Distâncias não se contam para quem tem metas e ideais, para quem tem sonhos. Estas, são palavras minhas que gostaria de definir como gratidão a DEUS que me trouxe a essa terra com uma finalidade maior: O AMOR. Obrigada, sim, ao Mestre da vida, por ter me colocado no berço de Surubim, nas serras de pedras, onde as águas dos riachos são salgadas, o sol serve de termômetro do tempo, e as borboletas brincam que nem crianças em busca do cheiro das papoulas, e do colorido das margaridas nos quintais de casa.
Lá no meu
riacho
As águas
criam cabelos
E desenham
os sonhos
Do meu rio
... (Luíza)
Que bom, que
um tempo de desmame entre lágrimas, e risos me abraçaste e me levaste as ruas
da ESPERANÇA, e lá, me sentaste na praça da SAUDADE, no banco do PASSADO para
sonhar o sonho do FUTURO.
Saudades de
quando eu conversava bobagens em linguagem de criança, com os sapos, com as
bonecas de milho, com a chuva que molhava a terra, quando já rachada, gemia.
Saudades, daquele amanhecer quando o meu avô José Galdino (Pai Zezo) chegava na
janela com meu leite, um pedaço de queijo enrolado na farinha bem torradinha, e
ainda perguntava assim: “cumade Lalí, tá faltando mais alguma coisa?” Enquanto
isso, eu olhava o sol que brilhava sobre as margaridas enfeitadas de borboletas
amarelas, e estendia o seu guarda chuva de luz sobre a minha avó Francisca
Cabral (mãe Chiquinha) que ao acordar corria para a cozinha para preparar o
cafezinho bem quentinho, que por ter sido torrado no tacho com açúcar torrão,
tinha um cheiro gostoso de dar água na boca. E assim, o dia, esperava o
acinzentar da noite que empobrecia a sua alegria, ao se apossar do tempo.
Como eu
queria que os pássaros falassem comigo, queria sonhar com os cavalos que eu não
tinha de verdade, mas estavam lá nos desenhos que eu fazia na escola. Ficava
horas olhando o cavalo do meu avô, o cavalo preto de passado, calda bem
aparada, do seu José Cipriano. Saudades dos bilhetes que eu escrevia em
poesias, pensando que tinha namorado. Penso que aqueles papéis deveriam ter
asas e saber endereços. (risos) Saudades da terra quente, do balanço no braço
do cajueiro que me fazia sonhar com a luz da Cartilha do ABC – que acariciada
pela brisa dos ventos que sopravam as águas do Riacho Jucuri, riacho que se
arrebentava de grota à dentro, em épocas de invernada, e no verão se escondia
embaixo das terras secas de Serra Verde de Casinhas, e se derramava nas
correntezas dos bilhetes do aconchego das letras de paz, na certeza, que em
silêncio, realizariam sonhos e transformariam vidas, paz essa que toda criança
deveria sentir. Saudades de FRANCISCA!!
FRANCISCA
Com o seu
jeito simples
Construiu
família
Ensinou-me
cidadania
Com
provérbios antigos
Coisas que
na vida, nunca
Deixaram de
ser atuais.
Andou pelas
vertentes
Da humildade
Em busca das
águas
Da
igualdade.
Aprendeu a
valorizar
As lágrimas
da dor
No ouro do
seu silêncio.
Cultivou a herança
Do caráter
Da dignidade
da moral
E do
respeito ao próximo
Francisca!
Foi contigo
Que aprendi
que
“SE colhe o
que se planta”
Brisa da
paz!
Suavizou o
seu lado rude
Ajudando o
próximo
Com as suas
mãos
Fraternais.
Mulher
Guerreira!
Maravilhosa!
Um desaguar
em canteiros
De flores
silvestres.
Hoje, sinto
saudades
Da sua fala:
“vamos
menina, anda!
Ainda tenho
o que fazer”
Um jardim de
saudade
De cravos,
de rosas,
De cactos
também.
Bela flor
silvestre!
Margarida do
amor!
Luz do além!
Sonhava os
sonhos
Sonhados das
purpurinas
Dos
carnavais que
Nunca
brincou.
Os teus
olhos comprados
Ao brilho de
favos de mel
Enxergava
longe...
Cuidado!
A lei era
única: dar
O melhor de
si.
Respeitar
sempre e dormir
O sono do
dever cumprido
Francisca,
águia voadora!
Fazia das
dificuldades
Uma asneira
Plantou
trabalho, moral
Justiça e
fraternidade
Dos espinhos
que encontrou
Nas
ladeiras, fez escadas
Para a
prosperidade.
Das folhas
secas caídas
Fez tapetes,
e os travesseiros
Da
tranquilidade.
Das rosas
tocou as suas mãos
Perfumou os
caminhos da
Fé e da
esperança.
Francisca!
Bela mãe!
Mulher bela,
de Deus!
Deus bom!
Saciaste a minha sede na cacimba do suor da fé. Foi na base desse desejo de
construir que atravessei montanhas de pedras, andei por curvas de caminhos
enladeirados, e rasgados pelos viés das macambiras queimadas pelo sol ardente
das terra secas do agreste, as quais, me abraçaram em tempo de Deus. E com a
lanterna da promessa, me conduziste as grutas distantes em busca das águas do
saber, e quando precisei atravessar os caminhos de pedregulhos nas subidas e
nas decidas das ladeiras, me calçaste com as sandálias do couro aveludado da
misericórdia.
Escreveste a
minha história com a caneta da prata divina, a tinta vermelha do amor, nas
ondas dos mares infinitos. No silêncio da tua sabedoria divina colocaste-me a
espada das letras entre os meus dedos, e as armas da esperança para caminhar
num túnel de aprendizado onde levei anos para atravessar, e continuo sem ainda
ver o final. Nas encruzilhadas pusestes anjos guardiões que me impulsionaram
com a semente da força divina, nas subidas das ladeiras... E acordada nas
madrugadas da vida me entregaste em ramagens de confiança e carinho, um buquê
com duas flores raras do teu jardim secreto para que eu pudesse regá-las na terra
da pedagogia materna, até frutificarem cidadania, flores da beleza, escolhidas
do teu jardim dos mistérios do bem, que até hoje, me derramam as gotas do amor,
o perfume da fortaleza, e a força mestra da razão de continuar vivendo.
Que bom, ser
alimentada pelas águas das cachoeiras desse agreste santo, e receber o perfume
dessas flores que alçam voos perfumados além dos muros, além das fronteiras,
além do deserto e além dos vales...
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