![]() |
Encontro da ONU e Fiocruz sobre juventude foi aberto pelo
grupo Dream Team do PassinhoFlávia Villela/Agência Brasil
|
Racismo e injustiça social foram os temas predominantes no
evento que celebrou hoje (15) o Dia Internacional da Juventude, realizado pela
Organização das Nações Unidas (ONU) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Dezenas de jovens de diferentes perfis sociais foram convidados para participar
de uma roda de conversa na sede da fundação, em Manguinhos, zona norte do Rio
de Janeiro.
O protocolo de eventos formais com altos dirigentes da ONU
foi quebrado logo na abertura encontro com os passos eletrizantes do grupo
Dream Team do Passinho. O enviado especial do secretário-geral da ONU para
Juventude, Ahmad Alhendawi, e o assessor especial do secretário-geral da ONU
para o Esporte, o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke, filmaram toda a
apresentação do grupo, que foi muito aplaudido pela plateia. Os passos eram
acompanhados de músicas que falam sobre empoderamento dos jovens negros
brasileiros.
Por causa dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o tema original do
encontro era Juventudes, Esporte e Desenvolvimento: Rota para 2030, mas
questões fundamentais para a juventude brasileira falaram mais alto.
Representatividade
Após ler um poema da feminista negra Roni Morrison, o
presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Daniel Souza, falou
sobre os jovens que estão à margem na sociedade. “Que estão nas bordas de um
poder racista, machista, envelhecido, que não sabe lidar com o jovem nos
espaços de poder.” Souza defendeu mais participação dos jovens nas tomadas de
decisão. “Por isso, ao falar de desenvolvimento, precisamos nos perguntar qual
modelo de desenvolvimento queremos e não há nenhuma mudança sem consulta
popular. Precisamos de desenvolvimento com participação social e justiça
socioambiental.”
Os representantes das ONU falaram pouco e ouviram muito, mas
nos breves discursos elogiaram a luta dos movimentos sociais brasileiros e
ressaltaram a importância do protagonismo jovem para melhorar o Brasil. “Vocês
não são apenas o futuro deste país, vocês são o presente, e a prosperidade e paz
do Brasil dependem da criatividade de vocês e capacidade de ir adiante”, disse
Alhendawi.
A dificuldade para acessar direitos e serviços de qualidade
por ser negro e pobre foi tema de quase todas as falas dos jovens presentes, em
um país em que mais da metade da população é negra. A secretária de Promoção da
Igualdade Racial, Luislinda Valois, destacou que, além da violência,
responsável pela morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país, a falta de
oportunidades é outro grande obstáculo para os negros no país.
“Apenas 11% dos jovens negros estão nas universidades, o
mercado de trabalho é seletivo e cruel. Estamos sempre com a vassoura e o pano
de chão, mas não queremos somente isso, queremos as canetas para decidirmos o
destino do Brasil. Não queremos mais a situação do prato feito, queremos fazer
nosso próprio prato”, disse a secretária. “Ser negro no Brasil é tarefa
extremamente árdua, por isso é importante ampliar o debate e as ações de
políticas públicas. E vocês jovens precisam ocupar espaços de poder, estudar
bastante”, acrescentou.
A discriminação e violência contra jovens de minorias também
foram tratados por representantes indígenas, quilombolas, caiçaras, LGBT, de
religiões de matriz africana, pessoas vivendo com HIV e refugiados.
Educação
Já a educação de qualidade foi apontada pelos debatedores
como ferramenta de mudança e instrumento de libertação. O coordenador residente
do Sistema ONU no Brasil, Wilfried Lemke, destacou o exemplo da Coreia do Sul,
que já foi um dos países mais pobres do mundo depois da Segunda Guerra Mundial,
e hoje é uma potência econômica graças à educação.
“A única resposta para esse êxito é educação, nada mais. O
mesmo vale para este país e para a juventude. Precisamos dos melhores
professores para isso, precisamos de professores bem pagos, não apenas no
Brasil, como também no mundo.”
Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o processo
educativo de jovens só será efetivo com a garantia dos cuidados desde a
gestação e da primeira infância e com inclusão social. “Toda a capacidade de
maturação neurológica e de processos de socialização se dá durante esse período
e da mesma forma a capacidade de absorver educação e de interagir como cidadãos
não se torna plena sem estrutura social de inserir essas crianças de uma forma
inclusiva na sociedade.”
Por: Agência Brasil.

Nenhum comentário:
Postar um comentário