REVOLUÇÃO CULTURAL, FABIANISMO, METACAPITALISMO E O AVANÇO DA CULTURA DA MORTE

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José Francisco dos Santos.

 

A luta contra os valores que construíram a Europa, no início da Idade Média, que se consolidam no tripé Filosofia Grega/Direito Romano/Religião Hebraico-cristã é antiga. Remonta, pelo menos, da época do Renascimento e da decadência da Escolástica, no século XIV. Na Idade Moderna, tomou a forma do racionalismo e do chamado “iluminismo”, que difundiu a crença, ainda muito arraigada, de que o período Medieval foi um período de trevas, e que a o triunfo da razão implicava a derrocada da religião e de suas superstições. 

Durante a Revolução Francesa, houve a tentativa dos jacobinos, a ala mais radical daquele movimento, de destruir fisicamente o catolicismo, com destruição e profanação de templos, proibição de culto, assassinatos aos milhares de sacerdotes e religiosos.

No século XIX, o comunismo, que é, de algum modo, um segundo round da Revolução Francesa, pregou a revolução armada como forma de destruir o sistema capitalista e suprimir a propriedade privada. Os marxistas daquela época acreditavam que todo o leque que forma a cultura: educação, religião, direito, artes, política, para ser transformado, precisava de uma mudança anterior no sistema de produção.

Ocorre que o tempo passou, e a revolução comunista se estabeleceu apenas na União Soviética, enquanto nos países da Europa ocidental, a tal “luta de classes” não avançava.

Teve início, então, uma guinada de perspectiva no movimento comunista. Impulsionados pelo filósofo italiano Antonio Gramsci e pelo que ficou conhecida como Escola de Frankfurt, a estratégia revolucionária se centrou na mudança da cultura. Ao invés de fazer primeiro uma revolução armada para, posteriormente, mudar a chamada “superestrutura”, os comunistas deveriam se imiscuir no mundo cultural e provocar uma radical mudança no comportamento, nos costumes, nas ideias, inculcando, a conta gotas, as sementes revolucionárias, que amadureceriam as condições para a tomada de poder dos comunistas. 

Essa estratégia foi amplamente implantada e vem tendo estrondoso sucesso. Durante o século XX, os revolucionários da cultura dominaram a literatura, as universidades, as escolas, a televisão, os jornais, a música, o cinema.

A revolução sexual dos anos 1960 é fruto desse movimento, e as bandas de rock foram um possante veículo propulsor para ele.

O alvo principal já havia sido indicado por Friedrich Engels, no século XIX, no livro “Sobre a origem da Família, da propriedade privada e do Estado”, que colocou a família tradicional cristã como fruto do capitalismo burguês, lugar de opressão e instituição a ser destruída. 

Mesclando Marx com Freud, a revolução sexual da Escola de Frankfurt pregava a libertação da libido, o fim da repressão sexual, o que levou ao “sexo, drogas e rock’nroll” , a Woodstock, às novelas da Globo e a uma erotização e pornografização constantes da arte e da cultura.

E muitas obras desses intelectuais já eram financiadas por megacapitalistas, como a Fundação Rockefeller.

No Brasil, Paulo Freire, na área da Educação e a chamada “teologia da libertação”, na esfera religiosa, foram os principais motores desse processo, possibilitando o sucesso eleitoral da esquerda nas últimas décadas.

Um dos propulsores desse movimento revolucionário foi o feminismo, que costuma ser divido em três fases. Na primeira fase, buscavam-se direitos civis para as mulheres, como o direito ao voto e igualdade nas condições de trabalho e salário. Na segunda fase, a mulher é identificada como explorada pela sua própria condição sexual e reprodutiva. Nessa época, apílula anticoncepcional e a febre da redução da natalidade, que ia na esteira da teoria falsa de Malthus, se tornou a tônica. Houve intensa pressão internacional para que o Brasil adotasse meios de anticoncepção em massa, e a OMS e o Banco Mundial forçaram países pobres pelo mundo afora para uma política de anticoncepção que tinha muito menos caráter de erradicação da pobreza, e muito mais de sabotagem para impedir o desenvolvimento desses países. A superpopulação foi uma mentira tão comum como o foram os buracos da camada de ozônio e o atual “aquecimento global”. Observem que, com um território fértil maior que o dos EUA, o Brasil tem praticamente a metade da população daquele país. O aborto também passa a ser defendido como direito humano, condição de emancipação do corpo da mulher, uma vez que a maternidade se torna uma prisão e um impedimento ao sexo livre.

O feminismo, no entanto, avançou. Simone de Beauvoir, um dos ícones do feminismo da segunda fase, pedia a liberação da pedofilia, em 1977. Assinou, com seu marido, o filósofo Jean Paul Sarte e uma pá de intelectuais comunistas uma petição em que pedia a libertação de três criminosos acusados de abuso sexual com meninos e meninas entre 11 e 14 anos. Eles exigiam que os criminosos fossem libertados e diziam que a lei era incongruente, por não reconhecer o direito sexual das crianças e adolescentes. No relacionamento de Beauvoir com Sartre havia muitos “ménages”, com meninas sempre muito novas, que Beauvoir “preparava” para Sarte. Sua vida privada consta de vários casos de abusos de meninas, muitas das quais acabaram se suicidando.

Na terceira fase do feminismo, cujo ícone maior é Judith Buttler, já estamos no coração da chamada “ideologia de gênero”. O objetivo dessa ideologia é desconstruir completamente a identidade sexual, afetiva e moral das pessoas. A princípio, começou como uma defesa do homossexualismo, mas, aos poucos, o próprio conceito de homossexualidade ficou antiquado. Então passou a se falar em transexual, pansexual, quer e uma infinidade de possibilidades, cuja finalidade é, literalmente, confundir de tal forma, que sequer se possa falar, com alguma propriedade, sobre qualquer identidade sexual.

Mas o poder de penetração dessa mentalidade na sociedade não se deve à qualidade da argumentação dos teóricos que a defendem. 

A ideologia de gênero e o aborto vêm sendo empurrados a fórceps nos diversos países, através de uma atuação maciça das mídias, dos sistemas educacionais e de saúde. Materiais didáticos defendendo o sexo livre, as experimentações sexuais variadas de crianças e adolescentes, o desprezo pela moral tradicionalsão constantes. Nos sistemas de saúde, o aborto é cada vez mais fomentado, mesmo que tenha que ser através de recursos administrativos que burlem eventuais proibições legais.

Como a sociedade brasileira é massivamente contrária ao aborto, sua aprovação no poder legislativo, apesar de décadas de tentativa, nunca foi bem sucedida.

Apelou-se então para um apelo emocional, relacionando o aborto aos casos de estupro, o que levou o legislativo a criar uma exceção penal no caso de aborto fruto de estupro. A partir dessa brecha, os governos do PT trataram de fazer a estratégia avançar, aprovando a desnecessidade da prova do crime de estupro, sendo necessário apenas o boletim de ocorrência e, posteriormente, em nome da defesa do direito da mulher, já bastava apenas a palavra da mulher. Isso abriu brechas para que qualquer mulher pleiteasse o aborto em juízo. Agora, o Ministério da Justiça busca aprovar lei que exige o depoimento do estuprador, sua prisão e punição e, adivinhem, a bancada feminista está em polvorosa. Parece que matar o bebê é mais importante que penalizar o estuprador.

Esse enorme esforço de avanço das pautas genericamente chamadas de “cultura da morte” se devem à atuação dos organismos ligados à ONU e a diversas Fundações internacionais multibilionárias, que há muito tempo vêm financiando essas agendas. Grupos metacapitalistas já não fazem parte do mercado, como empresas e organizações comuns. Estão acima dele, e têm pretensões de poder totalitário global. A ideia de concentrar o poder nas mãos de uma elite remonta à chamada Sociedade Fabiana, do início do século XX. Os “fabianos”, que inspiraram os hoje chamados “social democratas”, levaram esse nome pela referência ao general romano Fábio Máximo, que liderou Roma nas guerras púnicas, contra Cartago. A estratégia era de uma guerra lenta, chamada de guerra de desgaste. Os fabianos são marxistas que se contrapõem à luta aberta pelo poder, preferindo “cozinhar” essa guerra, destruindo aos poucos a resistência do inimigo (no caso, a sociedade tradicional cristã e suas instituições).

Grupos como a Fundação Rockefeller, A Fundação Ford, o megaespeculador George Soros ou a Fundação Bill e Melinda Gates financiam, no mundo inteiro, as pautas revolucionárias de destruição dos fundamentos da civilização ocidental, por um poder mundial que sonham ter e, em alguma parte, já possuem.

Tudo o que é relacionado ao avanço da legislação em termos de aborto, ideologia de gênero, eutanásia assistida, feminismo, ecologia, legalização de drogas, conflitos sociais em geral, tem financiamento gordos dessas fundações.

Nas assembleias da ONU, dominadas por feministas, as pautas de avanço da ideologia de gênero são decisivas, impondo uma agenda global como forma de estabelecer os direitos humanos, pressionando governos e instituições, ora com liberação de financiamentos, ora com ameaça de retirá-los.

No entender das representantes mais radicais do movimento feminista, o avanço da ideologia de gênero envolve a descaracterização completa da identidade e de papeis sociais, incluindo os familiares. A tendência é para o desaparecimento completo de tabus, como o incesto que, aliás, já rondou o legislativo brasileiro com um projeto denominado “poliamor”, que deixava escondida a possibilidade de incesto e pedofilia, já que o direito sexual das crianças também deve ser afirmado, em detrimento da “ditadura” da família ou da cultura tradicional.

Por trás de pretensa defesa de direitos humanos e da infância e adolescência, escondem-se interesses bem mais escusos, como aqueles que já defendiam Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre e os intelectuais “descolados”, na década de 1970.

Como essas fundações internacionais controlam boa parte dos organismos de mídia mundial, é muito difícil estabelecer um debate justo. Não é de se estranhar que os interesses dos comunistas, sob todos os matizes, estejam voltados agora para a censura da internet, como o estapafúrdio inquérito das “fakenews”, do ministro Alexandre de Moraes e a luta no legislativo para aprovar a censura nas redes.  Quando se trata de defender esse lado, a Constituição é violada e direitos fundamentais (de conservadores) são atropelados, sempre com o olhar cúmplice das instituições que dizem defender essas mesmas liberdades e garantias constitucionais.

Estamos quase que como moscas numa enorme teia de aranha, uma teia global, regiamente financiada e politicamente muito bem estruturada. 

Mais que nunca precisamos manifestar nossa posição, consolidá-la e estarmos dispostos a lutar por ela até as últimas consequências.

Desmascarar tamanha rede de mentiras é um modo essencial de passar das palavras à ação.

Em anexo, reportagem da revista “Estudos Nacionais” sobre as fundações globalistas.

Por: José Francisco dos Santos - A locução apresentada na Assembleia do Grupo de Proteção da Infância e Adolescência – GRUPIA, de Brusque/SC, 
em 10/09/2020. Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, professor Do Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE, Faculdade São Luiz e Faculdade Sinergia.



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