MANASSÉS MOURA: O GUERREIRO DO SAX QUE LEVA O NOME DE BEZERROS PARA O BRASIL

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Em meio ao ritmo acelerado das cidades, onde o barulho dos automóveis e a pressa das pessoas costumam dominar o cenário urbano, existe um som capaz de interromper o tempo. Bastam os primeiros acordes de um saxofone para que olhares se voltem, sorrisos surjam e memórias sejam despertadas. É assim que acontece sempre que Manassés Moura começa a tocar.

Conhecido carinhosamente como o “Sax de Ouro de Bezerros”, o músico pernambucano transformou o instrumento em uma extensão da própria alma. Mais do que executar melodias, ele emociona, aproxima pessoas e cria experiências que permanecem na lembrança de quem o escuta. Sua música atravessa gerações e conquista públicos dos mais variados perfis, tornando-o um dos artistas independentes mais admirados por onde passa.

Natural de Bezerros, no Agreste pernambucano, Manassés construiu uma trajetória marcada pela perseverança, pelo talento e pelo amor incondicional à música. São mais de 46 anos de carreira, durante os quais fez das ruas seu primeiro palco, das praças seu grande auditório e do contato direto com o público sua maior escola.

Enquanto muitos artistas aguardam oportunidades, Manassés decidiu criá-las. Levou seu saxofone para onde existissem pessoas dispostas a ouvir boa música. Tocou em calçadas, feiras, praças, centros comerciais e eventos populares, conquistando admiradores pela sensibilidade de suas interpretações e pela simplicidade com que sempre tratou o público. Cada apresentação tornou-se uma oportunidade de mostrar que a arte não precisa de grandes estruturas para emocionar.

Com o passar dos anos, o reconhecimento veio naturalmente. O artista que começou encantando quem passava pelas ruas passou a ser contratado para apresentações em casamentos, aniversários, eventos corporativos, recepções, hotéis, restaurantes, solenidades e celebrações especiais em diversas cidades e estados brasileiros. Em qualquer ambiente, seu saxofone imprime elegância, emoção e um toque de sofisticação que transforma cada momento em uma experiência inesquecível.

Seu repertório é uma verdadeira viagem pela música brasileira e internacional. Passeia com naturalidade pela MPB, pelo autêntico forró nordestino, pelo brega romântico, por clássicos internacionais e pelas canções que marcaram época nas vozes de grandes intérpretes. Entre elas, ocupam lugar especial as obras eternizadas por Nelson Gonçalves e Roberto Carlos, artistas que sempre influenciaram sua formação musical.

Na música instrumental, Manassés desenvolveu uma identidade própria. Seu estilo une técnica refinada, sensibilidade e interpretação, fazendo com que o saxofone praticamente “cante”. Não é raro ver pessoas se emocionando durante suas apresentações, registrando os momentos em vídeos ou simplesmente fechando os olhos para apreciar cada nota.

Ao longo da carreira, sua produção artística também ganhou forma em estúdio. Manassés lançou 14 discos, consolidando um acervo que retrata diferentes fases de sua caminhada musical. Seu trabalho mais recente presta homenagem aos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, reunindo dezoito faixas que marcaram gerações, entre elas Detalhes, Eu Sou Terrível e Além do Horizonte. O álbum reafirma sua admiração pelo Rei e demonstra sua capacidade de reinterpretar grandes clássicos sem perder sua personalidade artística.

A qualidade de seu trabalho abriu portas importantes. Em 2022, emocionou o Brasil ao participar do Programa do Ratinho, no SBT, interpretando a inesquecível Naquela Mesa, canção que arrancou aplausos e reconhecimento nacional. Também realizou apresentação especial no Teatro Municipal de Indaiatuba, em São Paulo, durante evento voltado ao público da terceira idade, participou da tradicional Feira Noturna Pôr do Sol, em Marília (SP), em parceria com o Frango Chic, e gravou seu primeiro DVD em Serra Negra, distrito de Bezerros, ocasião que ganhou um depoimento especial do inesquecível compositor Onildo Almeida, autor do clássico Feira de Caruaru, uma das maiores referências da música nordestina.

Sua história também é enriquecida pelo privilégio de ter dividido momentos musicais com nomes que marcaram a cultura brasileira. Ao longo da carreira, Manassés teve a oportunidade de tocar ao lado de artistas consagrados como Nelson Gonçalves, Aguidêncio Ramos, Reginaldo Rossi e Waldick Soriano, além de realizar apresentações na tradicional Casa da Cultura do Recife e participar de diversos programas de televisão.

Entretanto, o verdadeiro valor de sua trajetória não pode ser medido apenas pelos palcos que ocupou ou pelos artistas que conheceu. Sua maior conquista foi nunca desistir.

Como acontece com tantos artistas brasileiros, Manassés enfrentou dificuldades, limitações e a ausência de incentivos. Em muitos momentos, precisou confiar apenas no próprio talento, na persistência e na fé para continuar levando sua música adiante. Nunca permitiu que as barreiras diminuíssem seu sonho. Pelo contrário: transformou cada desafio em combustível para seguir tocando.

Essa determinação fez com que conquistasse o carinho do público em diversas regiões do país. Em cidades como Surubim, por exemplo, tornou-se figura conhecida e admirada. Quem passa pelo centro da cidade e encontra o músico tocando percebe rapidamente que sua apresentação vai muito além de uma execução musical. Ela desperta lembranças, aproxima famílias, emociona casais, faz crianças sorrirem e cria uma atmosfera de leveza em meio à rotina.

Para muitos, Manassés representa aquilo que existe de mais genuíno na arte popular: o artista que não depende dos holofotes para brilhar. Seu palco pode ser uma praça, uma avenida ou um grande teatro; sua missão permanece exatamente a mesma, tocar o coração das pessoas.

Seu saxofone tornou-se símbolo de resistência cultural, de dedicação e de amor à música. Cada nota executada carrega décadas de estudo, experiências, encontros e histórias vividas ao longo de uma carreira construída com honestidade e respeito ao público.

Hoje, Manassés Moura não é apenas um músico. É um embaixador da cultura pernambucana, um representante de Bezerros e um exemplo de que talento, trabalho e perseverança podem romper fronteiras. Sua arte continua ecoando por onde passa, levando emoção, esperança e beleza a milhares de pessoas.

Enquanto houver alguém disposto a parar por alguns minutos para ouvir um saxofone tocar, haverá espaço para artistas como Manassés Moura. Porque sua música não apenas encanta os ouvidos, ela conversa com a memória, desperta sentimentos e reafirma que a cultura popular continua viva nas mãos daqueles que fazem da arte uma verdadeira missão de vida.






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