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| Pr. Geraldo Magela. |
Tenho certeza de que Eva saboreou o fruto do “conhecimento do bem e do mal”. Aquilo parecia maravilhoso demais para ser recusado. Tão delicioso, tão sedutor, tão irresistível, que ela logo chamou Adão: “Experimenta também!” E ele experimentou. E amou o fruto. O pecado sempre se apresenta assim, doce na boca, mas amargo na alma.
Mas depois do sabor… chegou a fatura.
Para Eva, a fatura veio em letras grandes e dolorosas: “Darás à luz com dor… e serás governada pelo teu marido.”
Para Adão, o boleto da desobediência trazia suor, cansaço, espinhos e frustração diária.
Para os dois, a pior cobrança: “Expulsos para sempre do Paraíso.” O fruto era doce. A fatura, amarga.
Tenho certeza de que Davi achou deliciosa a experiência proibida de possuir Bate-Seba, a mulher de Urias. E ela, por sua vez, talvez tenha sentido o gosto embriagante de estar nos braços do Rei. Mas, como sempre, depois do prazer… veio a fatura.
Primeiro, o aviso: “Estou grávida.”
Depois, a tragédia: “Mandem matar Urias.”
Mais tarde, o luto: “A criança morreu.”
E, por fim, a colheita mais amarga: Absalão, seu próprio filho, se levanta contra ele. Davi saboreou a aventura… mas nunca sofreu tanto como sofreria após aquele dia.
Geazi, vendo Naamã partir sem deixar presentes, decidiu que era injusto o profeta não receber nada. O coração ganancioso justificou a mentira. E escondido, foi pegar aquilo que Deus mandara Eliseu rejeitar. Mas logo a campainha tocou: a fatura havia chegado. E nela estava escrito: “A lepra de Naamã te acompanhará para sempre.”
Setecentos mergulhos no Jordão não apagariam o erro. Quando a fatura é divina, não há parcelamento, não há acordo, não há desconto.
Miriã, apoiada por Arão, afiou a língua para ferir Moisés. O assunto? A mulher “não hebréia”, “não digna”, “não pura”. E enquanto fofocavam, imaginavam estar fazendo justiça… mas logo Deus enviou a cobrança celestial.
A fatura chegou rápido: lepra branca como neve.
E ela só escapou porque aquele que foi ferido pela língua… orou por ela. Sempre é assim: quem apedreja precisa depois das orações de quem foi atingido.
Poderíamos citar mais mil histórias, Sansão, Saul, Acã, Judas… mas já basta. A Bíblia inteira nos mostra a mesma verdade espiritual:
O pecado é sempre mais caro do que parece.
Ele nunca mostra o preço antes, só depois. E quando a fatura chega, ninguém consegue negociar com o céu.
Por isso Deus não diz: “Sede santos porque eu sou santo” para nos aprisionar num ideal de perfeição impossível.
A santidade não é uma competição.
Não é uma exigência cruel.
Não é utopia.
A santidade é proteção.
É muro.
É vacina.
É escudo.
É o amor de Deus evitando que a fatura seja emitida contra nós.
Se pecar fosse barato, o diabo não trabalharia tanto para nos empurrar ao pecado.
Se a fatura não doesse, ele não teria interesse em nos seduzir.
Por isso oramos, lutamos e vigiamos.
Não por perfeição.
Mas por livramento.
Que o Senhor nos livre do pecado, e nos livre, sobretudo, da fatura que o pecado envia.

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