COMO A GUERRA NO IRÃ E A POLÍTICA DE TRUMP AFETAM A VIDA NO AGRESTE DE PERNAMBUCO

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José Nivaldo Junior.


Primeiro, as pessoas já estão sentindo os efeitos na feira e nos supermercados. Uma altinha aqui, outra a acolá, um produto que vinha em embalagem de 1kg agora vem com 800 gramas mas o preço não baixa, por aí. Dentro de casa, gás de cozinha mais caro. No posto, gasolina aumentou e qualidade deve diminuir, já foi anunciado. Assistir a novela  vai ficar mais caro, pois a conta de luz está aumentando agora em maio. As pessoas tendem a achar que o bloqueio do estreito de Hormuz não tem nada a ver com elas, mas bem que as repercussões são globais e chegam ao bolso ou à bolsa de cada um. 

Custo de vida

É um conceito antigo, não tanto  como “carestia”. Quando eu era criança, ouvia Teté, uma espécie de governanta da nossa casa em Surubim, chegar da feira reclamando da tal “carestia” para os meus pais. A vilã,  tornava insuficientes, a cada mês, os então cruzeiros que Teté levava para fazer as compras. Mais tarde, observei que a “carestia” ou o “custo de vida”, como o fenômeno passou a ser tratado, não correspondia aos índices de inflação apurados pelos governos, qualquer um. Inflação é um índice técnico, resultado de uma ponderação que inclui coisas básicas para a sobrevivência com despesas estratosféricas que só os muito ricos ou grandes empresas necessitam. Então, pra mim, como publicitário e analista, prevalece sempre a “carestia”, índice real que repercute diretamente no humor político da população.

Outra ameaça mais remota porém real

Recentemente, autoridades americanas comunicaram diretamente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que Washington está prestes a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations — FTO). O governo brasileiro resiste, mas a Câmara dos Deputados já aprovou, em 10 de abril, projeto que inclui as duas facções e mais onze cartéis latino-americanos na lista de grupos terroristas. 

Consequências 

Os efeitos são técnicos e imediatos: congelamento de ativos no sistema financeiro internacional, bloqueio de contas, rastreamento reforçado pela rede de compliance americana e, sobretudo, sanções secundárias a bancos que mantenham relações com pessoas ou empresas ligadas às facções. Não se trata apenas de “crime de favela”. PCC e CV operam com laranjas, empresas de fachada e contas em paraísos fiscais que usam terno e gravata. Quando o Office of Foreign Assets Control (Ofac) do Tesouro americano aciona a lupa, o problema deixa a periferia e chega aos gabinetes de luxo. 

Porém

O problema é aqui em baixo. Na periferia dourada na qual vive a classe média do Nordeste. Como todo mundo sabe, o crime organizado cresceu para cima e para baixo, para leste e oeste. Chegou também ao interior do Nordeste, todo mundo comenta a boca miúda, mas não assume publicamente. Está por aí, já faz parte do dia a dia, trazendo todo o know-how acumulado e tecendo relações políticas e empresariais. Não está perto, mas também não está descartado que o trágico espetáculo que por enquanto assistimos no Rio de Janeiro, se estenda a outras áreas de atuação do crime organizado. Vai depender de Trump, no memento com um desgaste monumental,  recuperar forças para impor sua política antidrogas a toda a América Latina, incluindo o Brasil. É um risco remoto, repito, mas não é impossível que no futuro nem tão longe assim, a gente se veja em meio ao fogo cruzado que costuma atingir, ferir e matar inocentes.

(Especial para O Terra da Gente).

Por: José Nivaldo Junior - Publicitário, Consultor e Seguidor de Voltaire. Diretor de O Poder. Da Academia Pernambucana de Letras.



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