Segundo o titular da Secretaria de Defesa Social, Angelo Gioia, o comandante da PM saiu do posto por motivos pessoais. Chefe da Polícia Civil, no entanto, foi exonerado para "oxigenar" a tropa.
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Secretário de Defesa Social de Pernambuco, Angelo Gioia, em
coletiva de imprensa no Recife nesta sexta (17) (Foto: Marina Meireles/G1)
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A troca dos comandos da Polícia Militar (PM) e da Polícia
Civil de Pernambuco, não foi ocasionada pelo aumento da criminalidade no estado,
de acordo com o secretário de Defesa Social do estado, Angelo Gioia. Em
coletiva de imprensa realizada, na tarde desta sexta (17), na sede da
secretaria, no bairro de Santo Amaro, no Recife, o titular da pasta explicou os
motivos do afastamento do então comandante da Polícia Militar, coronel Carlos
D'Alburque, e do então chefe da Polícia Civil, delegado Antônio Barros.
"D'Albuquerque sai após uma solicitação pessoal num
momento oportuno, após as finalizações das negociações de projetos de reajustes
salariais da PM. Já Antônio Barros esteve à frente da Polícia Civil por dois
anos, fazendo um trabalho valoroso, mas buscamos agora uma nova forma de
enfrentamento aos homicídios", justificou Gioia. Os novos comandantes que
serão nomeados são o coronel Vanildo Maranhão, para a PM, e o delegado Joselito
Amaral, para a Polícia Civil.
Gioia descartou uma possível relação entre o aumento das
estatísticas de violência em Pernambuco, como o registro de 479 homicídios
somente no mês de janeiro deste ano, e a troca de comandos das polícias.
"Se os números sobem há dois anos, isso é motivo de preocupação para todos
nós. As polícias cumprem o nosso papel e nós, como sociedade, também devemos
cumprir o nosso", pontuou.
De acordo com o titular da pasta, as modificações também não
levaram em consideração as queixas dos integrantes das associações, que já
haviam sinalizado, por meio de protestos, a reprovação das negociações feitas
pelos comandos. "Essa decisão passa ao largo do que eles pensam a respeito
dos comandos das polícias. Não reconheço essas pessoas como representantes de
nada e elas não pautariam a atuação da secretaria ou do governo", pontuou
o secretário.
Para Gioia, o trabalho desenvolvido pelo delegado Joselito
Amaral, inicialmente à frente de uma unidade de repressão a homicídios, deve
ajudar na gestão da instituição. "Agora ele deixa de pensar apenas em um
setor para pensar na Polícia como um todo. Ele poderá oferecer uma resposta
melhor", explica.
Os novos responsáveis pela chefia das polícias assumem os
cargos de forma oficial na semana do carnaval, mas, apesar da mudança, Gioia
esclarece que o planejamento para a festa, que ainda será divulgado, está
mantido. "Vamos trabalhar dentro da normalidade", frisou.
Governador repercute
Também na tarde desta sexta-feira (17), durante um evento de
entrega das chaves do Mercado Público de Paratibe, em Paulista, no Grande
Recife, aos comerciantes do local, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara
(PSB), repercutiu as mudanças nos comandos das polícias Civil e Militar.
"O Coronel D'Albuquerque solicitou o seu afastamento do
comando da Polícia Militar entendendo que tinha concluído uma etapa importante
de recuperação da hierarquia, da organização e da liderança da Polícia Militar
no combate à criminalidade. Isso foi entendido por nós como um gesto importante
e, a partir disso, aproveitamos para fazer as atualizações que já haviam sido
requeridas pelo secretário de Defesa Social", explicou na ocasião.
Ainda segundo o governador, as alterações anunciadas têm o
objetivo de alcançar índices melhores de segurança em Pernambuco. "É uma
ação importante e necessária para voltar a termos uma política de segurança que
possa trazer mais conforto às pessoas no ir-e-vir do trabalho para a casa, para
o colégio. Os novos comandantes vão trabalhar muito na melhoria da segurança
pública do nosso estado", garantiu Paulo Câmara.
Avaliação do sindicato
Por meio de nota, o Sindicato dos Policiais Civis de
Pernambuco (Sinpol) classificou as mudanças como uma tentativa de diminuir os
índices de violência no estado. “Contudo, se não forem realizados investimentos
que garantam efetivo suficiente e condições mínimas de trabalho às forças
policiais, será impossível conter essa onda de criminalidade”, destaca o texto.
Por: G1.

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