POLÍTICA PLURAL

0 Comments
Sivaldo Venerando.


Lula reinaugurou-se no governo como um trator. Em pouco mais de três meses, fez varredura nos órgãos, revogou integral ou parcialmente vários decretos presidenciais do antecessor, Jair Bolsonaro e sancionou leis. Tudo isso para, no dizer petista, “fazer o Brasil voltar a sonhar”. 

Paralelo a isso, tomou providências políticas para isolar as chances futuras do bolsonarismo. Nesse ponto erra o alvo ao pensar que o próximo embate será fácil. Não será, sequer, tranquilo. Tudo indica que o presidente enfrentará uma direita menos radical, polida; outro nome, não o próprio Bolsonaro. Na futura cena o ex-presidente aparece, provavelmente, como cabo eleitoral de alto pedigree.

Em todo caso os movimentos de Lula são em função da máxima de Maquiavel quando diz que “o dever do príncipe ao conquistar o poder é tomar as medidas para não perder o poder”. O restante do governo faz-se em contraponto às políticas do antecessor, cujos resultados desagradam a uns e agradam a outros.

E por que a cada quatro anos temos que debater as desventuras da nossa nada estruturada democracia? É porque nosso povo sequer percebe o que de fato é o fazer político. Pensa resolver todos os problemas da sociedade ao votar em um presidente, governador, prefeito. Não cogita pautar legislativo e executivo, por meio de propostas discutidas e amadurecidas em organizações sociais. Ao invés de tomar a frente das demandas que surgem e nos incomoda, nosso povo as delega aos poderes constituídos e, ao não fazer política eficiente, mendiga políticas paternalistas e aumenta o poder de quem foi eleito para ser servidor público.

Seguindo esse mesmo modelo sem serem fiscalizados ou cobrados pelos principais interessados em uma sociedade melhor, nossos políticos consolidam o único adversário em comum: o povo.

Por: Sivaldo Venerando - Escritor e Historiador.



You may also like

Nenhum comentário: