O HOMEM COMO ALQUIMIA DO CAOS

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 A Física Invisível das Rugas.

Mário Carabajal.



Da arquitetura da mente ao farol das instituições: a psicomaturação como gabarito prático para a erradicação das dores históricas e a emancipação de um novo pacto civilizatório planetário

O leitor apressado das manhãs costuma buscar nos jornais as crônicas do fato consumado: a inflação, o colapso do trânsito, o último ruído político. Raras vezes nos detemos diante daquilo que se processa no silêncio latente, em gritos abafados e sufocados por prioridades ‘quase todas superficiais’ de aparências meramente sociais. No entanto, na notícia mais urgente — e no furo jornalístico mais negligenciado — encontram-se engenharia secreta que transforma um jovem assustado em um adulto soberano: a ciência viva da psicomaturação humana.

Viver não é um acúmulo passivo de aniversários e voltas ao Sol. Mas uma sucessão de transições de fase. O desenvolvimento do espírito obedece às mesmas leis que regem as galáxias, a música e as placas tectônicas. Somos uma redundância poética do universo tentando organizar o próprio caos. É justamente nessa arquitetura individual que reside a chave para um salto coletivo inédito: a possibilidade de desenharmos um projeto de humanidade livre de suas dores históricas mais profundas, como a fome, as guerras e a corrupção.

Esse anseio encontra eco nas bases da Academia de Letras do Brasil (ALB) “Da Ordem de Platão” - em especial, na ALB/Humanitária. Ao contrário dos modelos tradicionais focados no adorno estético da palavra, no autoritarismo e imposição, esta instituição atua como uma organização cultural politicamente ativa que valoriza, em especial, os livre pensadores, buscando, nas fontes platônicas, a inspiração para propor resoluções de problematizações humanas e naturais. 

“Os ideais humanistas da Academia de Letras do Brasil ‘Da Ordem de Platão’ reconhecidos internacionalmente por órgãos como a ONU em projetos voltados para a erradicação da fome, operam como um farol institucional” (Bel. Dinalva Carabajal - Diretora Global/ALB Humanitária).

Mister, no entanto, o desenvolvimento da consciência individual dos seres, ensejada, em parte, pelos escritores Membros, sob pressupostos de transmutação do egoísmo reativo em compromisso com a liberdade e bem comum.

Impossível evoluir-se coletivamente sem antes os seres evoluirem individualmente. À priori, o início se dá em uma jornada onde opera-se inconscientemente, sob a violência da consequência - é a nossa fase magmática - dominada pela entropia bruta. O jovem é um sistema fechado que acelera nas curvas da vida, distribui certezas absolutas e dispara palavras sem filtro. O universo responde devolvendo o calor dissipado sob a forma de atrito. A consequência é o choque térmico do real; o barulho percussivo do corpo que colide contra o muro da realidade. É o erro em estado puro, o eco do vazio. Sem esse vulcanismo inicial, sem o trauma do ‘feedback’ do mundo, a psique permaneceria em uma infância estéril. Ninguém cresce sem o atrito do solo. Exceto os sábios, capazes de otimizarem conhecimentos, incorporando aprendizados também alo-experimentais e práxis filosófica direcionativa.

O atrito consequente, mais comun, no entanto, gera escombros, cujos sucessivos impactos, ao longo do tempo ativam a maturação. A qual, não se traduz em avanço no calendário, mas no ‘estômago da mente’ que digere e metaboliza a dor das consequências, transformando-a, à priori, em tecido cicatrizado. Na acústica da alma, tal ruído, seco, amplifica-se, ao repercutir como se em uma caixa de ressonância, onde o som ganha corpo e sustentação. Maturar, dessa forma, é o tempo lógico que converte o erro em sedimento estável. Quando esse processo se consolida, o indivíduo deixa de ser refém de reações ‘viscerais-egocêntricas’ passando a perceber que a dor do outro também tensiona a sua própria estrutura.

Só quando essa massa interior se estabiliza é que a mente ganha o direito de desacelerar. Surge assim, a ponderação, o momento em que introduzimos o ‘delay’ cognitivo na nossa biologia. Diante das encruzilhadas, o sujeito maduro suspende o julgamento. É a orogênese por compressão: duas forças opostas chocam-se ‘dentro do peito’, gerando uma elevação tectônica em vez de destruição. Ponderar é sentar-se com as próprias dúvidas e colocar as variáveis na balança. No macrocosmo, a ponderação é o antídoto definitivo para a corrupção e os jogos de poder, ainda em voga em nossos dias. O homem que pondera compreende que a dignidade humana não pode ser negociada no balcão de vantagens imediatas.

Desse exercício de pesagem brota a sensatez, o ponteiro equilibrado no centro do prato da balança. O homem sensato desarmou as bombas da própria vaidade: não precisa mais gritar ou impor-se em autoritarismos para ter razão nem busca o martírio para provar um ponto. Há uma resolução harmônica na sensatez - uma adequação natural e expontânea cirúrgico-deliberativa - ao momento presente. É o equilíbrio ‘termodinâmico’ local, onde as funções operam com máxima eficiência e mínimo atrito. Quando a sensatez rege as instituições, sem o desprestígio de omissão da história, com a valorização das conquistas científicas, a economia e a geopolítica encontram seu ponto de partilha evolucional racional. Na sensatez desenha-se a logística que extingue a fome que ceifa 20 Mil vidas diariamente no Mundo e a equidade que pacifica as fronteiras, convertendo a escassez em abundância distribuída.
Por fim, no topo dessa pirâmide invisível, floresce a prudência. Longe de ser a covardia dos tímidos ou a lentidão dos cansados, a prudência é a engenharia preditiva levada ao grau máximo, em exponenciais geométricos. O sujeito prudente tornou-se uma cordilheira consolidada que altera o clima ao seu redor, servindo de barreira contra as tempestades. Ele decodifica o Mundo antecipadamente. Lê o Universo  na seleção alimentar-energética. A prudência é o silêncio estrutural do maestro que sabe qual nota deve ser tocada para que a sinfonia não sature. Aplicada globalmente, ela é a diplomacia preventiva que silencia os canhões antes mesmo que o primeiro gatilho seja cogitado, guardando um pacto civilizatório perene.
Terminar os dias com o manto da prudência é ter vencido a fúria da entropia. Começamos ‘quebrando a cara’ na quina dura da consequência, sedimentamos a matéria na maturação, pesamos o Mundo na ponderação, pacificamos o presente na sensatez e nos despedimos como mestres da antecipação. Essa evolução sequencial e polifônica não é apenas a salvação do indivíduo, mas o gabarito científico e prático para uma nova Era. Ao escalarmos essa arquitetura interna, sob as luzes humanistas que unem a ciência da mente aos nobres e elevados ideais da Ordem de Platão da ALB, esculpimos no mármore invisível do próprio peito o rascunho de uma humanidade que, finalmente, aprendeu a habitar a sua própria grandeza.

Mário Carabajal - Especialista em Pesquisa Científica, Mestre em Relações Internacionais, Doutor em Ciências Educacionais, Pós-Doutor em Filosofia. Vinte e quatro livros publicados. Presidente fundador da ALB – Academia de Letras do Brasil.


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