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| Malude Maciel. |
Com admiração, compulsava as páginas do Jornal Vanguarda, à época, em busca da Coluna denominada: “Nelseanas”, assinada por nada mais, nada menos que Nelson Barbalho, o historiador mor da cidade de Caruaru, com fama reconhecida. Eu, jovem e entusiasmada, era a maior fã daquele estilo literário, tão despojado e até humorístico que nos brindava semanalmente o magnífico autor com os mais variados assuntos, sem papa na língua, consciente e inteirado do cotidiano geral. Diferentes e sensacionais seus textos fugiam do lugar-comum deixando-me deslumbrada diante das pérolas publicadas, especialmente quando eram demonstrados seu profundo conhecimento da nossa História.
Admirava aquela maneira inteligente e peculiar com que ele conduzia seus escritos e isso serviu de incentivo ao ponto de despertar em mim um desejo de projetar um livro, inspirada naquelas e demais leituras que costumava fazer; assim, ousei procurar o “monstro sagrado” que estava vivendo praticamente isolado no Bairro de Encruzilhada no Recife. Foi então que descobri a pessoa mais simples, atenciosa e altruísta, descendo de um pedestal, que ele nunca deu valor e acolhendo-me como um mestre. Incentivou-me, corrigiu-me, orientou-me e levou a sério minha ideia, dando todo apoio e orientação.
Entrar naquele mundo particular e deslumbrar seu rico acervo, em sua casa, foi um privilégio. Ver suas inúmeras produções, não somente nos escritos mas também nas músicas e composições me deixou perplexa. E, a rapidez com que ele falava, escrevia e dominava quaisquer assuntos era fenomenal. Tudo foi impressionante.
Caruaru, nossa terra natal, foi sempre seu tema preferido. Havia uma paixão e apego àquela “terrinha santa”, imensurável e Nelson fazia questão de alardear tal sentimento com muita ênfase em suas obras onde se apreciava a beleza de um amor irrestrito que transbordava automaticamente.
Quisera que nossos jovens aprendessem com o legado que Nelson deixou, pois é um patrimônio grandioso de História e Cultura que tem muito a ensinar ao alunado do Educandário que tem o seu nome, com mais de cinquenta livros publicados e outros a serem lançados pós-morte que aconteceu em 22/10/1993.
Dos treze livros de sua autoria que tenho comigo, todos com seu importante autógrafo, a maioria fala em Caruaru como sua musa inspiradora a quem batizou de: País de Caruaru. Citamos apenas: “Caruaru de Vila a Cidade”; “Caruaru Cidade Princesa”; “Caruaru do Cel. João Guilherme”; “Caruaru do Meu Tempo”; “Baú de Sovina (caruaruísmos, nordestinidades e outros bichos); “O Mundo Livre do Major Sinval (Caruaru em Versos e Prosas); “Caruaru, Nomes e Cognomes”, além de: “Nordestinidades”, “Altinho”, “Recife Versus Olinda”, “Luiz Luna”, “Os Amigos”, etc.
Sua amada filha, Valéria, tem se dedicado a tirar do ostracismo tantas preciosidades que Nelson não levou a público, já tendo publicado o livro: “José Condé, o Romancista de Caruaru” com sucesso.
Por tudo isso, Nelson tem recebido muitas homenagens e reconhecimentos e sua famosa música: “A Morte do Vaqueiro”, cantada por Luiz Gonzaga tem sido ao longo dos anos tema da cerimônia da missa do Vaqueiro em Serrita.
Nelson Barbalho representa para nós, caruaruenses, o filho da terra que mais divulgou e elevou o nome de Caruaru historicamente e temos obrigação de ser gratos pela sua “FENOMENAL” existência. Nosso conterrâneo foi genial, um verdadeiro fenômeno.

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