Seis dias em que Lisboa falou todas as línguas da cultura.
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Durante seis dias, Lisboa tornou-se o ponto de encontro de memórias, vozes e culturas vindas de diferentes partes do mundo. Entre 9 e 14 de junho de 2026, a capital portuguesa acolheu a “Semana Cultural da Rede Sem Fronteiras”, celebrando os 13 anos de uma organização que nasceu para aproximar pessoas por meio da literatura e da arte, e que hoje estende a sua atuação por dezenas de países.
Mais do que uma programação de eventos, a Semana Cultural foi uma sucessão de momentos capazes de lembrar que a cultura continua sendo um dos caminhos mais eficazes para construir pontes entre os povos.
A programação começou no dia 9 de junho, quando os participantes percorreram Lisboa em um City Tour que foi muito além da visita turística tradicional. Caminhar pelas ruas da cidade onde está sediada a Rede Sem Fronteiras significou percorrer também parte da identidade da própria instituição. Ao final do dia, a tradicional casa de fados A Severa abriu as portas para receber os convidados em um jantar de boas-vindas. Entre acordes de guitarra portuguesa, vozes marcadas pelo sentimento e a reconhecida hospitalidade lusitana, a Semana Cultural encontrava a sua primeira melodia.
No dia seguinte, 10 de junho, enquanto Portugal celebrava a sua história, a Rede Sem Fronteiras homenageava aquilo que une as nações: a palavra. O Piquenique Literário proporcionou momentos de convivência, partilha e amizade, lembrando que a literatura nasce tanto das grandes bibliotecas quanto das conversas simples entre quem compartilha objetivos comuns.
A agenda prosseguiu com uma visita à 96ª Feira do Livro de Lisboa, um dos mais importantes acontecimentos literários do país. Entre milhares de volumes, editoras e leitores, os membros da RSF reafirmaram a sua presença no universo cultural da lusofonia, conscientes de que cada livro representa uma nova possibilidade de diálogo entre realidades distintas.
O dia 11 de junho reservou um dos momentos mais simbólicos de todo o evento. No Instituto Camões, instituição reconhecida internacionalmente pela promoção da língua portuguesa e da cultura lusófona, aconteceu o lançamento da Coletânea “Sem Fronteiras pelo Mundo... Volume 9”.
Autores de diferentes países reuniram-se para celebrar uma obra que conecta trajetórias de vida. Cada capítulo carregava consigo um país, uma memória e uma visão de mundo. Juntas, essas vozes demonstraram que a língua portuguesa continua sendo um território de integração cultural.
Na mesma cerimônia, aconteceu a entrega dos prêmios do Concurso Literário da obra, reconhecendo escritores que transformaram experiências e reflexões em literatura. Foi um momento de valorização do talento, da preservação de memórias e do compromisso de oferecer ao mundo novas perspectivas através das palavras.
Se durante o dia a literatura ocupou o centro da cena, na noite de 12 de junho a tônica foi a confraternização. O Hotel SANA Metropolitan recebeu o tradicional Jantar de Gala comemorativo dos 13 anos da Rede Sem Fronteiras. Em um ambiente festivo, membros e convidados compartilharam uma noite marcada por homenagens, arte e companheirismo.
Entre os momentos vividos, o desfile das bandeiras destacou-se na memória dos presentes. À medida que cada pavilhão cruzava o salão, representava muito mais do que um país: evocava pessoas, histórias, famílias e caminhos percorridos que atravessaram oceanos sob um mesmo ideal.
A cultura também encontrou expressão na apresentação do tradicional grupo português Os Camponeses de D. Maria, que levou ao palco a riqueza das tradições populares locais, e na performance musical apresentada pela RSF Núcleo - Guiné-Bissau, reafirmando a capacidade que a música tem de unir povos.
Durante a cerimônia, aconteceu ainda a entrega do Troféu “Cultura Sem Fronteiras”, homenagem concedida àqueles que, por meio da arte, da literatura e da ação cultural, ajudam a construir um mundo mais colaborativo e integrado.
No dia 13 de junho, o histórico Palácio Baldaya recebeu a Jornada Literária. Ali, a palavra encontrou novamente o seu lugar de honra. A programação reuniu autores, leitores, artistas e convidados em encontros marcados pela sensibilidade e pela reflexão sobre a criação literária. Entre os destaques estiveram a homenagem aos vinte anos do projeto “Poemas à Flor da Pele”, o lançamento da obra “Poemas & Contos & Crônicas” e o lançamento de vários livros de membros da organização, além de intervenções artísticas.
Um dos momentos mais marcantes daquele dia ocorreu quando a arte assumiu o seu papel de inclusão. A participação do Instituto Adonai, parceiro oficial da RSF, envolveu o público por meio de apresentações musicais, literárias e artísticas realizadas por seus membros. Cada intervenção reafirmava uma verdade simples: a cultura só cumpre plenamente a sua missão quando alcança a todos, oferecendo espaço para que cada talento seja visto e ouvido. O destaque ficou para o jovem Eliasaf, um autista de 11 anos muito talentoso, que presenteou a RSF com uma pintura em tela de sua autoria.
Essas apresentações foram verdadeiras lições de cidadania, demonstrando que a arte não conhece limites quando baseada na dignidade, no talento e na oportunidade.
Encerrando a programação, o dia 14 de junho foi dedicado à exposição da RSF “ELAS – Do olhar ao Verbo”, instalada no próprio Palácio Baldaya, com curadoria de Dani Remião. Entre fotografias, obras e palavras, a mostra celebrou a força criadora das mulheres, transformando imagens em narrativas e olhares em memória. Foi um encerramento delicado e profundamente simbólico para uma semana que teve na arte a sua principal linguagem.
Ao final daqueles seis dias, permanecia a certeza de que os resultados foram além da programação oficial. Novas amizades nasceram, parcerias foram fortalecidas, livros encontraram leitores e autores buscaram novas inspirações. Acima de tudo, os participantes descobriram que pertencem a uma comunidade internacional unida não por fronteiras geográficas, mas pelos valores que compartilham.
Treze anos depois de sua fundação, a Rede Sem Fronteiras segue provando que a cultura continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para aproximar a humanidade.
Essa foi a Semana Cultural da Rede Sem Fronteiras: mais do que um evento, uma experiência de intercâmbio e fraternidade que permanecerá viva na memória de todos os que acreditam no poder transformador da arte e da literatura.
Visite redesemfronteiras.org e confira o albúm completo de fotos.
Rede Sem Fronteiras: Juntos, somos mais fortes!
Rede Sem Fronteiras - Com Dyandreia Valverde Portugal - Jornalista, Escritora, Diretora de Assuntos Internacionais da UBE-RJ, e Presidente Mundial da Rede Sem Fronteiras, uma entidade cultural internacional sediada em Portugal, com representatividade em 30 países.
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