VÍRUS NIPAH: O QUE É, RISCOS À SAÚDE E POR QUE ELE PREOCUPA ESPECIALISTAS

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O vírus Nipah, considerado um dos patógenos mais perigosos monitorados pela ciência, voltou a acender alertas internacionais em janeiro de 2026, após a confirmação de novos casos na Índia, mais precisamente no estado de Bengala Ocidental, na região metropolitana de Kolkata (Calcutá). Embora não exista, até o momento, um cenário de pandemia, o reaparecimento do vírus preocupa autoridades de saúde por sua alta taxa de letalidade, pela possibilidade de transmissão entre humanos e pela inexistência de vacina ou tratamento específico.

O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, tem origem animal e pode ser transmitido para seres humanos. Seu principal reservatório natural são os morcegos frugívoros, conhecidos como morcegos-das-frutas, que carregam o vírus sem apresentar sintomas. A transmissão pode ocorrer quando pessoas consomem alimentos contaminados por secreções desses animais, como frutas mal higienizadas, ou entram em contato com fluidos de animais infectados. Em situações específicas, especialmente em ambientes hospitalares ou familiares, o vírus também pode ser transmitido de pessoa para pessoa, o que aumenta o nível de atenção das autoridades sanitárias.

No surto mais recente, confirmado no início de 2026, cinco pessoas testaram positivo para o vírus Nipah em Bengala Ocidental. Entre os infectados estão profissionais de saúde, o que indica transmissão associada ao atendimento hospitalar. Alguns pacientes apresentaram quadro clínico grave, incluindo comprometimento neurológico, e seguem internados sob isolamento rigoroso. Além dos casos confirmados, mais de 100 pessoas que tiveram contato direto com os infectados foram colocadas em quarentena ou sob vigilância médica, como forma de conter a disseminação do vírus.

Os sintomas da infecção pelo Nipah costumam surgir entre quatro e até vinte dias após a exposição e, no início, podem se confundir com doenças comuns: febre, dor de cabeça, mal-estar, tosse e dor de garganta. No entanto, a evolução pode ser rápida e agressiva. Em muitos casos, a doença progride para infecção respiratória grave e encefalite, uma inflamação no cérebro que pode causar confusão mental, convulsões, coma e morte. Em surtos anteriores, a taxa de letalidade do Nipah variou entre 40% e 75%, tornando-o um dos vírus mais letais já registrados.

Atualmente, não existe vacina nem medicamento antiviral específico contra o vírus Nipah. O tratamento disponível é apenas de suporte, focado em aliviar os sintomas e manter as funções vitais do paciente, muitas vezes em unidades de terapia intensiva. Por essa razão, a prevenção, a identificação precoce de casos e o isolamento rápido continuam sendo as estratégias mais eficazes para evitar a propagação da doença.

Diante dos casos confirmados, o governo indiano ativou protocolos de emergência, reforçou medidas de biossegurança em hospitais, mobilizou equipes nacionais de resposta a surtos e intensificou o rastreamento de contatos. Países vizinhos e outras nações asiáticas também passaram a adotar triagens sanitárias em aeroportos, com atenção especial a viajantes provenientes da Índia, retomando práticas semelhantes às utilizadas durante a pandemia de Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha a situação de perto, mas, até o momento, não recomendou restrições globais de viagem, avaliando que o surto permanece localizado e sob controle.

Especialistas destacam que, apesar da gravidade do vírus, o risco de disseminação global é considerado baixo neste momento, principalmente porque a transmissão entre humanos não ocorre de forma tão eficiente quanto em vírus respiratórios altamente contagiosos. Ainda assim, o Nipah permanece na lista de ameaças prioritárias à saúde pública mundial, especialmente em um contexto de maior interação entre humanos, animais silvestres e ambientes naturais.

O ressurgimento do vírus Nipah serve como um alerta sobre a importância da vigilância epidemiológica, da pesquisa científica e do investimento contínuo em saúde pública. Mais do que motivo para pânico, o caso reforça a necessidade de informação de qualidade, prevenção e resposta rápida para evitar que surtos localizados se transformem em crises maiores.



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