O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava
Jato na primeira instância da Justiça Federal no Paraná, defendeu hoje (4), na
Câmara, a revisão das penas mínimas aplicadas em casos de corrupção. Convidado
para a primeira audiência pública da comissão especial criada para analisar o
projeto de lei sobre dez medidas de combate à corrupção, Moro disse que, ao
definir sentença a esses criminosos, os juízes partem da pena mínima.
Para o magistrado, isso pode prejudicar a condenação. “Com
penas mínimas, que partem de 2 anos, há grande chance de um crime não ser
apenada de forma proporcional”, alertou ao citar o crime de lavagem de dinheiro
que prevê penas de 3 anos a 10 anos. De outro lado, Moro também ponderou que há
casos em que o juiz pode reduzir a sentença, ainda que se trate de práticas
corruptas.
“Eventualmente podem ter casos de corrupção envolvendo
condutas mais trivias”, explicou ao citar o caso de um policial rodoviário federal
que roubava bateria de carros apreendidos em depósitos. “Nesses casos se
justifica um tratamento mais leniente. Para alguns crimes, se o criminoso é
primário e é de pequeno valor a vantagem, o juiz pode diminuir a pena de 2 a 3
terços. Não que não mereça censura, qualquer crime merece censura, mas menor”,
acrescentou.
Sérgio Moro também alertou para o excesso de habeas corpus.
Segundo ele, o recurso deve ser restrito a pessoas que estão presas. “Têm
ocorrido uma certa deturpação nos últimos 20 anos”, afirmou ao se referir à
concessão do habeas corpus para investigados e testemunhas, como têm ocorrido
com pessoas convocadas a falar em comissões parlamentares de inquérito.
Projeto anticorrupção
Mais de uma vez, Moro disse que concorda com o texto que foi
encaminhado pelo Ministério Público e explicou que apenas elencou algumas
sugestões de mudança. Neste rol ainda apontou a possibilidade de considerar
todo o patrimônio de um “criminoso profissional” como bens a serem confiscados.
“Há casos envolvendo criminosos profissionais em que é muito dificil
identificar o bem que foi o produto do crime especifico. Mas é possível chegar
à conclusão que todo o patrimônio daquele cidadão é produto de atividade
ilegal”, disse, ao citar o Artigo 4º do projeto que trata de confisco alargado.
Moro citou como exemplo corruptos reincidentes e
traficantes, como Fernandinho Beira-Mar, condenado por tráfico de drogas e
lavagem de dinheiro. Na operação, a polícia apreendeu drogas e parte do
patrimônio do traficante, mas, para Moro, todo o seu patrimônio deveria ser
considerado resultado do crime, pois era a atividade exercida por ele.
Partidos políticos
Sérgio Moro defendeu vários pontos do texto, como o que
trata da responsabilização dos partidos políticos. “Não são instituições que
servem a si mesmas, mas expressões de camadas políticas da sociedade. Se eventualmente
estiverem envolvidas em atos ilícitos, tem que haver alguma consequência
prevista nas legislações”, afirmou, ao citar também a criminalização da prática
de caixa 2 de campanha.
Um dos responsáveis pela Lava Jato, Moro foi recebido na
Câmara na manhã de hoje como celebridade. Um forte esquema de segurança limitou
a passagem de jornalistas e servidores a acessos da Casa. Vários funcionários
fizeram questão de aguardar a passagem do convidado para cumprimentá-lo pelas
investigações.
Na parte externa do plenário, um grupo de manifestantes
gritam a favor de Moro e tentam acessar o Plenário 2, onde o magistrado
conversa com parlamentares em audiência pública.
Por: Agência Brasil.

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