Além da distribuição geográfica, outra novidade é a ocorrência contínua de casos
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Vacinas de febre amarela
Foto: Valdecir Galor/SMCS
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A febre amarela deixou de ser uma doença que aparece em
surtos periódicos e veio para ficar, avalia o coordenador de doenças da
Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, Marcos Boulos.
Historicamente, o vírus ressurgia com mais força em picos
com um intervalo de cinco a oito anos entre um e outro. Os pacientes eram
infectados principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Desde o ano 2000,
no entanto, a doença avança em direção ao litoral, até ser detectada, em 2017,
em áreas de mata da capital paulista.
Além da distribuição geográfica, outra novidade é a
ocorrência contínua de casos, com morte de animais pela doença desde 2016, e
até no inverno, o que não era usual.
Esse fator levou o coordenador de Doenças da secretaria
paulista a avaliar que a doença veio para ficar. Segundo ele, provavelmente os
picos continuarão a ser no verão, mas haverá registros em outras épocas do ano.
Após avançar pelo norte da região metropolitana, a doença já
chegou ao litoral paulista, com um caso humano em Itanhaém, e ao Vale do
Ribeira, com um macaco infectado na cidade de Pedro de Toledo.
Diante do atual cenário, o governo do estado decidiu vacinar
toda a população. Segundo o secretário David Uip, titular da Saúde do governo
Geraldo Alckmin (PSDB), o prazo ainda será definido.
Para isso, porém, será preciso driblar a procura abaixo da
esperada pela imunização. Segundo boletim divulgado na última sexta-feira (2)
pela secretaria, a atual campanha, que já foi prorrogada, vacinou 50,3% do
público-alvo.
Na cidade de São Paulo, que está na segunda fase da campanha
de vacinação, dividida por regiões, esse índice está em 62%. A expectativa é que a quarta e última etapa
da atual mobilização seja concluída em maio, e, a partir de junho, a estratégia
deve mudar.
Serão pequenos lotes de vacina em todas as unidades de
saúde, e não um quantitativo maior concentrado em determinadas regiões,
mediante distribuição de senhas.
O estado de São Paulo registrou 286 casos autóctones
(contraídos no local) de febre amarela desde 2017, sendo que 102 resultaram em
morte. As cidades com maior número de casos são Mairiporã (133 casos e 39
óbitos) e Atibaia (49 casos e 14 óbitos). A capital paulista contabiliza oito
casos e quatro mortes provocadas pela febre amarela.
Reações à vacina
O médico Éder Gatti, do Centro de Vigilância Epidemiológica,
apresentou nesta segunda (05) os dados de efeitos adversos de vacinação. Os
mais comuns foram os casos de meningite e meningoencefalite. Foram 68 neste ano
no estado, em um total de quase 6 milhões de doses aplicadas. A maioria dos
pacientes se recuperou em alguns dias, disse Gatti.
Já os casos de doença viscerotrópica aguda, que é uma
espécie de febre amarela acusada pela vacina, foram três em 2017 (os registros
de 2018 estão sob investigação). Isso dá uma incidência de 1 em cada 970 mil
doses, índice previsto na literatura médica. "Muito mais gente teria
morrido se não tivesse sido vacinada", disse Gatti.
Por: Folha PE.

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