DE ONDE VEM O NOSSO SAMBA?

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José Vieira Passos Filho.


Aproveito os 100 anos da criação do Samba Brasileiro para evocar à memória do meu primo Jaime Victal quando discorríamos no povoado Bananal da Viçosa das Alagoas, na década de 1990, sobre Música Popular Brasileira. As dezenas de conversas lá no “Pais do Bananal” resultou em um trabalho inédito escrito por Jaime e organizado por mim, intitulado “Comentando a Música Popular Brasileira” onde meu primo disserta sobre os mais diversos gêneros musicais que se originaram no Brasil a partir do final do século XIX: Samba, Marchas, Música Moderna, Bossa Nova e a Atual Música Brasileira. Jaime era (faleceu em 2007) grande conhecedor de letras musicais, em todos os gêneros. Migou para o Rio de Janeira em 1934. Na Cidade Maravilhosa, viveu seu auge da boemia. Em 1985 voltou para Alagoas – Maceió/Bananal. O que segue tem 80% de mérito do meu primo Jaime Victal.

O Brasil é rico de melodias. Essa diversidade de ritmos veio da formação mestiça de seu povo. Até o final do século XIX havia duas castas de apreciadores de músicas no Brasil. A dos aristocratas, frequentadores da Corte, onde as músicas que predominavam era a valsa, de influência austríaca; a mazurca e a polca, de influência teuto-húngara; o minueto, de influência italiana; a canção, de influência francesa; a modinha e o fado, de influência portuguesa. E a do Povo, representado pelos portugueses mais humildes, pelos mestiços e cafuzos, apreciadores das músicas mais alegres. Na época do Império, com as dificuldades enfrentadas pela falta de comunicação, tornava-se quase impossível a divulgação da música. No início do século XIX surgiu o disco de 78 rotações, tocado nos gramofones de corda com corneta acústica; trazia as novidades melódicas para as camadas mais abastadas. Antes do advento do rádio, no começo da década de vinte, o que se ouvia era a execução de dobrados, pelas bandas de música existentes nas localidades, inclusive no interior. Quase todas as cidades tinham uma praça com um coreto e, aos domingos, ouviam-se as músicas de compasso militar e algumas canções populares. Chiquinha Gonzaga, a partir de 1885, com suas composições alegres, revolucionou a música brasileira. Seus chorinhos, o maxixe e a mistura do jongo com o fado e outros ritmos deram origem ao nosso samba. O primeiro samba brasileiro foi “Pelo Telefone” de Donga e Mauro de Almeida, lançado pela Casa Edson do Rio de Janeiro, em 1917: O chefe da polícia, pelo telefone/Mandou me avisar/Que na Carioca tem um coreto/Para se tocar.../Ai, ai, ai, olha para trás e verás/Ai ai, ai, vai tratar de tua vida, rapaz... Mais tarde Sinhô e Noel Rosa lançaram outras gravações e o novo ritmo brasileiro tomou conta dos salões de dança, seguindo o exemplo do que ocorreu com o tango na Argentina. Outros sambas memoráveis são: “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso; “Trem das Onze” e Saudosa Maloca” de Adoniram Barbosa e “Canta, Canta, Minha Gente” de Martinho da Vila.

O samba brasileiro, hoje considerado o padrão da melodia do país, demorou muito para ser recebido nos meios mais requintados da sociedade. São muitas suas variações de ritmo: o samba canção, o samba batucada e muitos outros introduzidos na linguagem dos nossos compositores, principalmente dos mais modernos. O grande divulgador do samba foi o rádio que surgiu no Brasil, comercialmente, em 1919, com a fundação da Rádio Clube de Pernambuco. Em 1921 foi fundada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Roquete Pinto foi o grande mentor da difusão da radiofonia em nosso país. Várias emissoras de rádio foram surgindo em todo o território brasileiro. A partir de 1930 seu desenvolvimento foi aumentando e tornou-se o rádio o principal veículo de difusão da música popular brasileira.

Da década de 1930 até 1970 tivemos no Brasil a fase dos grandes sucessos musicais, com letras elaboradas segundo as normas cultas da língua, além de respeitar a ética e a moral do momento. O Rio de Janeiro era o centro cultural do país e de lá eram levadas para todo o território nacional as melodias brasileiras. Os críticos musicais faziam seus comentários nos jornais a respeito da letra e da melodia de cada composição que era lançada. Em 2016 estaremos homenageando com vários espetáculos pelo país, os 100 anos do samba. Vale conferir.

Por: José Vieira Passos Filho - Pres. da Academia Alagoana de Cultura, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Sócio Efetivo da Academia Maceioense de Letras, Sócio Honorário do SOBRAMES (AL), Sócio Efetivo da Comissão Alagoana de Folclore. Presidente da ALB de Alagoas.



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