Expectativa do governo era de que inclusão do presidente em inquérito que apura favorecimento à Odebrecht ficasse arquivado até o fim do mandato do presidente
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© Adriano Machado
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A decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal
Federal (STF), de incluir o presidente Michel Temer no rol de investigados no
inquérito que apura o suposto favorecimento da Odebrecht, pela antiga gestão da
Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, causou preocupação no
Planalto.
Entre 2013 e 2015, durante o governo da ex-presidenta Dilma
Rousseff, o órgão foi dirigido pelos atuais ministros Eliseu Padilha e Moreira
Franco. Ambos já são investigados no caso.
"Agora, o presidente Temer está com a faca no pescoço
permanentemente", disse ao blog do Gerson Camarotti, no portal G1, um
auxiliar direto de Temer.
A expectativa do governo era de que o assunto ficasse
arquivado até o fim do mandato do presidente. Agora, a decisão de Fachin, na
avaliação de aliados, tem potencial para causar um desgaste significativo à
imagem de Temer, e bem no momento em que ele tentava emplacar a agenda positiva
da segurança pública.
O pedido para incluir temer no inquérito foi feito pela
procuradora-geral da República, Raquel Dodge, na última terça-feira (27). Na
manifestação, ela divergiu do entendimento do ex-procurador Rodrigo Janot, que,
no ano passado, decidiu não incluir Temer na investigação, por entender que o
presidente tem imunidade constitucional enquanto estiver no cargo. Segundo a
procuradora, a Constituição impede somente o oferecimento da uma eventual
denúncia contra os investigados.
Um auxiliar de Temer, ainda segundo o blog, chegou a dizer
que, na avaliação dele, Dodge está sendo "mais realista que o rei",
ao se referir a Janot.
De acordo com depoimento de delação premiada do ex-executivo
da Odebrecht Claudio Melo Filho, houve um jantar no Palácio do Jaburu, em maio
de 2014, para tratativas de um repasse de R$ 10 milhões como forma de ajuda de
campanha para o PMDB.
“A investigação penal, todavia, embora traga consigo elevada
carga estigmatizante, é meio de coleta de provas que podem desaparecer, de
vestígios que podem se extinguir com a ação do tempo, de ouvir testemunhas que
podem falecer, de modo que a investigação destina-se a fazer a devida
reconstrução dos fatos e a colecionar provas. A ausência da investigação pode
dar ensejo a que as provas pereçam”, argumenta a procuradora-geral da
República.
Por: Notícias ao Minuto.

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