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Aparelho desenvolvido pela Universidade Federal de
Pernambuco para teste rápido do vírus Zika
- Divulgação/LikaLika
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Dois sistemas de teste rápido para detectar o vírus Zika em
pessoas, e também em larvas e mosquitos Aedes aegypti, estão dando resultados
promissores em uma pesquisa feita pelo Laboratório de Imunopatologia Keizo
Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A previsão é de que
um dos sistemas seja implantado como projeto-piloto na rede pública de saúde do
estado no segundo semestre deste ano.
De acordo com o professor José Luiz de Lima Filho, diretor
do Lika, os sistemas utilizam tecnologias distintas para chegar ao mesmo
resultado. Um deles, de menor custo e mais simples, utiliza um anticorpo para
detectar a presença do vírus. “Coloca a amostra num papelzinho e se tiver a
presença do vírus, surge uma linha dentro do sistema indicando positividade”,
explica.
Lima Filho afirma que esse modelo, caso chegue à etapa final
de produção em larga escala, pode ser disponibilizado em postos de saúde e até
mesmo em farmácias, para que o próprio paciente faça o teste. Isso porque, como
o Zika muitas vezes apresenta sintomas leves e até mesmo imperceptíveis, a
doença acaba subnotificada.
“No caso do Zika, muitas vezes as pessoas não vão ao posto
de saúde, então a epidemiologia é muito difícil. Você imagina se as pessoas
tivessem essa disponibilidade”, diz o professor. Ele relata que em mais de um
caso positivo, na fase de testes, o resultado saiu de um voluntário que seria a
amostra padrão. A pessoa dizia nunca ter sentido os sintomas, mas a análise
acabou identificando a presença do vírus.
Essa tecnologia foi desenvolvida inicialmente para testagem
em humanos, mas os cientistas perceberam depois que poderia ser utilizada para
identificar a presença do vírus nos hospedeiros. “Se soubesse que tinha o
mosquito infectado, o serviço público poderia intensificar as ações naquele
local e evitar a disseminação da doenças”.
O outro teste é feito por um aparelho que amplifica a
presença do material genético do vírus na amostra e dá o resultado em uma tela
com gráficos coloridos - uma linha para
cada arbovírus, já que também é capaz de detectar dengue e chikungunya. Segundo
o diretor do Lika, esse modelo demora mais, cerca de 10 minutos. “A vantagem é
que mede qualquer tipo desses vírus”. O equipamento tem cerca de 20 centímetros
e não necessita de profissionais especializados para usá-lo, basta um
treinamento curto.
Produção em larga escala
Os sistemas estão em fases diferentes de desenvolvimento. O
de 10 minutos já é testado na universidade, e os pesquisadores esperam
certificar a tecnologia ainda no primeiro semestre. Na segunda metade do ano,
protótipos devem ser colocados à prova em unidades de saúde públicas de
Pernambuco.
O de três minutos passará por testes até o segundo semestre.
“A gente já viu que funciona e está mudando a substância que marca a presença
para ficar mais eficiente. Isso vai começar em março”, informa o professor.
Os pesquisadores esperam disponibilizar as tecnologias no
mercado em 2018. O desafio agora é tornar os métodos viáveis financeiramente –
o cálculo de produção em larga escala ainda não está fechado. “Como qualquer
produto tecnológico, o início é caro. Inclusive, os protótipos são muito caros
porque você investe muito dinheiro para certificar. Mas a gente espera que, em
larga escala, seja bem mais barato para usar nos postos de saúde”, afirma o
diretor do Lika.
Como a pesquisa é feita em parceria com duas empresas
japonesas de equipamentos médicos, Toshiba Medical Systems Corporation e
Fujirebio Inc., a previsão é de que a patente fique com elas. “Infelizmente, a
gente pode montar os equipamentos, mas no país não há fábrica de semicondutores.
Temos uma limitação tecnológica grande nessa área, então ainda vamos ficar
dependentes dos outros por algum tempo”, acrescenta Lima Filho.
A pesquisa envolve também o Núcleo de Saúde Pública e
Desenvolvimento Social da UFPE, a National Institute of Infectious Diseases
(NIID) e a Universidade de Nagasaki, por meio das empresas japonesas. O
desenvolvimento do método de diagnóstico rápido é a primeira etapa. Em um
segundo momento, o foco será a produção de remédios e vacinas.
Por: Agência Brasil.

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