NA FILA DE ESPERA

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Maria Teresa Freire.


A tecnologia modificou até a fila de espera, em qualquer lugar que se aguarde ser atendido. Nas farmácias populares, sempre procuradas por terem preços mais acessíveis ou descontos maiores, são um exemplo. Nem sei se os preços são realmente menores, ou se os descontos são atrações para os iludidos fregueses. Enfim, essa realidade é observada. Da espera ou da tecnologia? As duas. O painel eletrônico anuncia a senha a ser chamada. É melhor escolher a senha para atendimento normal do que especial. Que no final das contas, de tão especial, demora um tempão. 

Todos ficam de olho no painel, que pisca com o novo número anunciado e toca uma espécie de campainha. Em alguns locais, uma voz maviosa (ou estridente) anuncia o número da vez. Muito atualizado. As pessoas, já acostumadas com esse ordenamento, aguardam pacientemente. Todavia, sempre tem alguém que acredita que sua senha é logo a próxima.  Será que não lê o número na senha e no painel? É distraído ou se faz de bobinho esperto? Ou velho desatento? Atualmente, os velhos deram para acreditar que têm a primazia em tudo, ou quase tudo. Vichi!  Fazem-se de atrapalhados ou são mesmo?  

Bem, voltemos à questão das filas. Curtas ou longas. Assim aconteceu, num dia desses, em que eu avolumava a ‘fila de espera’. Na ansiedade de comprar uns ótimos cosméticos em promoção (nada de medicamentos. Saúde de ferro!  Até parece!). Um senhor, talvez impaciente, colocou-se bem próximo ao caixa e toda vez que tocava o painel ele dizia: “é a minha vez!” Que nada! Era a vez de outra pessoa. Ele conversava com a moça do caixa e com quem estava sendo atendido. Ele tentava passar na frente. E o próximo a ser atendido dizia, meio bravo (afinal estava esperando): “Epa! É a minha vez!” Até eu fui atendida antes dele. Finalmente chegou o momento do senhor ser atendido e ele continuou a contar suas historietas para a moça do caixa. Comprou o que precisava, foi-se embora. Todos se mostraram aliviados, livres daquela ‘falação’. Sossego na ‘fila de espera’. Eu também fui. Embora.

Entretanto, as filas não param por aí. Não é somente na farmácia. Ainda bem! No supermercado é pior. Sem painel tem-se que contar com a agilidade (ou a falta dela) da caixa para que a fila caminhe. Alguns reclamam da demora, outros batem papo para que o tempo passe mais rápido. Mulher num instante entabula conversa. Em outro dia desses, participei de uma conversação desse tipo, em um supermercado na praia. Uma senhora na minha frente puxou conversa, eu continuei e a terceira também se entrosou. Passamos a trocar informações de como acabar com manchas de vários tipos utilizando uma mistura de ingredientes. Troca de receitas de limpeza. Mulher conversa sobre tudo que lhe interesse ou que possa lhe interessar. 

Banco não tem mais filas.  Não é bem assim. Para usar o caixa eletrônico nem sempre o usuário acerta, dependendo do que queira realizar. Então, tem que aguardar a atendente ajudar. Tem um ‘menu’ tão extenso no painel do caixa eletrônico para alcançar a transação que o cliente precisa, que até se perde em tantas ‘configurações’ a serem seguidas.  Eu passei por uma situação semelhante. E estou acostumada a usar o Internet Banking e também o caixa eletrônico, apesar de raramente ir aos bancos. Mas precisava revalidar o cartão, que havia dado problema. Vichi! (novamente) Um menu cheio de escolhas (umas trocentas!) até eu chegar na finalização do que eu precisava. A ‘mocinha’, ou seja, a atendente, foi bem atenciosa. Missão comprida, passo no verdureiro. Escolho minhas verduras, frutas e meus legumes. Vou pagar. Outra fila! A sorte é que essa é curta. Poucas pessoas. Tenho que colocar a cestinha com tudo que eu escolhi no chão, pois estava pesada. E aí surge mais um ‘papinho’. Dessa vez de comidinha. Umas receitinhas simples para variar o cardápio diário.  Duas mulheres trocam suas especialidades despretensiosas. Outra pergunta sobre a receita. E a quarta mulher também quer aprender. Quase um simpósio gastronômico feminino. Eu digo que mulher sempre arranja o que conversar nas filas; normalmente, informações de seus interesses ou simplesmente contando fatos pessoais, mas que podem ser de serventia para desestressar o tempo perdido na espera. 

Não se engane, as filas continuarão. Poderemos ficar irritados com a espera ou não. Entretanto, dependerá de cada um de nós como vamos enfrentar esse aborrecimento. Eu conheci pessoas interessantes nessa situação. E como passou a ser um hábito atualmente, até número de whatsapp trocamos. Realmente, a tecnologia modificou, inclusive, a fila de espera. Da próxima vez que você estiver aguardando algum serviço puxe conversa, ou responda quando se dirigirem a você. Poderá ter uma boa surpresa! Ou ao menos, dispendeu esse tempo com um entretenimento que poderá ser agradável:  uma conversa!

Por: Maria Teresa Freire - Jornalista, Escritora, Poeta, 
Presidente da AJEB – Coordenadoria do Paraná.
Presidente da ALB - Paraná.



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