Após a leitura que fiz do artigo Poesia e Resistência de Paulo Franchetti.

Ronnaldo de Andrade.



Agradou-me bastante do artigo Poesia e Resistência. A  questão da poesia como resistência e da resistência à poesia têm me causado alguns questionamentos. Parece que na atualidade a poesia tem sido usada mais, do que antes, como resistência ou escudo e veículo de denúncias, com uma linguagem mais objetividade do que subjetividade, usada por certos poetas e poetisas.

Alguém falou que por si só a pessoa por ser poeta já cumpre um papel social. E outra, não sei se foi Mariza Lajolo, disse que a poesia já é um papel social. Eu vejo essas declarações com bons olhos, pois penso que tanto a poesia quanto o poeta atuam no social, são militantes dentro da sociedade, sem ser preciso escolher um lado, um tema, um grupo. 

Massaud Moisés, em sua obra A Criação Poética (1977), diz o seguinte:  
“De  certo modo é verdade: quanto mais se progride a investigação do fenômeno poético, mais a realidade se evidencia, como se o primeiro conduzisse necessariamente ao segundo, ainda que para renegá-lo ou colocá-lo entre parênteses.”  
 
Alguns coletivos e pessoas individuais têm feito prosa e chamam de poesia, quando muitos desses textos não fazem lembrar, pela sua estética, essência e composição geral uma poesia moderna (nem clássica), desconsiderando o básico da Lei do Verso. 

Por causa disso, também, é que a forma poética SPINA veio à luz e tem sido aceita, mesmo que de maneira tímida, e ganhado adeptos Brasil afora. As seis antologias do gênero, publicadas nestes sete anos e os mais de vinte livros de autores independentes confirmam o que falei.

Daqui a alguns anos, talvez, algum(a) estudioso(a) tomará conhecimento do SPINA (ou se interessará por ele) e verá sua importância poética e estética, e o que se encontra além desses dois elementos, e poderá falar ao seu respeito e das poetisas e dos poetas que viram no SPINA valor literário, uma nova e instigante forma de se expressarem,  e por isso se dedicaram e se dedicam a ele sem negligenciar em suas escritas os acontecimentos sociais, políticos etc. de sua época.

Todavia; volto ao texto bastante reflexivo e digo que fui surpreendido, positivamente, quando li a referência ao poeta acreano, falecido em 87, o também político,  JG de Araújo Jorge. Poeta do amor e social, dono de uma obra imensa e ignorada pela crítica da época (e atual), mesmo sendo um dos maiores vendedores de livros, como citado no texto Poesia e Resistência, e um dos mais populares poetas do seu tempo. 

Muitos livros de JG, ou simplesmente José Guilherme, tiveram vendas expressivas e reedições que se esgotaram entre quinze e trinta dias. Entre seus livros mais vendidos posso citar Bazar de Ritmos, a coletânea de capa dura e cor vermelha em quatro volume, Os mais Belos Poemas que o Amor Inspirou. Outrossim seu único romance, Um Besouro Contra a Vidraça. A Sós, Canto da Terra, O Poeta na Praça, esses dois últimos de poesias sociais (ou de resistência?) entre outros.

JG de Araújo Jorge estreia na literatura em 34, com o livro Meu Céu Interior. No ano anterior, o poetinha Vinícius de Moraes havia publicado seu  primeiro livro, O Caminho para Distância, isso 33.

Mas, afinal, o que é resistência na poesia? Poesia de Resistência? Também tem o romance de resistência? 

Os críticos atuais, os avaliadores de prêmio de literatura como o Jabuti, o Oceanos etc., têm se interessado mais pela temática da obra do que pelas características que definem cada tipo de poesia e os diversos tipos de romances. O conto e a crônica têm sido analisados levando em conta suas estruturas?  Quais são os tipos de crônicas? Todas seguem o mesmo padrão estético e característicos? Será que só a temática desenvolvida coerentemente justifica a aceitação dentro desse ou daquele tipo de texto e deve  ser aceito como pertencente a ele?

Meu envolvimento é, por menor que seja, maior com a Poesia, por razões que não cabe falar aqui. E não só pela Poesia, mas também pelo Poema onde a poesia existe. Cada tipo de Poema tem uma estrutura própria que recebe a poesia. Vejo o Soneto, a Trova, o Cordel,  a Ode, a Elegia, o Madrigal, a Sátira, o Poema-piada, o poema Concreto; também a poesia-Práxis de Mário Chamie, a poesia Neoconcreta, e algumas das formas poéticas recentes, como: Aldravia, Poetrix, Piramidal, SPINA, só para citar algumas, cada uma com sua bula, seu conceito. E o que dizer do HAIKAI, Haicai, Hokku e Haiku? São a mesma coisa ou têm conceitos distintos uns dos outros? São escritos e pensados como poesia ou poema? Ou quem os pratica pensam neles das duas formas, por saber que ambas andam juntas como aliadas, parceiras, assim, tal e qual no “eu com o próprio eu”?

Sei que há tempos se fala em verso sem poesia. Se o verso não tem poesia, é certo que é poema, porque o poema é formado por verso-linha! 

É muito comum se falar em poesia, porque ela está ligada, a meu ver, a quem a escreve, apresentando as características, o estilo e versatilidade do(a) autor(a) que a compõem. No entanto; quem fala do Poema? Quem criou esse e aquele tipo de Poema e o que os fez ser criados, qual a ideologia por traz dessas criações? Podemos dizer que isso fica para os estudiosos, para os críticos e curiosos responderem. 

Infelizmente, da década de 60 para cá, ou seja, do Concretismo, ou final do século XX, pouquíssimo tem se falado de algum tempo de Poema. E se tratando dos Poemas surgidos no século XXI, esses têm sofrido com o desdém de críticos e estudiosos, que estão com os olhos voltados às formas poéticas do passado, mas exaltam um grupo de poetas modernos, e com o termo moderno não me refiro aos poetas contemporâneos do século XXI. Sim! há quem fala sobre a poesia atual, mas de modo muito sucinto.

Enquanto as formas poéticas atuais continuam sendo objetos de desprezo. Todavia; elas seguem na Luta para resistirem e chegarem à posteridade, mesmo que seja só fragmentos, como muitas da Baixo Idade Média e Alta Idade Média que chegaram até nós, e, assim, como o Soneto que teve altos e baixos e voltou anos depois a ficar em alta novamente, e é visto como o carro-chefe das formas poéticas.

Há tempos que não se houve falar nem aparece alguém compondo sextina, forma poética antiga. Não que seja necessário o(a) poeta conhecer as Leis do Verso, mas, como salienta Mariza Lajolo (2001): “se saber como se formam os ciclones não nos dá poder sobre eles, saber identificá-los mais cedo, dá tempo de procurar abrigo mais seguro. 

Saber de onde vêm e como se formulam certas noções de literatura, torna nossa opinião mais rigorosa e nossos argumentos mais forte. Permite-nos discernir os recursos teóricos e ideológicos em que se fundam os conceitos oficiais de literatura...”

Portanto, se Poesia é resistência, penso que o Poema tem sua relevância, porque ele existe como suporte daquela, sendo mais resistente por carregá-la. Pode parecer absurda essa afirmativa, mas o Poema é muito mais resistente do que a Poesia. Tanto que muitos continuam existindo sem receberem a devida atenção, como recebem as poesias contidas neles e alguns autores.

É preciso levar em conta os aspetos estéticos de cada tipo de Poema. Aristóteles e Horácio deixaram alguns exemplos sobre isso. 

Por: Ronnaldo de Andrade - Poeta e Professor, tem quatro livros publicados 
e organizou quatro antologias de poemas SPINAS.


Maranhense, atriz, artista, arte/educadora. Formada pelo Centro de Artes Cênicas do Maranhão. DRT: N°235, formada em Teatro pela Universidade Federal do Maranhão. Pós-graduanda em Branding, comunicação e Marketing pela Uninassau, atualmente é Mestranda em Projetos Culturais pela Funiber. Como portadora da Fibromialgia, desenvolve campanhas para divulgar esta que é uma síndrome que possui como sintomas: dores e fadiga crônica, entre outros... 

1 - Como ingressou no universo das artes? 

Rosianne Silva de Jesus: Desde muito cedo, ainda com 7 anos, brincava de interpretar no quintal os personagens das novelas, meu Pai, João Sacerdote de Jesus (o padre, como assim mamãe o chamava rs..) sempre comprava livros para mim, e a minha mãe Merulina Generoza da Silva de Jesus, sempre nos encaminhava para o melhor. A minha irmã mais velha a Janaína, sempre dançava flash dance, xuxa, dançava quadrilha e junto com as minhas irmãs, Mary e Karla, pintávamos, dançávamos, cantávamos músicas em inglés, espanhol e italiano. Nós tivemos a melhor infância do mundo, eu e meu irmão Eduardo fazíamos muitas estripulias. Nossa mãe começou a fazer teatro na companhia SusSes, na Secretaria de Saúde, seu trabalho, ela viajava para os interiores com peças que conscientizavam sobre saúde, ela lia muito para mim os projetos. Depois ela e meu pai entraram no Centro de Artes Cênicas do Maranhão, fiz o teste e passei e minha irmãs Karla e Mary cantavam no Coral da Núbia Maranhão, minha irmã Mary Janne aprendeu a tocar violão sozinha, a mesma possui inúmeras composições, assim como eu também. Ambas, Mary e Karla, começaram a cantar juntas em pizzarias e barzinhos.  Finalizei o Cacem e comecei a fazer Teatro na Universidade Federal do Maranhão, na época em que os cursos desmembraram e dai ainda no Cacem fiz diversos espetáculos, trabalhando com diversos atores e atrizes, diretoras e diretores da São Luís, como: Guilherme Telles, Tácito Borralho, Domingos Tourinho, Urias de Oliveira, Marcelo Flecha. Sempre tive Professores Inspiradores em toda a minha vida estudantil e Acadêmica, como; Luiz Pazzini, Arão Paranaguá, Célida Braga, Ana Socorro, Patrícia Pillates Tânea, Marcelo, João de Deus, Lúcia Gato, e a que se tornou Minha Madrinha Ivanilde; professora de história no 6° ano na escola Robson Martins; foi com ela a minha primeira peça teatral, ‘Morte e vida severina’, texto de João Cabral de Melo Neto. Apresentamos na Praça Deodoro, interpretei uma retirante, me emocionei, e os elogios dos meus colegas sobre a minha concentração me encheu de alegria e nisso até hoje, eu amo a arte, o teatro...

2 - De que forma as Artes melhoram diagnósticos diversos? 

Rosianne Silva de Jesus: A arte é uma terapia, nas suas diversas linguagens, por exemplo, a música como linguagem universal, transforma e acalenta os corações, dependendo da música, ela pode melhorar seu estado emocional. A escrita, a poesia, momento onde você pode expressar suas emoções mais sutís, mais íntimas; colocar para fora seus sentimentos e sensações. A pintura, a cerâmica, o toque no barro, na massa, este instinto criativo, desacelera o cerébro, é uma forma de relaxamento para o corpo, assim como a dança, a cromoterapia, a terapia das cores, o Cinema, a 7° arte, nos tranfere para outros espaços, numa simbiose, que evoca a catarse, assim como em um Teatro, em um  Museu, diversas pesquisas falam sobre como a arte pode auxiliar em um tratamento de saúde.

3 - Qudndo e de que forma foi diagnosticada com Fibrimialgia? 

Rosianne Silva de Jesus: Adoeci no final de 2017, mas foi de 2018 para 2019, depois de realizar muitos exames para descartar outras doenças. Com muitas dores no corpo, fadiga, depois de muita Fisioterapia, e a dor não passar, foi um ultrassonografista que conseguiu me dizer o que tinha, após me encaminhar para a Reumatologista, Dra. Germana Estrela, a quem agradeço por ter cuidado e cuidar sempre de mim. Agradeço também ao Dr. João Batista, especialista na área da dor, pois antes dela, ele me auxiliou a me levantar da cama, e ela me ajudou a caminhar. Os dois médicos foram essenciais para a melhora da minha saúde. 

4 - Conte-nos sobre o Projeto ‘Se é Fibromialgia, tenha empatia’: 

Rosianne Silva de Jesus: Tem como principal objetivo ampliar a divulgação da Fibromialgia para o alcance do maior número de pessoas, através dos meios de comunicação, como tv, rádio, entre outros, uma das etapas iniciou este ano (2025), por meio da propaganda, que tivemos o total apoio do Sistema Mirante de Comunicação. A mesma foi exibida no Fevereiro Roxo. Já existiam algumas leis, como a de Filas de Prioridade, mas que na prática, ainda não funcionam. Tendo em vista tudo isso, senti a necessidade de unir a arte e a educação para divulgar e levar ao conhecimento popular, a doença que ainda não é muito conhecida, seus sintomas e que por ser uma síndrome invisivel, sofre muitos preconceitos e julgamentos.

5 - Mensagem ao leitor: 

Rosianne Silva de Jesus: Que Deus tem um plano para cada um de nós, assim como uma missão. Deus estará sempre conosco nos momentos mais difíceis, basta confiarmos em seus propósitos e que possamos ser instrumentos para melhorar o mundo e a nós mesmos, sempre com verdade e amor.


Por: Renata Barcellos (BarcellArtes) - Professora, Poetisa, Escritora e Membro Correspondente do Instituto Geográfico de Maranhão, Apresentadora do programa Pauta Nossa da Mundial News RJ.

Por: Paulino Fernandes de Lima.


Após as fraudes praticadas contra aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS terem vindo à tona, crescera enormemente o número de demandas judiciais, que visam ao cancelamento de contratos de empréstimos, principalmente os realizados de forma virtual.

Embora exista regulamentação para a contratação na modalidade à distância, por Resolução do Banco Central, as instituições bancárias e financeiras, em geral, não adotam as diretrizes legais, gerando contratos nulos, por natureza, os quais acabam sendo invalidados judicialmente.

Tratando-se de situações que envolvem idosos, os atos abusivos praticados pelos bancos provocam, por força do próprio Estatuto da pessoa idosa (Lei 10741/2003), maior reprimenda judicial, sendo passível de apuração não só no âmbito cível, como também no criminal, tendo em vista a proteção especial, devido à vulnerabilidade presumida.

Contudo, embora a regra seja clara, temos deparado com situações, em que vítimas de fraudes têm sofrido não só com os descontos promovidos a título de parcelas mensais não contratadas, como de serviços não autorizados, que torna indigno o valor líquido das aposentadorias, benefícios ou pensões a receber.

Em boa hora, felizmente, o Judiciário tem determinado o cancelamento desses contratos, condenando as instituições que assim atuam, não só à restituição dos valores ilegalmente descontados, mas ao pagamento da devida indenização por danos morais, decorrente da lesão causada aos direitos de personalidade, amplamente consagrados na Constituição federal.

O que atordoa é o percurso que a vítima dessas situações percorre até o momento em que se livra de vez do infortúnio das cobranças.

É que embora seja cabível, juridicamente, um pedido antecipado de decisão que suspenda os descontos que vão incidindo sobre o já tão comprometido valor a receber, nem sempre esse pleito é concedido, ou o é de forma tardia, o que vai pondo a vítima dessas fraudes, em situação financeira mais delicada.

O ideal seria que a regra fosse, no sentido de se determinar judicialmente a suspensão imediata dos descontos ilegais, já que a parte mais vulnerável (que é sempre o consumidor), não dispõe de meios econômicos para reverter uma situação de miserabilidade a que pode chegar, diferentemente dos afortunados bancos.

No entanto, para que as tutelas judiciais provisórias sejam concedidas, exige-se o preenchimento de requisitos legais mínimos, previstos na Lei processual civil, quais sejam: probabilidade do direito; perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, e reversibilidade dos efeitos da decisão.

Nos casos em que o banco não comprova a pactuação, por contrato firmado; ou quando a suposta contratação se deu de forma virtual, mas não se comprovou idoneidade da assinatura eletrônica, deve o negócio ser cancelado.

Caso haja comprovação de má-fé por parte do banco, impõe-se a restituição dos valores descontados, em dobro; não se comprovando, entretanto, o que é mais incomum, deve o valor ser restituído, na modalidade simples, o que significa, devolver somente o valor, cobrado.

Para a condenação ao pagamento de indenização por danos morais, entretanto, não se exige, nessas situações, por exemplo, que tenha havido negativação do nome da vítima, nos serviços de proteção ao crédito, mas a própria má-fé já valida a condenação nesse sentido.

Ainda é árdua a luta dos que sofrem com esses abusos, todavia a Defensoria pública é uma forte aliada do consumidor, especialmente os mais vulneráveis.

Por: Paulino Fernandes de Lima - Defensor Público e Professor.


Em sessão solene realizada no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, foram iniciadas às comemorações aos 20 anos do Grupo Artilheiros da Cultura do Forte de Copacabana. Grupo idealizado, coordenado e dirigido pelos professores Mara Lúcia Joaquim e Antinio Pereira. O evento  aconteceu em 30 de outubro de 2025, no auditório Santa Barbara, ocasião em que mais de evento aconteceupo receberam das mãos do comandante do Forte, coronel Alexandre Roberto da Silva, a Medalha comemorativa a data.




FEIRA DE LIVROS



A  40ª Feira de Livros do SESC da Amazônia, aconteceu em Manaus, no  Centro de Convenções Vasco Vasques, sob o comando da Presidente do Núcleo Sem Fronteiras no Amazonas, Kátia Colares.

A Rede Sem Fronteiras além do apoio, esteve presente com uma delegação de 37 autores de vários estados brasileiros e 3 países (Portugal, Suíça e Países Baixos), com o objetivo de levar a produção de todos além fronteiras. A Feira foi amplamente divulgada nas redes sociais, e pelo parceiro Raimundo Colares pela “Corte De Solimões”.





AJEB-RJ 




A eleição para nova gestão da AJEB-RJ, para o biênio,  2025/2027, aconteceu na sede da UNAFISCO em 10/11, a Chapa”Vai Dar Certo 2”, foi  eleita. Parabéns à presidente Márcia Schwizer.




RECEPÇÃO DIPLOMÁTICA 





Em 6 de novembro de 2025, o Cônsul do Panamá, Sr. Rubéns A. Sánchez foi recepcionado, em cerimônia restrita e informal, pelo Sr General Alexandre Roberto da Silva, comandante do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana. Flâmulas do Panamá foram entregues aos presentes, distintivos oferecidos pelo Cônsul, ao Comandante do Forte e ao Comodoro Francisco Gondar. Ao  Cônsul foi oferecido, Medalha e Diploma do Mérito Humanitário. Momento musical com Wilarmont Franco, seresteiro de Conservatória, com seu violão e canções inesquecíveis. Davi Antunes, no momento ecumênico fez uma singela parece.  Adriana Moreno, conduziu o encontro com elegância.




SEMANA LITERÁRIA 




A Academia Brasileira de Médicos Escritores, presidida por Fátima Darcinete, e conduzida brilhante por Juçara Valverde, presidente de Honra, realizou a 37ª Semana Literária, de 12 a 14 de novembro, com palestras, entrega de medalhas e certificados, aos premiados no Concurso Literário, posse de novos membros, apresentação musical, performance, coquetéis,  encerrando com o jantar de confraternização no requintado restaurante do Clube Naval Piraquê da Lagoa.







HOMENAGEM




A Orquestra do Forte de Copacabana realiza homenagem ao General Alexandre Roberto da Silva, comandante do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana. O evento aconteceu em 15 de novembro, na Alameda do Forte, e contou com autoridades militares e civis,  dentre elas os Cônsus da Itália,  República Popular do Congo, e  Panamá, amigos e admiradores do homenageado.





Por: Nina Fernandes - Jornalista e Escritora.

José Vieira Passos Filho.


Somos os avós Edna e Celso. Nossos filhos: Lívia, casada com Maurício; Igor, esposo de Hylka; Izabelle, casada com Felipe e Henrique, esposo de Ana. Casamos há 43anos. Nossos seis netos menores são: Rafael (o Rafa) com dez anos; Sofia (Sofa) e Felipe (Felipinho), tem sete; Davi, seis; Maria Luiza (Malú), cinco e Lis, apenas quatro. A neta mais velha, Gabriela (Gabi) está com dezenove anos. Essa família tem um lugarzinho, o Bananal. “Lá nas plagas da Viçosa, tem nome e tradição, é uma terra grandiosa”. Esse lar nós chamamos “O País do Bananal”, é o orgulho de minha vida. É o orgulho de toda minha família. 

Nossos netos quando vão para o Bananal não querem mais voltar, juntam-se aos primos e passam os dias se esbaldando em brincadeiras: acordam-se cedinho para tomar leite no curral, “tirado do peito da vaca”; em seguida servem-se do café; depois vão andar a cavalo por todo povoado. Os mais afoitos já montam sozinhos; outros vão nas garupas de pessoas experientes. Como não tem cavalos para todos, vãos se revezando. Enquanto esperam a vez ficam brincando com os coelhinhos de minha criação. Uma mãe preocupada, diz: “- Alguém viu Sofia? Onde está Malú?” De repente chega uma neta com um arranhão, é medicada e volta para as brincadeiras. Na hora do almoço comem às carreiras porque não podem perder tempo para ir brincar. Minha casa, por ter uma grande área de lazer é onde se concentra a maior parte das crianças. Eu me divirto e me delicio com suas brincadeiras e incentivo-as. Sou eu quem tira os netos do castigo quando os pais querem exemplá-los. O neto diz: “- mas mainha não me deixa sair”. Eu pergunto: - sua mãe, o que é minha? - Filha, responde. Convenço-o a sair do castigo com o argumento: - se sua mãe é minha filha então eu mando nela; vai menino, vai se divertir que eu resolvo. A mãe, quando percebe que o rebento escapuliu da punição, vem me censurar: “- o senhor está botando seus netos a perder”. Convenço-a citando um trecho do poema que fiz tempos atrás: “Viver repreendendo filho, isso foi no passado, seus filhos são duas vezes meus filhos, vovô hoje só entende de afeto”. A filha faz um muxoxo e vai reclamar à mãe Edna.

No Bananal, à noite, os adultos reúnem-se no cruzeiro, em frente à igrejinha. Lembram o passado: fatos engraçados vividos pelos parentes, as piadas contadas pelo meu avô, as brincadeiras de salão onde participavam todos da família. Muitas lembranças. As crianças, no largo da igreja, andam de bicicleta, brincam de “pega”, ensaiam passos de danças e depois vão se apresentar. Mostram-se exímios dançarinos e são aplaudidos pelos avós, pais e parentes. 

O Bananal é um lugar único, por isso passou a ser chamado “O País do Bananal”. A área central é constituída da igrejinha, do cruzeiro e de uma praça com a imagem do Padre Cícero. Em seguida tem várias ruas somente com casas de parentes que sempre se juntam em “senadinhos” para conversarem, jogar baralho, tomar um bom vinho e falar nos antepassados. Foi assim que sempre fizeram meus avós; é assim que fazemos, nós, os avós de hoje; será assim que farão meus netos e seus primos. 

Por: José Vieira Passos Filho - Pres. da Academia Alagoana de Cultura, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Sócio Efetivo da Academia Maceioense de Letras, Sócio Honorário do SOBRAMES (AL), Sócio Efetivo da Comissão Alagoana de Folclore. Presidente da ALB de Alagoas

Escritor Vavá Melo, Prof. Jadilson (Dir. IFMA), Vice-prefeita de Alcântara, Escritor Paulo Souza (Pres. ALCAF), Escritor César Brito (Pres. FALNA), Escritor Carlos Furtado (Vice-pres. FALMA), Ten. Ítalo (Rep. CLA/FAB) e Escritora Fátima Travassos (Pres. CF FALMA).


 Alcântara (MA) – 29 e 30 de novembro de 2025 — A histórica cidade de Alcântara foi palco do VI Encontro das Academias de Letras do Maranhão, realizado no auditório do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), reunindo dezenas de escritores, acadêmicos, gestores culturais e representantes de diversas instituições literárias do Estado. Com o tema “Alcântara: Monumento Histórico Nacional e Cidade a Céu Aberto, em Defesa do Patrimônio Cultural”, o evento reafirmou o compromisso das academias maranhenses com a preservação da memória, a promoção da literatura e o fortalecimento das tradições culturais.

O encontro foi promovido pela Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA) e teve como anfitriã a Academia Alcantarense de Letras, Ciências, Artes e Filosofia (ALCAF). Durante dois dias, Alcântara tornou-se um verdadeiro laboratório de ideias e debates sobre o papel das letras na contemporaneidade e a importância do patrimônio histórico para a identidade maranhense.

FALMA: História e missão de integração cultural

Fundada em 28 de novembro de 2008, a FALMA nasceu de uma ação conjunta dos escritores Lino Antônio Raposo Moreira, Salvio Dino Jesus de Castro e Costa, Álvaro Urubatam Melo, Roque Pires Macatrão, Antônio Augusto Ribeiro Brandão, João Francisco Batalha e Adelson de Souza Lopes. Desde então, consolidou-se como um dos principais organismos de união e fortalecimento das entidades literárias do Estado.

Já ocuparam sua presidência Álvaro Urubatam Melo, Roque Pires Macatrão, João Francisco Batalha e Jucey Santos de Santana. Atualmente, a instituição é presidida por Carlos César Silva Brito, tendo como vice-presidente Carlos Augusto Furtado Moreira, primeiro secretário Joaquim de Oliveira Gomes, segundo secretário José Carlos Castro Sanches e tesoureira Márcia Regina dos Reis Luz.

Entre seus objetivos sociais destacam-se a cooperação institucional, o intercâmbio cultural, o apoio técnico às academias filiadas e a difusão da cultura em todo o Maranhão.

Primeiro dia: exposições, performances e homenagens

A abertura do encontro contou com uma extensa programação de palestras, intervenções artísticas e debates.

Entre as apresentações, destacaram-se:

1. Sistema Municipal de Cultura e Mecanismos de Fomento ao Livro e à Literatura – Paulo Sabba (Ministério da Cultura).

2. O Papel das Academias de Letras na Atualidade – Osmar Gomes, presidente da Academia Ludovicense de Letras.

3. Monólogo Teatral “Ana Jansen” – Linda Barros, atriz.

4. Alcântara: Monumento Histórico Nacional e Cidade a Céu Aberto – Paulo Melo Sousa, presidente da ALCAF.

5. A Cultura como Matéria-Prima da Educação – Maria Madalena do Nascimento Pereira, presidente da AMCAL (Matinha).

6. Declamação “Alcântara Cidade Eterna” – Raimundo Soares do Nascimento, ALCAF.

7. Maranhão Sobrinho na História da Academia Barra-cordense de Letras – Kissyan Pereira Castro, ABCL.

8. 17 Dicas para Escrever e Publicar um Livro – José Carlos Castro Sanches, AMCIBA.

9. Debate Interativo “A Literatura como Patrimônio Cultural” – Professores José Neres e Dino Cavalcante, mediação de Linda Barros.

O momento mais aguardado da noite foi a entrega da Comenda Escritor Salvio Dino Jesus de Castro e Costa, criada em homenagem ao grande idealizador da FALMA. Receberam a honraria personalidades que se destacam pela atuação em defesa da cultura maranhense, entre elas:

César Boaes (diretor do Teatro Arthur Azevedo)

João Israel Lopes (presidente da Academia Esperantinopense de Letras)

Raimunda Pinheiro de Souza Frazão (cordelista)

Alexandre Maia Lago (escritor)

Joseane Maria de Souza e Souza (Gestora da Casa de Cultura Josué Montello)

Aldaléa Lopes Brandes Marques (ABCL)

Joralda Ramos Ribeiro (rendeira)

Maria Francisca Rodrigues Marques (caixeira)

Irene de Jesus (coreira)

Maria Silva Costa (doceira)

Maria da Glória Moraes Campos (rezadeira)

Antônio do Livramento Boaes Tavares (coordenador do festejo do Divino Espírito Santo)

José da Conceição Araújo Ribeiro (mestre naval)

Gerson Araújo Ribeiro (marceneiro)


Todas as academias presentes receberam certificados de representação institucional.

Segundo dia: intercâmbio e integração

O segundo dia começou com a palestra “Intercâmbio das Academias de Letras”, ministrada por Carlos Augusto Furtado Moreira, presidente da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (AMCLAM), da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal, além de vice-presidente da FALMA. Sua exposição destacou as conexões possíveis entre as entidades literárias, a necessidade de cooperação e a busca por políticas culturais integradas.

O presidente da FALMA, Carlos César Silva Brito, reforçou na ocasião a importância do encontro como espaço de aproximação e fortalecimento mútuo: “Queremos que este Encontro seja um espaço de inclusão, novas amizades e inspiração. Um ambiente onde cada palavra e cada ideia possam provocar reflexão e transformação. Que possamos caminhar lado a lado, porque a verdadeira força está no respeito, na conexão e na união que existe entre nós.”

Um marco para a cultura maranhense

O VI Encontro das Academias de Letras do Maranhão encerrou-se como um marco de valorização da cultura, um momento de celebração do patrimônio, da literatura e da força dos agentes culturais maranhenses. Alcântara, com sua memória viva e suas tradições preservadas, mostrou ser o cenário ideal para reafirmar o compromisso de escritores e instituições com a proteção e promoção da identidade cultural do Estado.

O evento reforça a missão da FALMA: unir, inspirar e fortalecer o movimento literário maranhense, mantendo viva a chama da cultura em todas as regiões do Maranhão.


Carlos Furtado entrega a comenda Salvio Dino à Diretora da Casa de Cultura Josué Montello.


Por: Cel. Carlos Furtado.


O psiquiatra pernambucano Dr. Fernando Filizola participou, entre os dias 11 e 14 de outubro de 2025, do 38º Congresso do European College of Neuropsychopharmacology (ECNP), realizado em Amsterdã, na Holanda. Reconhecido internacionalmente como o maior e mais importante congresso dedicado à psicofarmacologia, o evento reúne especialistas de todo o mundo para discutir, anualmente, as principais descobertas científicas e os avanços que impactam o tratamento das doenças mentais.

Durante quatro dias de programação intensa, o Dr. Filizola acompanhou de perto as discussões mais atuais sobre psicofármacos, medicamentos fundamentais na prática psiquiátrica por atuarem diretamente no Sistema Nervoso Central. As palestras e apresentações abordaram a chegada de novas moléculas, estudos clínicos recentes, abordagens terapêuticas inovadoras e tendências que devem redefinir a forma como se tratam condições como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia e diversos outros transtornos psiquiátricos. O congresso também destacou mudanças nos quadros clínicos contemporâneos e as transformações no perfil dos pacientes, em um cenário mundial marcado por desafios sociais, tecnológicos e emocionais.

A participação do Dr. Filizola reforça sua tradição de envolvimento ativo com a produção científica internacional. Presença marcante nos principais fóruns da psiquiatria no Brasil e no exterior, ele se mantém constantemente atualizado sobre os avanços da área, trazendo para seus pacientes o que há de mais moderno, seguro e eficiente em termos de diagnóstico e tratamento. Essa dedicação contínua o consolidou como um dos profissionais mais respeitados de Pernambuco, admirado não apenas pelo vasto conhecimento técnico, mas também pela postura humana, atenciosa e acessível que mantém no dia a dia da clínica.

Colegas e pacientes o descrevem como um médico de grande sensibilidade, sempre disposto a ouvir, acolher e buscar a melhor abordagem possível para cada caso. Essa combinação entre rigor científico e empatia faz com que o Dr. Filizola seja reconhecido como uma figura essencial no cenário da saúde mental do estado.

A participação em um congresso de tamanha magnitude reforça a importância de profissionais brasileiros estarem conectados às pesquisas globais. Ao retornar, o Dr. Filizola traz consigo uma bagagem rica de conhecimento, que certamente contribuirá para o aprimoramento dos atendimentos e para a disseminação de práticas mais atualizadas entre colegas da área. Assim, sua atuação ultrapassa os consultórios e amplia o impacto positivo na psiquiatria pernambucana como um todo.

Com uma carreira marcada por excelência, atualização constante e profundo compromisso com o bem-estar dos pacientes, o Dr. Fernando Filizola segue consolidando seu papel como uma das maiores referências da psiquiatria regional. Sua presença no maior congresso de psicofarmacologia do mundo reafirma sua dedicação em acompanhar, compreender e aplicar os avanços científicos que moldam o futuro da saúde mental.




Pr. Geraldo Magela.


Tenho certeza de que Eva saboreou o fruto do “conhecimento do bem e do mal”. Aquilo parecia maravilhoso demais para ser recusado. Tão delicioso, tão sedutor, tão irresistível, que ela logo chamou Adão: “Experimenta também!” E ele experimentou. E amou o fruto. O pecado sempre se apresenta assim, doce na boca, mas amargo na alma.

Mas depois do sabor… chegou a fatura.

Para Eva, a fatura veio em letras grandes e dolorosas: “Darás à luz com dor… e serás governada pelo teu marido.”

Para Adão, o boleto da desobediência trazia suor, cansaço, espinhos e frustração diária.

Para os dois, a pior cobrança: “Expulsos para sempre do Paraíso.” O fruto era doce. A fatura, amarga.

Tenho certeza de que Davi achou deliciosa a experiência proibida de possuir Bate-Seba, a mulher de Urias. E ela, por sua vez, talvez tenha sentido o gosto embriagante de estar nos braços do Rei. Mas, como sempre, depois do prazer… veio a fatura.

Primeiro, o aviso: “Estou grávida.”

Depois, a tragédia: “Mandem matar Urias.”

Mais tarde, o luto: “A criança morreu.”

E, por fim, a colheita mais amarga: Absalão, seu próprio filho, se levanta contra ele. Davi saboreou a aventura… mas nunca sofreu tanto como sofreria após aquele dia.

Geazi, vendo Naamã partir sem deixar presentes, decidiu que era injusto o profeta não receber nada. O coração ganancioso justificou a mentira. E escondido, foi pegar aquilo que Deus mandara Eliseu rejeitar. Mas logo a campainha tocou: a fatura havia chegado. E nela estava escrito: “A lepra de Naamã te acompanhará para sempre.”

Setecentos mergulhos no Jordão não apagariam o erro. Quando a fatura é divina, não há parcelamento, não há acordo, não há desconto.

Miriã, apoiada por Arão, afiou a língua para ferir Moisés. O assunto? A mulher “não hebréia”, “não digna”, “não pura”. E enquanto fofocavam, imaginavam estar fazendo justiça… mas logo Deus enviou a cobrança celestial.

A fatura chegou rápido: lepra branca como neve.

E ela só escapou porque aquele que foi ferido pela língua… orou por ela. Sempre é assim: quem apedreja precisa depois das orações de quem foi atingido.

Poderíamos citar mais mil histórias, Sansão, Saul, Acã, Judas… mas já basta. A Bíblia inteira nos mostra a mesma verdade espiritual:

O pecado é sempre mais caro do que parece.

Ele nunca mostra o preço antes, só depois. E quando a fatura chega, ninguém consegue negociar com o céu.

Por isso Deus não diz: “Sede santos porque eu sou santo” para nos aprisionar num ideal de perfeição impossível.

A santidade não é uma competição.

Não é uma exigência cruel.

Não é utopia.

A santidade é proteção.

É muro.

É vacina.

É escudo.

É o amor de Deus evitando que a fatura seja emitida contra nós.

Se pecar fosse barato, o diabo não trabalharia tanto para nos empurrar ao pecado.

Se a fatura não doesse, ele não teria interesse em nos seduzir.

Por isso oramos, lutamos e vigiamos.

Não por perfeição.

Mas por livramento.

Que o Senhor nos livre do pecado, e nos livre, sobretudo, da fatura que o pecado envia.


Por: Pr. Geraldo Magela.

 LETRA B: BOBÓ.

Arlinda Lamêgo.

Em Sampa há um restaurante para cada um, de acordo com sua origem. E os colegas do trabalho me definiram não como nordestina, ou pernambucana, mas como “baiana”. De Minas para cima, era todo mundo “baiano”. Todo nordestino era ‘baiano”. E, pernambucana, tornei-me “baiana”. Hoje não é assim. Descobriram o Brasil. Cada local tem sua particularidade

Diziam que “toda baiana sabe cozinhar”. Pediram que fizesse bobó de camarão. Acho que nunca havia comido um. Euuuuu, perguntava-me ... Sim, euzinha, que tinha duas mãos esquerdas. Busquei minha “Enciclopédia”. Seriam cerca de vinte pessoas. Morava em um apartamento pequeno, tinha apenas o básico. Precisei comprar copos, pratos, talheres, toalha de mesa, panela. A máquina registradora deu o seu som. Comprei uma baixela de 24 serviços, copos e talheres. Uma toalha de mesa e algo grande para servir. Uma panela para fazer o bobó. Até hoje os tenho, intactos. 

Bobó e Moqueca são alimentos bem diferentes. “Bobó” vem do idioma fon de Benim, de conexão ancestral profunda na culinaria brasileira pela diáspora africana no Brasil, que introduziram azeite de dendê e o leite de coco.  A moqueca tem origem indígena, africana e portuguesa. A palavra vem “pokeka”, do tupi, peixes em folhas de palmeira eram assados nos fornos chamados “moquém”.

Na   moqueca baiana, usam-se leite de coco e azeite de dendê, mas a moqueca capixaba não, apenas o peixe em caldo temperado e urucum dá a cor.  Moqueca paraense utiliza peixes da Amazônia, com tucupi (caldo fermentado da mandioca brava) e goma de mandioca. Moqueca caribenha usa leite de coco, banana e abacaxi.

O bobó tem consistência cremosa pela mandioca. Pode ser feito com peixe, ou frango. É acompanhado de arroz branco ou pirão.

Ao bater a mandioca, queimei o liquidificador. Tentei bater a mandioca crua. Fui comprar um novo. Cheia de “dedos”, não sabia nem por onde começar a fazer leite de coco. Sem google e sem IA (Inteligência Artificial), só contava com a minha Enciclopédia. Daí, cozinhei o aipim na água e sal depois que queimei o liquidificador. 

Como limpar o camarão, eu me perguntava. Tive que descobrir onde estava o intestino do camarão. Eu pensava que era um grumo de sujeira na cabeça. O “cocô” do camarão fica nas costas do animal, uma linha escura no final da cabeça até a cauda, retirei com uma faca e palito de dente. O trabalho tinha apenas começado. 

Mil dúvidas, como temperar os camarões. Caso deixe muito tempo, o camarão cozinha pelo limão. Devo ter comprado material para cem pessoas e não vinte pelo trabalho que tive.  Segui a receita. Cortei os tomates, a cebolinha, coentro, pimentões verde e amarelo e transferi para uma panela grande com o leite de coco e um pouco de azeite de dendê. Deixei cozinhar. Bati no liquidificador junto com o aipim. Transferi o creme para uma panela grande. Coloquei os camarões no creme pouco antes da hora de servir. 

Êta bobó caro.

Por: Arlinda Lamêgo - Recifense, Médica, Escritora e Poeta.


Natural de Surubim, Paulo Gondim Barbosa de Sousa vem de uma tradicional família do município. É filho do Dr. José Nivaldo Barbosa de Sousa e de Maria Neíse Monteiro Gondim de Sousa (in memoriam), ambos lembrados com respeito e admiração pelo importante papel que exerceram nas atividades socioculturais de Surubim. São seus irmãos: José Nivaldo Júnior, publicitário; Ricardo, Sérgio, Lúcia, Virgínia e Neíse Gondim.

Desde cedo, Paulo demonstrou o desejo de contribuir com o desenvolvimento da sua terra natal, inspirado pelo exemplo do pai, cuja dedicação ao bem-estar de Surubim marcou gerações. Esse legado o motivou a investir em projetos inovadores no mercado imobiliário, impulsionando o crescimento urbano e econômico da cidade e região.

Com carinho, ele recorda a infância vivida em Surubim até os 13 anos de idade, tempo de brincadeiras, pipas ao vento, banhos de açude, pescarias e idas ao cinema. As memórias das festividades juninas, natalinas e de Ano Novo, celebradas em família, continuam vivas até hoje, mantendo a tradição de festejar o São João com alegria e raízes firmes na cultura local.

Paulo foi alfabetizado pela professora Lucila Marinho, estudou até a 7ª série no Colégio Marista Pio XII, em Surubim, e depois seguiu para o Recife, onde concluiu o ensino médio no Colégio Marista do Recife.

Em 1979, ingressou na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), formando-se em Engenharia Civil em apenas quatro anos e meio.

É casado com a surubinense Giselda Guedes de Sousa, com quem tem dois filhos: Rodrigo Guedes de Sousa, jornalista atuante na multinacional Axis Communications, e Renata Guedes de Sousa, psicóloga que integra a Secretaria de Direitos Humanos do Governo do Estado de Pernambuco.

Em 1983, Paulo fundou a VMS – Engenharia e Comércio Ltda., responsável por obras de destaque em todo o estado, incluindo projetos para a Philips, no Curado, e para o Bandepe, em diversas cidades do interior.

Pouco depois, iniciou sua trajetória no setor público, contribuindo com a Secretaria de Administração de Pernambuco e, posteriormente, com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), onde foi designado para atuar na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Lá, exerceu o cargo de chefe da Divisão de Engenharia por 16 anos e de substituto do superintendente regional por oito anos, destacando-se pelo trabalho técnico e pela gestão responsável de áreas da Marinha sob administração da União.

Com uma sólida carreira pública e empreendedora, em 2013, Paulo criou a Surubim Empreendimentos Imobiliários Ltda., dando início a uma nova fase de contribuições para o desenvolvimento urbano da região.

Entre os projetos realizados, destaca-se o Loteamento Dr. José Nivaldo, na Fazenda Esperança, localizado às margens da rodovia PE-90, que vem sendo ampliado em etapas contínuas e sustentáveis, símbolo de sua dedicação à modernização e ao progresso de Surubim.

Ainda em complemento aos loteamentos bem-sucedidos, Paulo fundou também a Surubim Loteamentos, empresa que administra 650 lotes residenciais, e a GM Construções, responsável pela edificação de casas destinadas ao Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal.

O restante da Fazenda Esperança é administrado pela Surubim Serviços Agrícolas, empresa que mantém a tradição da pecuária e investe em energia renovável, com três usinas solares em pleno funcionamento.

Em companhia da sua irmã e sócia Virginia Pignot vem administrando, com visão empreendedora e foco em sustentabilidade, os sócios já projetam novos avanços: para 2026, está previsto o lançamento de mais um empreendimento imobiliário, o Loteamento Dr. José Nivaldo V., homenagem ao seu pai e símbolo da continuidade de um legado de trabalho e amor por Surubim.

Visionário, ético e comprometido com suas origens, Paulo Gondim Barbosa de Sousa representa o equilíbrio entre tradição e inovação, um cidadão que honra o passado e constrói, com trabalho e amor, o futuro da sua cidade.


 


A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, decretou situação de emergência hídrica em municípios do estado afetados pela estiagem prolongada e pela escassez de chuvas, com impacto direto no abastecimento de água, especialmente na região do Agreste pernambucano.

O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado e reconhece oficialmente o cenário de seca hidrológica, caracterizado pela redução significativa nos níveis dos reservatórios, barragens e sistemas de abastecimento que atendem áreas urbanas e rurais.

Medida busca agilizar ações emergenciais

Com a decretação da emergência, o Governo de Pernambuco passa a ter respaldo legal para agilizar ações emergenciais, como:

• Reforço no abastecimento por carros-pipa;

• Ampliação de medidas operacionais da Compesa;

• Atuação integrada da Defesa Civil Estadual;

• Facilitação de convênios e apoio aos municípios afetados.

Segundo o governo estadual, a decisão foi baseada em relatórios técnicos da Defesa Civil, da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) e de órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos.

Agreste é uma das regiões mais atingidas

O Agreste de Pernambuco está entre as regiões mais impactadas pela crise hídrica, enfrentando longos períodos sem chuvas regulares. A situação compromete não apenas o abastecimento doméstico, mas também a produção agrícola, a pecuária e a economia local.

Diversos municípios já vinham adotando rodízio de água e medidas de racionamento antes mesmo da publicação do decreto, o que evidencia a gravidade do cenário.

Vigência do decreto

O decreto de situação de emergência tem validade de 180 dias, período durante o qual o Estado poderá executar ações excepcionais para minimizar os efeitos da seca e garantir o acesso à água para a população.

O Governo de Pernambuco informou que seguirá monitorando a situação climática e hídrica, podendo adotar novas medidas caso o quadro se agrave.

Crise hídrica exige atenção permanente

A decretação da emergência hídrica reforça a necessidade de políticas públicas permanentes voltadas à convivência com a seca, sobretudo em regiões historicamente vulneráveis como o Agreste. Especialistas alertam que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes, exigindo planejamento e investimentos contínuos em infraestrutura hídrica.



Com raízes fincadas em Surubim, Maria de Fátima Marinho de Souza carrega em sua trajetória a força das origens e o brilho de uma carreira marcada pela dedicação à saúde pública, à educação e à literatura. Neta de D. Maria da Luz, filha de Creuza Tavares Marinho da Costa e Antônio Cavalcante Marinho da Costa, e afilhada de Carminha Guerra, aprendeu desde cedo o valor da família, da fé e do trabalho, pilares que sustentam toda a sua caminhada.

Graduada em Medicina pela Universidade de Pernambuco (UPE) em 1978, especializou-se em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde e obteve o mestrado em Hebiatria pela mesma instituição, em 2006. Sua trajetória profissional começou no renomado Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), onde dedicou 45 anos de sua vida ao cuidado com o outro, uma história de amor à medicina e ao serviço público.

Médica concursada da Prefeitura do Recife, Maria de Fátima atuou com competência e sensibilidade em cargos de grande responsabilidade. Em 1994, assumiu a chefia do Serviço de Atenção ao Adolescente; em 1995 e 1996, implantou e dirigiu o Distrito Sanitário IV do Recife; e foi diretora da Unidade Mista Lessa de Andrade em duas gestões (1997–1999 e 2002–2005). De 2005 a 2016, exerceu a função de Coordenadora de Saúde do Distrito Estadual de Fernando de Noronha, representando o Governo de Pernambuco com excelência e compromisso.

Além da atuação administrativa, dedicou-se à docência, formando gerações de profissionais com o mesmo zelo que sempre guiou sua prática médica. Foi professora da disciplina de Saúde do Adolescente na UNINASSAU e na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), instituição onde atua, desde 2024, como Coordenadora do Curso de Medicina.

Participante ativa de diversos conselhos e colegiados, esteve presente em importantes instâncias de deliberação e controle social, como o Conselho Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conselho de Saúde do Recife, o Conselho Distrital de Saúde de Fernando de Noronha, entre outros. Na área acadêmica, integra o Conselho de Professores da UNICAP desde 2016 e o Núcleo Docente Estruturante desde 2024.

Sua trajetória também ganhou projeção internacional: em 2007, representou o Brasil no IV Seminário Internacional de Experiencias de Izquierda en Gobiernos Locales, realizado em Santo Domingo, com o tema El Municipio como Factor de Democracia y Desarrollo.

Autora de artigos, pesquisas e publicações científicas, Maria de Fátima é também escritora e poeta. Seu livro Referência e Contra-Referência – Uma Proposta para a Assistência à Saúde no Distrito Sanitário IV – Recife lhe rendeu votos de aplausos e congratulações das Câmaras Municipais de Recife e Olinda, além de um Agradecimento Especial da Prefeitura do Recife.

Na literatura, revela sua alma sensível através da poesia. Publicou os livros Mar de Dentro e Amor em Campos de Trigo, além de integrar a Revista Oficina de Letras da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES), da qual é membro. Participou ainda das Antologias de Poetas Brasileiros Contemporâneos nº 77 e 78 e do Panorama Literário Brasileiro 2011/2012.

Com a mesma ternura que dedica à medicina e à arte, Maria de Fátima é mãe amorosa de Murilo (casado com Luciana), João (casado com Manuelle) e Danilo (casado com Melina), e avó orgulhosa de Vinicius, Murilo, Maria Clara, Cecília, Gael, Amanda e André. Casada com Leonardo Araújo, ela encontra na família o seu porto seguro e a sua maior inspiração.

Entre a ciência e a poesia, a gestão e o ensino, Maria de Fátima Marinho de Souza é exemplo de mulher que faz da vida um espaço de partilha, de amor e de compromisso. Sua trajetória é uma ode ao servir, com sabedoria, empatia e sensibilidade.


Malude Maciel.


Observamos, com grande e grata satisfação e aquele sentimento de uma mãe ao ver a filha atingir a maturidade, que a Creche Tia Malude, do Lions Clube de Caruaru completará  trinta anos de existência em 19 de outubro deste ano. Nós acompanhamos esse processo de crescimento e toda sua trajetoria desde os alicerces da Sede-Creche construídos na época em que era presidente do Clube o companheiro Leão meu esposo: Marco Antonio Maciel Santos, nas gestões: 1986/87 e 1987/88. Foi um sonho que se tornou realidade, com muita luta, força, determinação, suor e lágrimas e hoje vemos felizes um resultado positivo do empreendimento leonístico, sendo um orgulho para toda a família leonística desse município e por que não dizer, do Lions Internacional.

A Creche Tia Malude funciona na Av. Suíça, n º 100 – Bairro Universitário, fone: 3721-0386 nesta cidade e, atualmente mantém 80 crianças de 4 meses a 5 anos de idade, que entram no estabelecimento às 6h30 e saem às 17h30, recebendo 5 refeições por dia, tomando banho e escovando os dentinhos duas vezes ao dia. Consta também um Berçário com dezesseis crianças; Berçário I e II com vinte e seis crianças e Infantil I e II com 23 crianças. Recebeu este nome numa gentil homenagem à DM Maria de Lourdes S. Maciel (Malude), por sugestão do CL José Almeida, aprovada por unanimidade pelos companheiros Leões e suas Domadoras, sendo motivo de honra e satisfação. Sua pedra fundamental data de 1988, mas seu funcionamento efetivo com equipamento e material humano deu-se na gestão do CL Roosevelt Bezerra e sua Domadora Marinete, em 1991. Sua primeira Diretora foi a DM Maria Clara Amorim, pioneira naquela função educativa que serviu de base para esse trabalho que colhe bons frutos, sendo auxiliada pelas competentes Profas. Eneida Florêncio e Hila Nunes. Posteriormente, assumiu a direção, em caráter voluntário, por quase uma década, a Domadora Graça Borba que também fez um belíssimo trabalho, também a Companheira Idinalva Monteiro como Gestora regeu uma equipe bem formada que impulsionou esse movimento em prol da criança caruaruense, tendo todo o apoio dos componentes do Lions Clube e Lioness Clube de Caruaru, como também cooperação de voluntários sensíveis e engajados em projetos sociais.

A missão dessa Creche é promover o desenvolvimento integral e contínuo do alunado, considerando sua realidade social, econômica, emocional, física e intelectual. Preparando, pois, o futuro cidadão.

Os vinte funcionários do quadro de atuação são cedidos pelo Município que tem auxiliado também com complemento alimentar e materiais de higiene e didáticos. Existe ainda uma ajuda semanal do Banco de Alimentos do SESC, cabendo ao Lions os pagamentos de água, luz, telefone, vigia, manutenção do prédio e outras necessidades emergenciais. 

A “Creche do Lions Clube de Caruaru – Tia Malude” tem sua clientela proveniente de bairros de maior carência econômica e as crianças freqüentam em período integral enquanto os pais ou responsáveis trabalham, pois a situação financeira é de classe baixa, na maioria desempregados e domésticas tendo o grau de instrução entre analfabetos e com Ensino Fundamental incompleto e renda familiar de um salário mínimo. O atendimento médico é feito nos postos de saúde do bairro e a Escola mantém um bom relacionamento com a comunidade que vem se tornando mais participativa nas atividades regulares do educandário. A política adotada para o atendimento da demanda é priorizar as mães que trabalham, sendo o objetivo: educar e cuidar da criança, integrando-a no meio social em que vive, complementando a ação da família e da comunidade.

Graças a Deus, a “nossa” Creche tem, contado com pessoas conscientes e sensíveis à importância desse trabalho e, tanto políticos como voluntários em geral, além da classe leonística, têm unido forças para manter e desenvolver esse núcleo de ação comunitária. 

No ano de 2012 a PMC assumiu os deveres da instituição que está de portas abertas para receber visitas, donativos e ajuda de toda natureza a fim de continuar com o padrão de qualidade que vem oferecendo, com esforços, desde sua fundação.

Como madrinha, enquanto eu viver, estarei galgando, passo a passo, esse empreendimento, com o maior carinho, pedindo sempre as bênçãos do Pai Eterno, tanto para os assistentes como para os assistidos desse conjunto educacional que é a Creche do Lions Clube de Caruaru – Tia Malude, ou seja o atual CMEI- Centro Municipal de Educação Infantil.

Por: Malude Maciel - Jornalista, Escritora e Membro da ACACCIL 
Cadeira 15 – Profa. Sinhazinha.