar apenas cinco livros, embora eu goste de listas. Elas põem um pouco de ordem ao caos. Apontam caminhos. Ficaria com a Bíblia, principalmente o Eclesiastes e o Evangelho de Lucas; a poesia toda de Carlos Drummond de Andrade, começando por “Rosa do Povo”; a poesia de Cecília Meireles, com “Romanceiro da Inconfidência”; a poesia de Manuel Bandeira, de Manoel de Barros e de Cecília Meireles... Um romance: “Dom Casmurro”, de Machado de Assis e os seus contos. Toda a prosa poética de Clarice Lispector. E, para os jovens, recomendo “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke. E tudo que lhes cair nas mãos, que lhes tocar a alma. E os contemporâneos ficam para outra lista.

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