Em discurso ao lado de aliados políticos e apoiadores no sindicato dos químicos em São Paulo, Lula atacou a Lava Jato e disse que está animado, apesar de condenado pelo TRF-4
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© Paulo Whitaker/Reuters
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À espera de decisão sobre seu recurso na segunda instância
da Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite dessa
sexta (16) que, se mantida a condenação, será "o primeiro preso político
do país no século 21".
Em discurso ao lado de aliados políticos e apoiadores no
sindicato dos químicos em São Paulo, Lula atacou a Lava Jato e disse que está
animado, apesar de condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª
Região) a 12 anos e um mês de prisão.
Segundo ele, o objetivo da operação é "execrar e
condenar as pessoas antes do julgamento". "Eu tenho consciência de
que os que me condenaram não têm a consciência tranquila da inocência que eu
tenho porque eles acham que mentiram", afirmou, antes de criticar
imprensa, Ministério Público e Justiça pelo processo do tríplex em Guarujá
(SP).
"O jornal O Globo mentiu quando disse que eu era dono
do apartamento, a Polícia Federal mentiu quando fez o inquérito, o Ministério
Público Federal mentiu quando fez a acusação, o [juiz Sergio] Moro mentiu
quando me condenou e o TRF-4 mentiu quando manteve a pena e ainda
aumentou."
Para Lula, isso tudo aconteceu porque "a desgraça de
quem conta a primeira mentira é passar a vida mentindo para poder justificar a
mentira que eles contaram". Essa mentira seria, segundo o ex-presidente,
de que ele era o líder do esquema de corrupção na Petrobras.
O evento encheu o auditório do sindicato no centro de São
Paulo, onde ocorreu o lançamento do livro "A Verdade Vencerá: O Povo Sabe
Por Que Me Condenam" (ed. Boitempo), em que Lula diz estar "pronto
para ser preso" e afirma que não fugirá.
No livro, Lula é entrevistado por quatro pessoas, incluindo
o jornalista e colunista da Folha de S. Paulo Juca Kfouri, que discursou antes
do evento.
Kfouri afirmou que a obra pretendia expor "a verdade do
presidente Lula" e que cabe ao leitor ficar ou não convencido dela, mas
acrescentou que os entrevistadores "ficaram convencidos de que a verdade
do presidente Lula é a verdade".
Na entrada do evento, eram vendidos camisetas e bottons estampados
com a imagem de Lula e bottons. Foram distribuídos panfletos que diziam que a
condenação do ex-presidente foi fraudulenta.
Uma mulher no palco pediu para que não fossem distribuídos
adesivos que diziam "Não à prisão de Lula" por causa da conotação
anti-publicitária da palavra "prisão". Em vez disso, pediu que fosse
dito "Lula inocente, Lula presidente".
MARIELLE E DELFIM
No palco, Lula ainda fez menção à morte da vereadora do Rio
Marielle Franco (PSOL) morta na quarta (14) em, segundo ele, "uma barbaridade
política" por "um bando de imbecis".
"Pela morte daquela companheira, que muita gente nem
conhecia, hoje no brasil inteiro depois do assassinato dela surgiram milhares e
milhares de Marielles", disse, citando pessoas que defendem os mais pobres
e os direitos humanos.
Logo depois, afirmou que ligou para o ex-ministro Delfim
Netto, alvo da última fase da Lava Jato, para prestar solidariedade.
"Peguei o telefone e liguei em solidariedade ao Delfim
Netto porque eu não posso admitir que um homem como o Delfim Netto, aos 90 anos
de idade, seja acusado de corrupto por fazer uma consultoria."A fala do
ex-presidente, de meia hora, foi muito aplaudida pelo público, exceto no trecho
em que ele citou Delfim -que ocupou ministérios em governos da ditadura militar.
Além do processo do tríplex, o ex-presidente é réu em mais
seis ações criminais na Lava Jato, ainda sem sentença. Com informações da
Folhapress.
Por: Notícias ao Minuto.

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